O São Paulo Futebol Clube atravessa um dos períodos mais conturbados de sua história recente, com turbulências não apenas dentro de campo, mas, sobretudo, nos bastidores políticos. A gestão do presidente Julio Casares enfrenta uma rejeição crescente, alimentada por uma série de polêmicas que culminaram em um movimento articulado pela oposição para sua destituição.
Entre os episódios recentes que abalaram o clube, destacam-se problemas médicos envolvendo a utilização de canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil e denúncias de comercialização irregular de camarotes no Morumbis durante dias de shows. Essas controvérsias fragilizaram a posição de Casares, que antes era visto como ‘intocável’, e agora enfrenta forte pressão para renunciar.
Uma Gestão “Antidemocrática” e Concentrada
O grupo de conselheiros de oposição, intitulado ‘Movimento Salve o Tricolor Paulista’, protocolou um pedido de afastamento do presidente. Em entrevista à ESPN, o conselheiro Caio Forjaz criticou veementemente o modelo de gestão do São Paulo, classificando-o como ‘totalmente antidemocrático’. Segundo Forjaz, o estatuto do clube favorece a perpetuação de grupos no poder, e o São Paulo é atualmente ‘governado por quatro ou cinco pessoas’, sendo que uma delas sequer é conselheira, mas um empregado assalariado.
Forjaz defende a reforma estatutária para permitir o voto direto do sócio e a implementação do voto eletrônico, medidas que, segundo ele, descentralizariam o poder e dariam voz aos 20 milhões de torcedores. A experiência profissional do CEO também foi questionada, apontando-se que sua atuação se restringe ao clube social e que ele não teria capacidade para a presidência.
O Plano para a Destituição de Casares
Diante do cenário de crise e das acusações, a oposição vê na destituição de Julio Casares a única solução. Embora Casares tenha mais um ano de mandato, Caio Forjaz afirma que ‘não há mais clima e governabilidade’ para sua permanência. O conselheiro José Alexandre Medici chegou a pedir diretamente a renúncia do presidente, que, segundo relatos, se mostrou ‘muito abalado e sem condições emocionais’ em uma reunião recente.
O plano da oposição é seguir o estatuto do clube, que prevê a destituição do presidente mediante a convocação de uma reunião extraordinária. Para isso, são necessárias 50 assinaturas de conselheiros. Uma vez protocolado o pedido, o presidente do Conselho Deliberativo deve convocar a assembleia em até 30 dias. Caso não o faça, o vice-presidente tem um prazo para a convocação, com outras alternativas normativas previstas em caso de recusa.
Harry Massis Jr. na Sucessão e o Caminho da Reconstrução
Se a destituição de Casares for aprovada, o vice-presidente Harry Massis Júnior assumiria imediatamente a presidência. Massis é descrito como um empresário conceituado e renomado, que goza da confiança da oposição e é considerado capaz de gerir o clube. Após a transição, a decisão seria levada à Assembleia Geral do clube para ratificação.
A oposição, no entanto, ressalta que a troca de presidência é apenas o primeiro passo. Eles possuem um plano de contingenciamento e auditoria imediata, com o objetivo de resgatar o São Paulo em um prazo de dois a quatro anos. Isso implicaria em ‘remédio amargo’ para a torcida, com honestidade sobre a possibilidade de o time brigar no meio da tabela, reorganização política, redução de salários e a impossibilidade de contratações ‘mirabolantes’. A discussão sobre a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) não é prioridade no momento, focando-se primeiramente na apuração de irregularidades, investigação e punição dos responsáveis.
O Crescimento da Oposição e os Próximos Passos
O crescente poder da oposição foi evidenciado na recente votação do orçamento para a temporada 2026. A aprovação, que era vista como uma forma de fortalecer a gestão Casares, foi apertada: 112 votos a favor contra 107 votos contrários. Esse resultado demonstra que a oposição, antes enfraquecida, ganhou força significativa no cenário político do São Paulo. Os próximos capítulos prometem ser decisivos para o futuro do Tricolor Paulista, que vive um verdadeiro turbilhão nos bastidores.

