Vasco respira contra Z-4 após vencer o Athletico-PR por 3 a 1, na Arena da Baixada, pela 34ª rodada do Brasileirão, na noite de quarta-feira. A equipe saiu atrás, mudou o comportamento no intervalo e encerrou um jejum de 19 anos sem triunfar no estádio paranaense. O resultado também amplia a margem sobre a zona de rebaixamento e chega antes da semifinal contra o Palmeiras.
Índice do Artigo
- Vasco respira contra Z-4 depois de uma virada construída no segundo tempo
- A troca no intervalo abriu caminhos para o Vasco
- Três zagueiros viram alternativa, mas a atuação deixou alertas
- Vasco respira contra Z-4, mas a disputa ainda exige atenção
- Palmeiras aparece no horizonte com a semifinal em aberto
Vasco respira contra Z-4 depois de uma virada construída no segundo tempo
A vitória teve peso em duas frentes. Na tabela, o Vasco alcançou 41 pontos e abriu quatro de vantagem para o Grêmio, primeiro clube dentro do Z-4. No aspecto esportivo, o resultado interrompeu uma sequência incômoda na Arena da Baixada e devolveu confiança ao elenco em um momento de calendário decisivo.
O placar, porém, não traduz um domínio vascaíno desde o início. Pedro Emanuel surpreendeu ao escalar a equipe com três zagueiros, formação que ainda não havia utilizado desde sua chegada. A escolha, feita para o duelo em Curitiba, deixou o time com uma estrutura diferente daquela baseada em pontas que vinha sendo mais comum nas últimas temporadas.
O primeiro tempo expôs dificuldades para ocupar o meio-campo e avançar com a bola. Sosa atuou como volante de proteção à frente da defesa, mas recebeu pressão do Athletico quando tentava participar da saída. Como a construção vascaína tinha poucas alternativas próximas, os donos da casa encontraram espaço para apertar a circulação e dificultar a progressão.
Foi nesse cenário que surgiu o gol de Mendoza. O colombiano recebeu longe da pressão, entre a linha de zagueiros e os volantes, e teve tempo para ajeitar o corpo antes de finalizar de fora da área. O lance evidenciou um problema de posicionamento: a distância entre os defensores e quem deveria proteger a entrada da área ficou grande o suficiente para permitir a conclusão.
A troca no intervalo abriu caminhos para o Vasco
Pedro Emanuel manteve os três zagueiros após o intervalo, mas retirou Sosa e colocou Colidio. A substituição alterou o equilíbrio da equipe sem abandonar a estrutura defensiva escolhida na escalação inicial. Com mais um jogador disponível à frente, o Vasco ganhou uma opção adicional de passe e melhorou a ocupação do setor central.
A mudança também teve impacto sobre Lescano. No primeiro tempo, o camisa 22 ficou isolado e participou pouco da criação. Depois do intervalo, encontrou mais espaço para receber e conduzir a bola da defesa ao ataque. Não marcou nem deu assistência, mas ajudou a conectar setores e a fazer a equipe avançar com maior frequência.
Essa diferença é relevante para entender a virada: o Vasco não precisou simplesmente empilhar atacantes ou abandonar a linha de três zagueiros. A equipe corrigiu a falta de apoio por dentro e passou a oferecer mais linhas de passe. Quando a bola chegava ao campo ofensivo, surgiam condições melhores para triangulações, ultrapassagens e cruzamentos.
O empate teve também um componente de acaso. Cuiabano, que fazia uma partida irregular até então, cruzou com força para a área, e Aguirre desviou contra o próprio gol. A igualdade mudou o ambiente do jogo: o Vasco ganhou impulso, enquanto a pressão das arquibancadas aumentou sobre o goleiro Mycael, criticado durante a partida.
Depois do empate, a equipe carioca aproveitou o momento para pressionar. Os outros dois gols nasceram de ações ofensivas mais trabalhadas. Puma Rodríguez avançou até a linha de fundo e cruzou para Bruno Duarte completar. Na sequência, Gabriel Pereira marcou de cabeça após cobrança de falta de Colidio, consolidando a vitória por 3 a 1.
Três zagueiros viram alternativa, mas a atuação deixou alertas
O resultado dá a Pedro Emanuel uma opção tática que pode ser útil em partidas nas quais o Vasco precise proteger a área e, ao mesmo tempo, encontrar caminhos pelo meio. A formação com três defensores não funcionou bem em todos os momentos, mas a resposta após o intervalo mostrou que ela pode ser ajustada com a presença de um jogador mais criativo à frente dos volantes.
Isso não significa que o esquema esteja pronto ou que a vitória tenha resolvido os problemas da equipe. O início lento, a dificuldade para construir jogadas e o espaço concedido a Mendoza são pontos que merecem atenção. Contra adversários capazes de pressionar a saída, a equipe terá de evitar que o primeiro passe fique previsível e que os setores se afastem.
Também será necessário avaliar o custo de manter três zagueiros em jogos nos quais o Vasco precise buscar o resultado. A estrutura pode dar segurança em determinados momentos, mas exige mobilidade dos alas e participação dos jogadores centrais na construção. Se o time ficar preso à proteção defensiva, corre o risco de repetir a baixa criatividade apresentada antes do intervalo.
A leitura do jogo, portanto, é mais específica do que a ideia de que uma mudança isolada resolveu tudo. A alteração para Colidio ajudou porque acrescentou uma opção entre as linhas e permitiu que Lescano deixasse de atuar tão distante dos companheiros. O desempenho do segundo tempo oferece uma pista para Pedro Emanuel, mas ainda precisa ser confirmado em outros cenários.
Vasco respira contra Z-4, mas a disputa ainda exige atenção
Com 41 pontos, o Vasco ganhou uma margem importante sobre o Grêmio, mas a distância de quatro pontos não encerra a luta contra o rebaixamento. A equipe ainda tem uma partida atrasada diante da Chapecoense, marcada para 14 de novembro, na Arena Condá. O compromisso pode alterar a situação na tabela, mas também aumenta a importância de manter regularidade nas rodadas restantes.
A disputa envolve outros clubes pressionados, e os resultados de concorrentes diretos interferem no tamanho da margem. O triunfo do Botafogo sobre o Atlético-MG, por exemplo, também teve efeito na briga para se afastar da parte inferior da classificação. Para o Vasco, cada ponto conquistado reduz a necessidade de depender de combinações de resultados, mas a conta só fica mais segura com sequência de desempenho.
O ganho imediato está na possibilidade de preparar o próximo compromisso sem o peso de uma sequência negativa. Além de encerrar o jejum na Baixada, a equipe mostrou capacidade de reagir depois de sofrer um gol e de transformar uma partida truncada em uma vitória por dois gols de diferença. Esse tipo de resposta pode ser importante para um elenco que ainda disputa objetivos diferentes no calendário.
Palmeiras aparece no horizonte com a semifinal em aberto
O próximo grande desafio é contra o Palmeiras, no domingo, pela semifinal da Copa do Brasil. O Vasco perdeu o jogo de ida por 1 a 0 e precisará buscar a virada em São Januário. A vitória sobre o Athletico não altera o placar agregado do confronto, mas oferece ao treinador uma equipe com moral recuperada e uma possível alternativa de formação para estudar.
O intervalo curto entre os compromissos exige escolhas cuidadosas. Pedro Emanuel terá de avaliar se mantém a linha de três zagueiros, se repete a entrada de Colidio desde o início ou se adapta a estrutura às características do adversário. A decisão passa pelo equilíbrio entre proteger a defesa e colocar jogadores suficientes perto da área para criar oportunidades.
O Palmeiras também chega a um duelo cercado de pressão competitiva, como mostra a disputa do Palmeiras contra o Remo em outra frente do calendário. Para o Vasco, o foco concreto é transformar o resultado em confiança sem confundir uma vitória expressiva com garantia de classificação. O gol sofrido no primeiro jogo torna indispensável uma atuação ofensiva, mas a equipe não pode oferecer espaços que facilitem contra-ataques.
A virada na Arena da Baixada entrega ao Vasco um resultado valioso, uma distância maior da zona de rebaixamento e uma alternativa tática que Pedro Emanuel pode explorar. O primeiro tempo mostrou os limites da formação; o segundo, os efeitos de acrescentar apoio ao meio-campo. Antes de encarar o Palmeiras, a prioridade é preservar essa capacidade de reação e corrigir a exposição entre defesa e volantes, sem perder a agressividade que decidiu a partida.


1 comentário
Pingback: Franca x Cruzeiro: horário e transmissão do NBB ao vivo