O Mundial sub-15 da Fifa começa neste sábado, 24 de outubro, em Baku, no Azerbaijão, com 189 seleções e partidas disputadas por equipes de oito jogadores. A primeira edição do torneio vai até o dia 30, em formato de festival, com jogos de dois tempos de 20 minutos e uma estrutura preparada para receber até 20 partidas ao mesmo tempo.
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Mundial sub-15 estreia com formato reduzido e calendário intenso
A competição marca a criação de um evento internacional da Fifa voltado a atletas sub-15 que, segundo a entidade, pretende ampliar as oportunidades para países com mais dificuldade de chegar a torneios mundiais oficiais. Em vez de reproduzir o formato tradicional de 11 contra 11, a organização adotou partidas de oito contra oito, em campos reduzidos.
O calendário concentra um volume elevado de confrontos: a previsão informada pela Fifa é de quase mil jogos ao longo da semana. Com 20 partidas simultâneas em diferentes campos, o festival organiza a atividade em escala ampla e permite que muitas seleções entrem em campo durante o evento. O número total não foi divulgado com precisão nos dados apresentados.
Cada partida terá dois períodos de 20 minutos, totalizando 40 minutos de jogo, sem contar eventuais pausas. A duração menor, somada ao número reduzido de atletas por equipe, dá ao torneio uma dinâmica diferente da encontrada em competições de base convencionais. A Fifa associa o modelo a um jogo mais veloz e intenso.
Esse desenho também tem uma consequência prática: as delegações precisam planejar a utilização de seus atletas para uma programação que reúne muitos jogos em poucos dias. Cada seleção poderá inscrever 14 jogadores e contar com até seis integrantes na comissão ou no estafe. Os participantes devem ter nascido em 2011 ou 2012.
Formato 8 contra 8 busca equilibrar as condições de jogo
A escolha pelo 8×8 foi conduzida pela equipe de desenvolvimento global do futebol da Fifa, liderada por Arsène Wenger. Roberto Grassi, diretor de torneios de base da entidade, afirmou que o formato busca combinar exigências físicas, táticas e técnicas sem depender de estruturas de treinamento idênticas entre os países.
Na avaliação de Grassi, reduzir o campo e o número de jogadores pode tornar a partida mais dinâmica e ajudar a aproximar o nível de disputa entre equipes com condições distintas de preparação. A proposta, portanto, não se limita a encurtar o tempo de jogo: ela altera a ocupação do espaço e a quantidade de atletas envolvidos em cada lance.
O formato, porém, não elimina as diferenças entre seleções. A qualidade da formação, a familiaridade dos jogadores com decisões rápidas e o tempo de preparação continuam relevantes. A adaptação pode reduzir algumas barreiras de entrada, mas não garante igualdade absoluta de desempenho. O torneio servirá também para observar como equipes de diferentes contextos respondem a uma mesma configuração de jogo.
Outro aspecto é a adaptação logística. A estrutura em Baku foi montada para permitir jogos paralelos em vários campos, o que exige organização de horários, deslocamentos e apoio às delegações. Esse modelo se distancia de um torneio concentrado em uma única partida por vez e se aproxima de um festival esportivo de grande escala, embora reúna seleções nacionais e tenha calendário definido.
A preparação das equipes também mostra como o formato exige ajustes específicos. A seleção brasileira sub-15 realizou sete sessões de treinamento em cinco dias, na Granja Comary. Segundo o técnico Guilherme Dalla Dea, a CBF adaptou os campos de treino às dimensões previstas para o Mundial. A mudança de espaço e de número de jogadores pede que os atletas se acostumem a referências diferentes das usadas no futebol de 11.
Brasil ajusta treinos e trata torneio como experiência formativa
Dalla Dea destacou que a participação não se resume à disputa esportiva. Para o treinador, representar o país em uma competição internacional exige que jogadores ainda muito jovens convivam com horários, regras, alimentação e responsabilidades de uma delegação. A rotina pode contribuir para a formação, além do desenvolvimento técnico dentro de campo.
O técnico também apontou que o contato com atletas de outros países pode ter efeitos posteriores, já que esses jovens poderão se encontrar em clubes ou em futuras competições. Essa dimensão de intercâmbio está alinhada ao objetivo divulgado pela Fifa: oferecer experiência internacional a seleções que nem sempre conseguem participar de torneios mundiais oficiais.
A experiência de torneios internacionais ganha relevância para a formação de atletas e para a observação do desempenho em diferentes contextos, embora o Mundial sub-15 não deva ser interpretado como medida isolada do potencial de cada jogador. A trajetória de uma seleção principal, por exemplo, envolve outras etapas e categorias, como mostra o relatório sobre Vini Jr. na seleção, que analisa o impacto de um atleta já consolidado no time brasileiro.
Para o Brasil, as sessões realizadas em Teresópolis permitiram trabalhar em condições ajustadas ao modelo do evento antes da viagem. A declaração de Dalla Dea indica que a equipe técnica tratou a mudança de formato como parte concreta da preparação, e não apenas como detalhe regulamentar. Ainda assim, os dados disponíveis não informam escalações, adversários ou metas específicas da seleção para cada partida.
Fifa prevê torneio feminino e expansão do projeto
O Mundial foi planejado para crescer em etapas. A próxima edição, prevista para 2027, será dedicada ao futebol feminino. A partir de 2028, a programação deverá incluir torneios para os dois gêneros, de acordo com o cronograma anunciado pela Fifa. A expansão permitirá avaliar a continuidade do projeto para além da estreia masculina em Baku.
A previsão de novas edições dá ao evento um papel potencialmente permanente no calendário de base, mas os dados divulgados não detalham critérios de classificação, distribuição de vagas ou formato das competições futuras. Também não há, nas informações disponíveis, confirmação de que as regras do festival serão mantidas sem alterações. Esses pontos serão importantes para entender como a Fifa pretende integrar o torneio às demais competições juvenis.
O projeto se insere em uma discussão mais ampla sobre o acesso de jovens jogadores a experiências internacionais e sobre a padronização das condições de disputa. A Fifa também está envolvida em debates sobre aplicação de regulamentos em outras competições, como o debate sobre regras disciplinares da Fifa. No caso do sub-15, o desafio imediato é fazer com que a estrutura e as regras do festival funcionem para delegações com níveis diferentes de recursos e preparação.
Há ainda uma diferença importante entre ampliar a participação e assegurar desenvolvimento de longo prazo. Um torneio curto pode oferecer jogos internacionais e contato com outros estilos, mas a formação depende também de trabalho contínuo nos clubes, nas federações e nas seleções. Por isso, o impacto do Mundial deverá ser avaliado não apenas pelo número de partidas, mas pela capacidade de manter oportunidades para os participantes após o encerramento da competição.
O que a estreia pode indicar para as categorias de base
A primeira edição reúne três elementos que poderão orientar a avaliação do projeto: a escala de participação, a logística de partidas simultâneas e a adaptação ao 8×8. O volume previsto, próximo de mil jogos, é expressivo, mas não basta para medir o sucesso esportivo. A experiência das equipes, a qualidade da organização e a continuidade das edições também serão parâmetros relevantes.
O formato reduzido oferece uma alternativa para ampliar a disputa entre países, sobretudo quando as condições de preparação são desiguais. Ao mesmo tempo, seus resultados não devem ser comparados diretamente aos de torneios tradicionais de 11 jogadores, porque as dimensões do campo, o número de atletas e o tempo de jogo mudam as exigências competitivas.
Para acompanhar os desdobramentos, será necessário observar se a Fifa mantém o calendário anunciado para 2027 e 2028 e como as federações incorporam a experiência às suas estruturas de base. A análise de outras partidas internacionais, como o amistoso entre Alemanha e Peru, também evidencia o papel da preparação específica na adaptação a compromissos de seleções.
Em Baku, o principal teste será transformar um festival de grande escala em competição organizada e útil para os jovens participantes. A estreia permitirá à Fifa observar se o 8×8 cumpre o objetivo de aproximar seleções com realidades distintas e se a estrutura pode sustentar uma edição feminina e um calendário misto nos anos seguintes.

