Gabi Zanotti criticou a mudança de postura do Corinthians após a equipe abrir vantagem de 3 a 0 e de 4 a 2 contra o Cruzeiro na final da Libertadores Feminina. O empate por 4 a 4, seguido da derrota por 5 a 4 nos pênaltis, encerrou a campanha das Brabas sem o tetracampeonato consecutivo e transformou uma noite histórica para a camisa 10 em uma perda dolorosa.
Fatos centrais da decisão
- Zanotti marcou duas vezes e chegou a 100 gols pelo Corinthians.
- O Cruzeiro buscou o empate por 4 a 4 e venceu a disputa de pênaltis por 5 a 4.
- O Corinthians ainda tem o Paulistão como oportunidade de conquistar um título na temporada.
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Gabi Zanotti aponta a mudança que custou caro
A avaliação da capitã foi direta: o Corinthians deixou de atuar com a mesma concentração demonstrada durante boa parte da decisão. Zanotti lamentou que o time tenha permitido a reação adversária e classificou a alteração de comportamento como inadmissível, sobretudo porque a equipe sabia que a bola aérea era uma das principais armas do Cruzeiro.
O alerta não era abstrato. Três dos quatro gols da equipe mineira nasceram de cruzamentos, segundo o relato da partida. Quando o adversário encontra espaço para levantar a bola na área, a defesa precisa controlar não apenas quem finaliza, mas também a origem do passe, a disputa pelo primeiro toque e a cobertura para a sobra.
É nesse encadeamento que a análise da final ganha peso. O Corinthians conseguiu construir vantagens importantes, mas não sustentou o controle do placar até o apito final. A sequência de gols sofridos indica que a proteção da área e a resposta às jogadas pelos lados se tornaram pontos decisivos, ainda que o resultado não possa ser explicado por um único lance ou por uma única falha individual.
Uma final que mudou de roteiro duas vezes
O placar de 3 a 0 sugeria que o Corinthians estava perto de uma decisão tranquila. Mais tarde, mesmo depois de o Cruzeiro reagir, as Brabas chegaram novamente a dois gols de vantagem, vencendo por 4 a 2. Em vez de encerrar a partida com o controle do ritmo, porém, a equipe viu a distância diminuir até sofrer o empate aos 44 minutos do segundo tempo.
Uma vantagem ampla pode alterar a dinâmica de uma final. O time que está à frente precisa decidir se continua pressionando, se protege mais a própria área ou se busca administrar a posse. Não há uma resposta automática: recuar cedo demais pode entregar campo ao rival; manter a pressão sem coordenação pode abrir espaços para transições e cruzamentos.
O que a fala de Zanotti evidencia é que, na leitura da jogadora, o Corinthians não manteve o padrão competitivo necessário para atravessar essa etapa da partida. A crítica não apaga os méritos do Cruzeiro, que encontrou caminhos para voltar ao jogo, mas concentra a responsabilidade também na equipe alvinegra por não ter neutralizado uma ameaça que já conhecia.
O empate levou a decisão aos pênaltis, em que o Cruzeiro venceu por 5 a 4 e conquistou a Libertadores Feminina pela primeira vez. A disputa na marca da cal definiu o título, mas a recuperação mineira no tempo normal foi o principal ponto de virada: sem a igualdade no fim, o Corinthians teria encerrado a partida com a vantagem construída em campo.
Gabi Zanotti alcança marca histórica em noite amarga
Os dois gols de Zanotti tiveram um significado individual importante. A camisa 10 ultrapassou a marca de 100 gols pelo Corinthians, feito que confirma sua relevância em uma das equipes mais vitoriosas do futebol feminino brasileiro. A própria atleta reconheceu o valor do marco, mas deixou claro que a conquista teria outro peso se viesse acompanhada do troféu.
Essa diferença entre recorde pessoal e resultado coletivo ajuda a entender a dimensão da frustração. Em uma final, números individuais podem registrar uma atuação marcante, mas não substituem o objetivo compartilhado pelo elenco. Para Zanotti, a marca centenária ficou associada a uma oportunidade perdida justamente quando o time parecia encaminhar mais uma conquista continental.
O Corinthians chegou à decisão com 100% de aproveitamento, 21 gols marcados e apenas dois sofridos em cinco partidas. Esses números apontavam uma campanha consistente até a final e ajudam a dimensionar o contraste com os quatro gols sofridos diante do Cruzeiro. Ainda assim, a diferença entre o desempenho anterior e o resultado da decisão não deve ser tratada como prova de que toda a campanha foi insuficiente: ela mostra como uma partida eliminatória pode concentrar riscos que não apareceram com a mesma intensidade nas rodadas anteriores.
O vice amplia a pressão sobre a temporada
A derrota na Libertadores soma-se a outros resultados frustrantes para as Brabas. Em 2026, o Corinthians também ficou com o vice na Copa dos Campeões, diante do Arsenal, na Supercopa, vencida pelo Palmeiras, e no Campeonato Brasileiro, cuja final terminou com título do São Paulo. A equipe ainda foi eliminada precocemente da Copa do Brasil.
O contexto torna o desfecho continental mais pesado do que uma derrota isolada. O Corinthians, acostumado a disputar títulos, acumulou decisões sem levantar taças e agora precisa transformar a decepção em resposta esportiva. Isso não significa que o grupo deva abandonar a ambição ou alterar tudo de uma vez, mas que a comissão técnica terá de avaliar o que falhou em momentos de pressão e como recuperar a estabilidade da equipe.
A final do Brasileiro contra o São Paulo também entrou na sequência de decisões que marcaram a temporada alvinegra. Na cobertura do futebol paulista, a preparação do rival para o clássico pode ser acompanhada neste panorama sobre retornos e dúvidas do São Paulo. O tema é outro, mas ajuda a situar a rivalidade e a disputa por protagonismo entre clubes do estado.
Em torneios eliminatórios, a gestão de vantagem envolve mais do que reduzir o ritmo. É preciso manter linhas próximas, evitar que o adversário receba livre para cruzar e definir quem ataca a bola e quem protege a zona de rebote. Esses detalhes não garantem um título, mas diminuem a chance de uma equipe permitir que uma vantagem confortável desapareça nos minutos finais.
Paulistão vira a última chance de fechar o ano com taça
Depois da final continental, o Paulistão passa a ser o compromisso restante do Corinthians com possibilidade de título na temporada. A equipe tem partida marcada contra o Red Bull Bragantino em 17 de novembro, no início da disputa por uma vaga nas semifinais. A competição oferece uma nova oportunidade, mas também exige uma resposta rápida após uma derrota emocionalmente desgastante.
O desafio imediato será separar a análise da final da preparação para o próximo jogo. Rever os gols sofridos e os cruzamentos que deram origem a três deles pode orientar ajustes defensivos concretos. Ao mesmo tempo, a equipe precisa preservar as qualidades que a levaram à decisão: capacidade de marcar, experiência em jogos grandes e presença de atletas capazes de decidir, como Zanotti demonstrou ao balançar a rede duas vezes.
O calendário de mata-matas também mantém outros clubes brasileiros sob pressão, ainda que em competições diferentes. A disputa entre Palmeiras e Vasco por uma vaga na semifinal da Copa do Brasil é acompanhada neste relato sobre os retornos e desfalques. Para o Corinthians, porém, a prioridade é recuperar consistência no próprio torneio estadual e transformar a frustração em desempenho.
Zanotti resumiu o sentimento ao falar em reconstrução e necessidade de se reerguer. A declaração expressa tanto a tristeza pela final quanto a exigência colocada sobre um elenco acostumado a brigar no topo. O centésimo gol merece registro, mas o encerramento da noite deixou outra tarefa mais urgente: entender por que o time perdeu o controle quando tinha o título ao alcance.
O Corinthians ainda pode evitar terminar a temporada sem conquistas, mas terá de responder em campo, começando pelo confronto com o Bragantino. Para isso, a lição mais imediata da decisão é objetiva: vantagem no placar não basta quando a equipe deixa de proteger a área e permite que o adversário explore justamente o caminho que já havia identificado como perigoso.


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