A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, realizada nesta segunda-feira (31), entrou para a história não apenas pelo seu centenário, mas por uma quebra de hegemonia que redefiniu o pódio das provas masculina e feminina. Pela primeira vez desde 2014, o Quênia, potência tradicional do atletismo de rua, não conquistou nenhuma vitória, abrindo espaço para o brilho da Tanzânia e da Etiópia. O Brasil, por sua vez, celebrou a conquista de dois pódios, reafirmando sua presença entre os destaques da competição.
Fim da Hegemonia Queniana
A surpresa começou na prova feminina, onde Sisilia Panga, da Tanzânia, demonstrou um desempenho impecável para cruzar a linha de chegada em 51 minutos e 9 segundos. Ela superou a queniana Cynthia Chemweno, que ficou com a segunda colocação. Entre os homens, a vitória foi ainda mais dramática: Muse Gizachew, da Etiópia, com o tempo de 44 minutos e 28 segundos, protagonizou uma emocionante ultrapassagem sobre o queniano Jonathan Kamosong nos metros finais da disputa, garantindo o ouro para seu país.
O resultado marca um ponto de virada significativo. O Quênia vinha de uma impressionante sequência de oito vitórias consecutivas na prova feminina e duas na masculina, consolidando sua posição como força dominante na São Silvestre. A edição de 2024 quebrou esse ciclo, evidenciando a crescente competitividade de outros países africanos no cenário do atletismo internacional.
A Emoção da Prova Masculina
A largada masculina foi intensa, com o queniano Wilson Maina tentando uma estratégia agressiva nos primeiros quilômetros, buscando distanciar-se do pelotão. Contudo, por volta do quinto quilômetro, Maina perdeu fôlego e foi alcançado por um grupo que incluía os quenianos Jonathan Kamosong e Reuben Poguisho, o tanzaniano Joseph Panga e o etíope Muse Gizachew, além do brasileiro Fábio Jesus. Kamosong assumiu a liderança próximo ao Theatro Municipal e manteve-se firme na ponta, inclusive na temida subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio.
Quando a vitória de Kamosong parecia certa, Muse Gizachew lançou um ataque final espetacular na Avenida Paulista. Com um sprint avassalador, o etíope superou o queniano nos últimos instantes, conquistando o título de campeão da 100ª São Silvestre em uma virada memorável. O brasileiro Fábio Jesus Correia demonstrou grande consistência, mantendo-se na terceira posição e garantindo um lugar no pódio.
O Domínio Feminino e o Brilho Brasileiro
Na disputa feminina, a prova começou equilibrada, com um trio de frente formado pela queniana Cynthia Chemweno, a tanzaniana Sisilia Panga e a brasileira Núbia de Oliveira. Após cerca de oito minutos de prova, Chemweno conseguiu abrir uma pequena vantagem, mas Panga manteve-se na sua cola. Pouco antes da metade do percurso, a tanzaniana executou uma ultrapassagem decisiva, assumindo a liderança e abrindo distância de suas concorrentes.
Sisilia Panga manteve o ritmo forte, chegando à Avenida Brigadeiro Luís Antônio já isolada na ponta e cruzando a linha de chegada na Avenida Paulista como a campeã incontestável. A performance de Núbia de Oliveira foi igualmente notável, garantindo a terceira posição e o pódio para o Brasil na prova feminina, ao lado de Fábio Jesus na masculina.

