Torcedor baleado em Duque de Caxias foi levado ao Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo após ser atingido no pescoço durante um confronto entre grupos ligados a organizadas de Vasco e Flamengo, nesta quinta-feira, 29 de outubro. O caso ocorreu antes do clássico marcado para as 20h, no Estádio Nilton Santos, e é investigado pela 59ª DP como tentativa de homicídio.
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Torcedor baleado: o que se sabe sobre o ataque
A ocorrência foi registrada na Avenida Governador Leonel de Moura Brizola, na região central de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Informações repassadas pela Prefeitura indicam que o homem, de 42 anos, deu entrada no hospital às 12h07 com um ferimento causado por disparo de arma de fogo no pescoço.
Segundo o relato de uma testemunha à polícia, um grupo de amigos viajava de táxi em direção ao Nilton Santos para assistir à partida. Eles teriam parado perto da garagem da Jurema para aguardar mais um conhecido, permanecendo no local por cerca de cinco minutos.
A testemunha contou que aproximadamente seis ou sete homens se aproximaram e dispararam contra o grupo. Na versão apresentada à polícia, os autores teriam confundido os passageiros com integrantes de uma torcida rival. A suspeita estaria relacionada às roupas usadas por algumas pessoas no local, entre elas uma calça de time e uma camisa preta.
Essa descrição faz parte do depoimento atribuído à testemunha e ainda precisa ser apurada pela investigação. Até as informações divulgadas, não havia confirmação sobre a identificação dos suspeitos, prisões ou conclusão sobre a motivação do ataque.
Estado de saúde e investigação em Duque de Caxias
Depois de ser ferido, o homem foi levado por populares ao Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo. A equipe médica o encaminhou ao centro cirúrgico para um procedimento. A direção da unidade informou que, após a cirurgia, ele permanecia em recuperação pós-operatória, com traqueostomia e quadro considerado grave.
A Polícia Militar informou que agentes do 15º BPM foram acionados depois da entrada de uma vítima com ferimento por projétil de arma de fogo no hospital. A corporação também registrou que, conforme os primeiros dados recebidos, o homem estava em um ponto de ônibus diante da comunidade do Lixão quando foi atingido.
O registro foi encaminhado à 59ª Delegacia de Polícia, responsável pela área. A investigação foi classificada como tentativa de homicídio, procedimento que busca esclarecer a dinâmica do crime, identificar os envolvidos e reunir elementos sobre a possível relação com a rivalidade entre torcidas.
Há uma diferença de detalhamento entre as informações iniciais: o relato da testemunha descreve amigos que aguardavam em um táxi, enquanto a nota policial situa a vítima em um ponto de ônibus. A apuração deverá esclarecer a posição de cada pessoa e a sequência dos acontecimentos, sem tratar como comprovada uma versão ainda preliminar.
Confrontos ampliaram a tensão antes do clássico
O caso em Duque de Caxias não foi o único episódio de violência relatado nas horas anteriores a Vasco x Flamengo. No meio da tarde, houve uma tentativa de invasão à comunidade do Parque União, no Complexo da Maré, atribuída a integrantes de uma organizada vascaína que procurariam torcedores rubro-negros.
Vídeos feitos na região mostraram dezenas de homens na Avenida Brasil, perto da entrada da comunidade. Alguns carregavam pedaços de madeira e parte do grupo cobria o rosto. Testemunhas fizeram alertas sobre o risco de entrar na área, e, em seguida, foram ouvidos fogos e ameaças vindas de criminosos que estavam no local.
O grupo deixou a região, e não havia informação confirmada sobre feridos nesse episódio. A sequência de imagens e relatos reforçou o clima de tensão em torno do clássico, mas não permite concluir, por si só, quem participou de cada ação ou se os grupos envolvidos eram os mesmos do ataque em Duque de Caxias.
Outra confusão foi registrada na Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A via precisou ser fechada por volta das 18h30, conforme as informações divulgadas sobre o episódio. Não foram apresentados detalhes suficientes para relacionar diretamente essa ocorrência aos disparos que feriram o torcedor.
Vasco x Flamengo sob alerta fora do estádio
O clássico entre Vasco e Flamengo estava marcado para as 20h, no Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro. A violência registrada em diferentes pontos da região metropolitana antes da partida deslocou a atenção para a segurança de torcedores, moradores e pessoas que circulavam pelas áreas afetadas.
O episódio também mostra como o risco não se restringe aos arredores imediatos do estádio. O homem foi baleado em Duque de Caxias, enquanto outros relatos citavam áreas da capital, como o Complexo da Maré e Jacarepaguá. Para quem se deslocava ao jogo, a combinação de trânsito, aglomerações e conflitos em locais distintos exigia atenção às orientações das autoridades e às condições das rotas.
As informações disponíveis não detalham mudanças na operação de transporte ou no esquema de segurança do jogo em resposta aos episódios. Também não confirmam que todos os envolvidos nas diferentes confusões fossem integrantes das mesmas organizadas. Essa distinção é relevante: atribuir ações a grupos específicos sem confirmação pode ampliar acusações e dificultar a compreensão do que cada investigação precisa esclarecer.
O clássico também reunia questões esportivas e notícias sobre os elencos dos clubes. No noticiário vascaíno, por exemplo, o futuro do zagueiro Cuesta e as conversas envolvendo o Galatasaray foram tema de informações sobre Cuesta e o Vasco. Já no Flamengo, a ausência de Alex Sandro e a possibilidade de Ayrton Lucas assumir a lateral foram abordadas em uma atualização sobre a lateral rubro-negra.
O que falta esclarecer sobre o torcedor baleado
A prioridade imediata é a recuperação do homem, que seguia em estado grave após passar por cirurgia. Do ponto de vista policial, os próximos esclarecimentos dependem da reconstrução da dinâmica do ataque e da coleta de informações que possam confirmar ou contestar a hipótese de que os disparos ocorreram por uma confusão sobre a identidade dos torcedores.
Também será necessário esclarecer a participação de cada pessoa que estava no local, a origem dos disparos e se há imagens ou outros elementos que ajudem a identificar os suspeitos. As informações públicas não apontavam, até então, uma conclusão da Polícia Civil sobre esses pontos. Por isso, a hipótese relatada por uma testemunha não deve ser apresentada como motivação definitivamente comprovada.
Em dias de clássico, a rivalidade esportiva não explica nem justifica agressões armadas. O caso transformou um deslocamento para assistir a uma partida em uma ocorrência grave, com investigação aberta e uma vítima hospitalizada. A recomendação prática para quem ainda circula em áreas de confronto é evitar os pontos de tensão e seguir comunicados oficiais; a apuração sobre o ataque permanece sob responsabilidade da 59ª DP.

