Dupla do Fluminense, Richard Wendel e Andrey vai representar a Seleção Brasileira no Mundial sub-17, disputado em novembro, no Catar, enquanto alimenta o sonho de chegar ao time profissional do clube. Em entrevista no CT Vale das Laranjeiras, em Xerém, os jovens falaram sobre suas posições, referências tricolores, apoio emocional e a vontade de estrear juntos diante da torcida.
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Dupla do Fluminense leva referências de Xerém para o Mundial
Apesar de terem trajetórias diferentes dentro do clube, Richard e Andrey compartilham um ponto importante: ambos olham para nomes que construíram histórias marcantes com a camisa do Fluminense. O lateral-esquerdo citou Marcelo como sua principal inspiração, enquanto o volante destacou Martinelli, jogador que também se formou em Xerém e acumulou mais de 300 partidas pelo time principal.
Para Richard, a admiração por Marcelo começou quando decidiu atuar na lateral. O jovem acompanha vídeos do ídolo e vê nele uma combinação difícil de reproduzir: técnica, criatividade e capacidade de participar das ações ofensivas. A identificação também passa pela trajetória do ex-jogador, que teve ligação com o futsal, vestiu a camisa tricolor e conquistou a Libertadores pelo clube.
A referência, nesse caso, não significa que Richard espere copiar o estilo de Marcelo em todos os detalhes. O próprio lateral reconhece que o ídolo tem características fora do comum. O valor está em observar como um defensor pode avançar, criar jogadas e chegar à área sem abandonar as responsabilidades de marcação.
Richard se descreve como um jogador ofensivo, que gosta de ocupar o campo de ataque e contribuir com gols e assistências. Para um lateral, esse perfil exige equilíbrio: subir com frequência pode aumentar a presença do time no último terço, mas também deixa espaços para o adversário explorar. A leitura do momento de avançar e a recomposição são parte do desenvolvimento que a posição exige.
Andrey, por sua vez, brinca ao se apresentar como um cincão. A expressão traduz a imagem de um volante mais tradicional, com foco em proteção à defesa, intensidade e recuperação da bola. No futebol atual, esse papel também pede capacidade de oferecer linhas de passe e acelerar a saída, mas a marcação segue como uma das tarefas centrais do jogador.
Martinelli representa uma referência próxima para o volante justamente por ter surgido no mesmo ambiente de formação. A longa permanência do meio-campista no Fluminense, com centenas de jogos pelo profissional, torna sua trajetória um exemplo concreto de continuidade. Para quem ainda está nas categorias de base, ver um jogador de Xerém consolidado no elenco principal ajuda a transformar uma ambição abstrata em um caminho possível.
Do CT de Xerém à pressão do futebol profissional
Richard tem uma ligação antiga com o Fluminense: está no clube desde os quatro anos e passou pelo futsal até a categoria sub-13. Antes de se firmar no futebol, também praticava jiu-jítsu. Quando recebeu o convite tricolor, precisou escolher entre as modalidades e decidiu seguir no esporte que, segundo ele, fortaleceu sua identidade com o clube.
Essa relação não se limita aos treinos. Richard conta que procura acompanhar o Fluminense no Maracanã sempre que pode e chama o clube de time do coração. O vínculo afetivo pode ser um impulso para o jovem, mas a passagem da base ao profissional também depende de fatores objetivos: evolução técnica, adaptação física, desempenho nos treinos e oportunidades dentro do elenco.
Andrey chegou a Xerém depois de iniciar a trajetória no sub-15 do Nova Iguaçu. O Fluminense o contratou em 2026, após o trabalho de observação do departamento de captação. Desde então, o volante passou a ser tratado como uma das promessas da base. A convocação para a Seleção amplia sua visibilidade, mas também aumenta a necessidade de manter regularidade e concentração.
A distância entre uma convocação de base e uma estreia profissional não desaparece com uma boa competição. Um Mundial pode oferecer experiências de alto nível, confronto com diferentes estilos de jogo e exposição internacional, mas a promoção depende de uma avaliação mais ampla. Para os jovens, a sequência diária de trabalho em Xerém continua sendo decisiva mesmo durante o período de maior atenção pública.
O cenário do futebol profissional também exige que atletas em formação entendam a intensidade de calendários e decisões. A rotina de um clube que disputa competições continentais, por exemplo, envolve viagens, recuperação e preparação para adversários distintos, como mostra a maratona decisiva do Palmeiras contra cariocas. Para um jogador da base, observar esse contexto ajuda a compreender que talento precisa vir acompanhado de consistência física e tática.
O sonho de Richard e Andrey é estrear juntos
Os dois garotos não escondem que o objetivo imediato vai além de representar o Brasil no Catar. Richard quer fazer sua estreia pelo profissional do Fluminense no Maracanã. Andrey também deseja chegar ao elenco principal e imagina um cenário ainda mais ambicioso: jogar uma partida de Libertadores com o estádio lotado e, se possível, dividir a escalação com o amigo.
A possibilidade de subir juntos dá um componente especial ao sonho, mas não é uma promessa sobre o que acontecerá na próxima temporada. A entrada de atletas da base depende das necessidades do elenco, das escolhas da comissão técnica e do momento de cada jogador. Mesmo quando dois talentos avançam em ritmo parecido, as oportunidades podem surgir em prazos diferentes.
O desejo de atuar no Maracanã também revela o peso simbólico do estádio para os jovens tricolores. Para Richard, a ligação com a torcida faz parte da própria história no clube. Para Andrey, uma estreia em uma noite de Libertadores representaria a chegada ao palco de uma competição que marcou gerações de jogadores e torcedores do Fluminense.
O caminho até lá pode incluir desafios que não aparecem apenas em jogos decisivos. Adaptação à intensidade dos profissionais, disputa por posição, viagens e partidas fora de casa fazem parte da rotina. A análise sobre a reta final do Mirassol como visitante ilustra como a sequência longe de casa pode exigir ajustes de estratégia e concentração — fatores que também fazem parte da formação de quem deseja competir no mais alto nível.
Seleção, Fluminense e suporte para manter os pés no chão
Conciliar a convocação para a Seleção Brasileira com a rotina no Fluminense exige maturidade. Andrey descreveu a oportunidade como motivo de grande felicidade, mas reconheceu que o reconhecimento não pode interromper o trabalho. Para ele, cada conquista precisa ser celebrada sem perder de vista que a carreira ainda está no início.
O volante citou a comissão técnica, a família e a psicóloga do clube como parte da rede de apoio. Richard também destacou a importância do acompanhamento psicológico e do suporte dos pais. A presença de profissionais e familiares pode ajudar os atletas a lidar com a pressão, a exposição e a expectativa criada em torno de jovens apontados como promessas.
Esse aspecto ganha relevância porque convocações e elogios podem acelerar a atenção sobre jogadores que ainda estão em processo de formação. O suporte não substitui treino, avaliação técnica ou disciplina, mas contribui para que o atleta atravesse momentos de cobrança com mais equilíbrio. Richard resumiu o cuidado ao dizer que a confiança precisa caminhar junto com a consciência de que ainda há muito a aprender.
Os dois também mencionaram Fred como uma figura inspiradora ligada ao Fluminense. A identificação de ídolos com o clube, assim como as histórias de Marcelo e Martinelli, compõe um repertório próximo para os garotos: exemplos de dedicação, vínculo com a torcida e conquistas que permanecem na memória tricolor.
O Mundial pode ampliar a vitrine, mas a meta segue em Xerém
A disputa no Catar será uma oportunidade para Richard e Andrey defenderem a Seleção em um torneio de grande visibilidade. Para Richard, o desafio será combinar sua vocação ofensiva com as exigências defensivas da lateral. Para Andrey, a competição permitirá mostrar intensidade e capacidade de proteger o meio-campo diante de adversários de diferentes escolas.
O resultado coletivo do Brasil terá importância, mas o desempenho individual também será observado em aspectos que vão além de gols ou desarmes: tomada de decisão, posicionamento, reação após perder a bola e cumprimento das funções táticas. Esses indicadores ajudam a entender como cada atleta responde a um ambiente de pressão, sem transformar um único torneio em veredito definitivo sobre uma carreira.
Depois do Mundial, a rotina no Fluminense continuará no centro dos planos. Richard e Andrey querem converter a experiência internacional em evolução e manter vivo o objetivo de chegar ao profissional. A torcida poderá acompanhar a trajetória de cada um sem antecipar etapas: o primeiro grande passo é voltar a Xerém com aprendizado, seguir trabalhando e deixar que o desempenho sustente a oportunidade de vestir a camisa principal.
As referências de Marcelo e Martinelli mostram os caminhos que os dois admiram; o sonho de dividir o campo no Maracanã aponta para onde desejam chegar. A convocação para o Mundial sub-17 abre uma vitrine importante, mas a estreia tricolor dependerá do trabalho contínuo e das decisões do clube. Para Richard e Andrey, a meta é clara: transformar inspiração em evolução e conquistar espaço sem perder a identidade construída em Xerém.


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