Cruzeiro campeão da Libertadores, o time feminino foi recebido com festa por torcedores no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na manhã seguinte à conquista. Bandeiras, instrumentos, sinalizadores e gritos de comemoração marcaram a chegada das Cabulosas, que voltaram do Equador após vencer o Corinthians nos pênaltis e conquistar pela primeira vez o principal torneio sul-americano de clubes.
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Cruzeiro campeão da Libertadores: festa tomou conta de Confins
Por volta das 8h, a recepção já reunia cruzeirenses no aeroporto. A celebração foi além de uma saudação rápida: os torcedores cantaram, exibiram símbolos do clube e se aproximaram das atletas para comemorar um título inédito para a equipe feminina. A conquista no campo ganhou, assim, uma continuação pública na chegada a Belo Horizonte.
Um dos momentos de maior destaque envolveu Byanca Brasil. A atacante foi carregada pelos torcedores enquanto levantava o troféu, em uma cena que reuniu a artilheira da competição e a torcida em torno da taça. Ela encerrou a Libertadores com seis gols, marca que a colocou no topo da lista de goleadoras do torneio.
A festa também mostrou a dimensão simbólica do resultado para o clube. A equipe voltou para casa não apenas com uma taça, mas com a confirmação de uma campanha que terminou diante de um dos adversários mais fortes do futebol brasileiro. A recepção em Confins transformou a chegada das atletas em um encontro entre o elenco campeão e os torcedores que foram celebrar o feito.
O ambiente de festa no futebol mineiro também aparece em outras categorias, embora em contextos diferentes, como na disputa das semifinais do Mineiro Sub-13, com Atlético-MG e Cruzeiro pressionando seus rivais. No caso das Cabulosas, o foco agora é a celebração de uma conquista continental já definida, com repercussão que alcança a torcida e a estrutura do clube.
A virada contra o Corinthians definiu a conquista
O título foi decidido em uma final de roteiro incomum. O Cruzeiro chegou a estar perdendo por 3 a 0 para o Corinthians, mas reagiu e buscou o empate por 4 a 4 no tempo normal. A igualdade levou a decisão para as cobranças de pênaltis, etapa em que as cruzeirenses venceram por 5 a 4.
A sequência ajuda a explicar por que a comemoração foi tão intensa. A equipe precisou enfrentar uma desvantagem expressiva durante a partida e ainda encontrar força para igualar o placar aos 45 minutos do segundo tempo. O empate tardio manteve o clube vivo na disputa e transferiu a decisão para um momento de alta pressão, em que cada cobrança poderia alterar o desfecho.
O placar final de 4 a 4 também evidencia o caráter aberto da partida: foram oito gols antes da disputa por pênaltis. Isso não diminui o mérito de nenhuma das equipes, mas dá dimensão à reação do Cruzeiro e ao desafio de administrar uma final com tantas mudanças no marcador. A equipe mineira não resolveu a decisão no tempo regulamentar; conseguiu, porém, levar o confronto até a disputa que confirmou o título.
A decisão aconteceu no Estádio Rodrigo Paz Delgado, conhecido como Casa Blanca, em Quito, no Equador. Para o Cruzeiro, vencer fora do Brasil e superar o Corinthians em uma final continental ampliou o peso esportivo do resultado. A conquista não veio por uma sequência tranquila: foi construída em uma partida de recuperação e confirmada nos pênaltis.
Campanha das Cabulosas levou o clube à primeira taça
O caminho até o título começou com a liderança do Grupo C na fase de grupos. Depois, o Cruzeiro eliminou o Libertad nas quartas de final e o Olimpia na semifinal, antes de enfrentar o Corinthians na decisão. Essa trajetória reuniu três etapas de mata-mata após a classificação inicial e terminou com a equipe levantando o troféu em Quito.
O percurso é relevante porque mostra que a final não foi um episódio isolado. A equipe precisou avançar por diferentes fases e superar adversários até chegar à decisão. A vitória sobre o Corinthians encerrou essa sequência e garantiu ao clube sua primeira Libertadores Feminina, um marco que passa a integrar a história esportiva do Cruzeiro.
Em competições eliminatórias, o resultado de uma partida pode depender de momentos muito específicos: a resposta depois de sofrer gols, a capacidade de permanecer no confronto e a execução das cobranças decisivas. A final das Cabulosas reuniu os três elementos. O Cruzeiro teve de perseguir o placar, alcançar o empate no fim e, depois, converter sua oportunidade na disputa por pênaltis.
O desfecho também ajuda a compreender por que a vitória ganhou destaque para além da comemoração local. O Corinthians era o adversário da final e a taça estava em jogo em uma partida única. Assim como em outras decisões recentes do futebol nacional, em que uma semifinal permanece aberta até o confronto de volta, o duelo mostrou que a disputa pode seguir indefinida até os minutos finais — cenário acompanhado também na semifinal entre Vasco e Palmeiras, em outro torneio e com equipes diferentes.
Desfile e recepção na Toca ampliam a celebração
A programação do clube não se limitou ao aeroporto. As campeãs deveriam desfilar em carro aberto no trajeto entre a Toca da Raposa I e a sede do Cruzeiro, no Barro Preto. A agenda previa que a celebração percorresse espaços ligados à rotina e à história do clube, permitindo que mais torcedores acompanhassem a volta das atletas.
Na Toca da Raposa, o presidente da SAF, Pedro Lourenço, recebeu as jogadoras, abraçou integrantes do elenco e ficou com a taça. A recepção institucional completou a homenagem iniciada pelos torcedores em Confins. A sequência de atos — chegada, encontro com a torcida, desfile programado e recepção na estrutura do clube — deu à conquista um caráter coletivo, envolvendo atletas, dirigentes e cruzeirenses.
O desfile em carro aberto tem uma função diferente da recepção no aeroporto: aproxima o elenco de um público que pode acompanhar a celebração ao longo de um percurso pela cidade. Já o encontro na Toca reforça a ligação do título com o próprio clube. São formas distintas de marcar o mesmo resultado, sem alterar o dado central: a equipe voltou como campeã continental pela primeira vez.
Premiação reforça o impacto esportivo do título
Além do troféu, o Cruzeiro recebeu US$ 2 milhões pela conquista, valor informado como aproximadamente R$ 11 milhões. A premiação acrescenta um componente financeiro ao impacto esportivo da campanha. Ainda assim, o montante não deve ser confundido com uma estimativa de lucro líquido: o dado disponível se refere ao prêmio pelo primeiro lugar, sem detalhar custos, divisão interna ou destinação dos recursos.
Essa distinção é importante para avaliar a notícia com precisão. A taça representa o resultado esportivo, enquanto o prêmio é uma receita associada à colocação final. Sem informações sobre orçamento da campanha, despesas ou políticas de investimento do clube, não é possível concluir qual será o efeito financeiro líquido. O que está confirmado é que a vitória garantiu ao Cruzeiro o valor anunciado pela organização da competição.
Para as atletas e para a torcida, porém, a recepção em Belo Horizonte concentrou a dimensão mais visível da conquista. Byanca Brasil ergueu o troféu diante dos cruzeirenses, depois de terminar como artilheira com seis gols. O gesto reuniu um feito individual e a vitória coletiva, sem apagar o papel das demais jogadoras na reação que levou a final aos pênaltis.
A festa em Confins marcou o início das celebrações da volta, enquanto o desfile previsto e a recepção de Pedro Lourenço deram continuidade à homenagem. Depois de liderar o Grupo C, eliminar Libertad e Olimpia e vencer o Corinthians na decisão, o Cruzeiro transformou uma final dramática em seu primeiro título da Libertadores Feminina. A prioridade agora é reconhecer o elenco e preservar o valor histórico da conquista: foi em campo, com reação e decisão nos pênaltis, que as Cabulosas garantiram a taça celebrada em casa.

