Inter vive ano de extremos: do título do Gauchão ao sufoco na luta contra a queda
Do auge estadual à pressão nacional, 2025 será lembrado como um ano de desafios e resiliência para o Colorado
O ano de 2025 foi marcado por emoções distintas para o torcedor do Internacional. Depois de quase uma década sem conquistar títulos, o clube voltou a celebrar a taça do Campeonato Gaúcho, quebrando um jejum de quase nove anos e impedindo o Grêmio de alcançar o octacampeonato consecutivo.
Conquista do Gauchão encerra longo jejum
Exatamente oito anos, dez meses e oito dias após a última vitória estadual, o Inter superou o Grêmio na final do Gauchão. O triunfo começou com uma vitória por 2 a 0 na Arena do rival, seguida por um empate em 1 a 1 no Beira-Rio, garantindo o título ao Colorado. Além de reafirmar a hegemonia estadual, a conquista teve um sabor especial ao protegê-lo de igualar um recorde que somente o clube possui: oito títulos seguidos entre 1969 e 1976.
Frustrações nas competições nacionais e internacionais
Apesar da alegria estadual, as expectativas para as outras competições do ano não foram atendidas. O desempenho do Inter no Campeonato Brasileiro foi preocupante, com o time terminando em situação delicada na tabela, lutando contra o rebaixamento até as últimas rodadas.
Nas copas, as eliminações foram dolorosas. Na Copa do Brasil, o Colorado foi eliminado nas oitavas de final pelo Fluminense, após derrota por 2 a 1 no Beira-Rio e empate em 1 a 1 no Maracanã. Já na Conmebol Libertadores, o Flamengo foi o algoz na mesma fase, vencendo os dois jogos – 1 a 0 no Maracanã e 2 a 0 no Beira-Rio.
Incidente do papel picado agrava crise no Beira-Rio
Um episódio emblemático ocorrido durante o segundo jogo contra o Flamengo na Libertadores causou grande repercussão: papéis picados caíram sobre o gramado do Beira-Rio, atrasando o início da partida por 21 minutos. A colisão entre festa e caos foi tamanha que a arbitragem uruguaia optou por não permitir o início do confronto enquanto a limpeza não fosse concluída. O Inter revelou posteriormente que a ação havia sido planejada, mas sofreu falhas na execução, resultando na demissão de dois funcionários.
Mudanças técnicas e luta por sobrevivência na Série A
A sequência ruim fez aumentar a pressão sobre o técnico Roger Machado, demitido após derrota no clássico Gre-Nal 448. Ramón Díaz e seu filho Emiliano assumiram, mas permaneceram por apenas 13 partidas, contribuindo para o clube permanecer no Z-4 e sofrer goleadas marcantes, como o 5 a 1 para o Vasco em São Januário.
Em meio a um momento crítico, um episódio curioso marcou o ambiente do clube: durante um jogo contra o Santos, a escolha musical nas caixas de som do Beira-Rio gerou desconforto ao tocar uma canção cuja letra remetia a “descer” — algo indesejado para um time ameaçado de queda.
Por fim, Abel Braga saiu da aposentadoria para assumir o comando nas duas últimas rodadas do Brasileirão. Apesar da derrota para o São Paulo na reestreia, vencendo o Bragantino e contando com tropeços de concorrentes, Abel conseguiu cumprir a meta e manteve o Inter na elite do futebol brasileiro, evitando um segundo rebaixamento na história do clube.
O ano, portanto, foi marcado por uma montanha-russa emocional: a euforia do título estadual contrastou fortemente com os momentos de instabilidade e ameaça na competição nacional, exigindo resiliência e união do clube e sua torcida.

