Às vésperas de mais um confronto decisivo entre Corinthians e Vasco, que desta vez duelam pelo título da Copa do Brasil, as memórias da única final entre os gigantes do futebol brasileiro vêm à tona. Em 14 de janeiro de 2000, Maracanã lotado, as equipes se enfrentaram pelo Mundial de Clubes. O empate sem gols levou a decisão para os pênaltis, onde o Corinthians se sagrou campeão, vencendo por 4 a 3, com o chute para fora de Edmundo sendo o lance derradeiro para o Vasco.
O Lance que ‘Assombra’ o Torcedor Vascaíno
Contudo, o desfecho daquela partida poderia ter sido completamente diferente, conforme relembra o ex-zagueiro Mauro Galvão em entrevista à ESPN. O defensor, peça fundamental do Vasco na época, trouxe à memória um lance que ainda hoje é motivo de lamento para a torcida cruzmaltina e que, segundo ele, poderia ter alterado o curso da história.
Aos 35 minutos do segundo tempo, com o placar ainda zerado, uma jogada crucial se desenrolou: Felipe lançou a bola para Edmundo, que se encaminhava para ficar cara a cara com o goleiro Dida. O que inicialmente foi assinalado como impedimento pela arbitragem, o replay da partida posteriormente revelou que Edmundo estava em posição legal, frustrando uma chance claríssima de gol para o Vasco.
“O jogo foi equilibrado, as duas equipes eram as melhores do Brasil. O que lembro é que foi muito equilibrado, difícil dizer que um foi melhor que o outro, tivemos situações importantes. Lembro que no jogo deram um impedimento do Edmundo em um lance que não tinha nada. Ele ia sair na cara do gol e foi dado o impedimento, que até hoje ninguém conseguiu explicar”, declarou Mauro Galvão, evidenciando a perplexidade com a decisão da arbitragem na época.
A Ausência do VAR e o Destino da Partida
A reflexão de Galvão sobre o lance se aprofunda ao considerar a tecnologia atualmente disponível no futebol. “Se tivesse o VAR, talvez… é que as coisas nem sempre são como a gente quer. Naquele momento não tinha, mas se fosse hoje, talvez tinha nos beneficiado. A gente não sabe. Uma coisa é ter um lance de impedimento que pode resultar em gol, e outra é se o gol ia sair”, ponderou o ex-zagueiro. Dada a qualidade técnica e o momento excepcional de Edmundo com a camisa do Vasco, a probabilidade de a jogada terminar em gol era altíssima.
Do Potencial Herói ao Vilão Inesperado
A interrupção da jogada pelo impedimento indevido privou Edmundo de uma chance de se tornar o grande herói da decisão. Pouco tempo depois, nos pênaltis, o destino o colocaria no papel de vilão, ao errar a última cobrança vascaína, já nas alternadas, contra Dida. Mauro Galvão revelou que Edmundo nunca se desculpou pelo ocorrido, mas ressaltou a compreensão sobre a dor do colega.
“Não é uma coisa muito usual no futebol um jogador pedir desculpas. Ninguém erra porque quer. Se quisesse pedir, podia até pedir, mas não vejo dessa forma. É o momento da pessoa ficar sozinha para entender o que aconteceu e as consequências de tudo, mas a vida continua, a gente não pode se abater”, explicou Galvão, humanizando a falha do camisa 10.
A Resiliência no Futebol Profissional
O ex-zagueiro aproveitou para refletir sobre a natureza do futebol e a importância da resiliência para os profissionais. “O Edmundo continuou a carreira dele, a vida dele, e nós a nossa. Todos os que passam por isso precisam entender. O futebol é muito importante para nós, mas temos que saber lidar com as emoções. Em momentos vão te abraçar, mas em outros ninguém vai querer te ver. Você vai ter o aplauso, mas a vaia também. E o profissional do futebol que não conseguiu entender isso, vai ter muita dificuldade na vida”, concluiu, oferecendo uma perspectiva valiosa sobre os altos e baixos da carreira de um atleta.
Agora, Vasco e Corinthians se preparam para uma nova decisão, com o primeiro jogo da Copa do Brasil marcado para esta quarta-feira (17) na Neo Química Arena, e a grande final no Maracanã quatro dias depois.

