A temporada de 2025 do Atlético-MG ficou marcada por sentimentos díspares e uma sensação de “filme repetido”. Enquanto confirmou a hegemonia no Campeonato Mineiro ao conquistar o hexacampeonato ao superar o América-MG na final, o clube viveu grandes desafios dentro e fora dos gramados, com troca de comando técnico, eliminação em competições importantes, ameaça de rebaixamento no Brasileirão e grave crise financeira.
Investimentos milionários e mudanças no comando
Após vender o meia Paulinho ao Palmeiras por cerca de R$ 100 milhões, o clube iniciou o ano com o retorno do técnico Cuca, além da contratação do executivo de futebol Paulo Bracks para fortalecer a gestão esportiva da SAF, que continuou sob responsabilidade de Victor Bagy como diretor. O Atlético investiu pesado para reforçar o ataque, gastando mais de R$ 100 milhões em três jogadores: Júnior Santos (R$ 48 milhões), Rony (R$ 38 milhões) e Cuello (R$ 36 milhões). Outros reforços foram incorporados ao elenco, incluindo Alexsander e Ivan Román, entre outros.
Instabilidade técnica e piora no desempenho
No entanto, o desempenho da equipe aos poucos se tornou instável. Apesar da classificação emblemática sobre o Flamengo na Copa do Brasil, a eliminação diante do Cruzeiro nas quartas de final do torneio azedou o clima no clube. Sob pressão da torcida, Cuca foi demitido e o argentino Jorge Sampaoli assumiu o comando técnico. No Campeonato Brasileiro, o Atlético teve uma campanha irregular e preocupante, terminando em 12º lugar e novamente fora da zona de classificação para a Libertadores, garantindo apenas vaga para a Sul-Americana.
Sonho internacional frustrado e crise financeira agravada
No torneio continental, o clube alcançou a final da Copa Sul-Americana, mas sofreu revés nos pênaltis para o Lanús, da Argentina, repetindo a amarga derrota sofrida na decisão de 2024. Fora das quatro linhas, o Atlético enfrentou uma crise financeira aguda, com atrasos em pagamentos a fornecedores, comissões, direitos de imagem e luvas a jogadores, além de dívidas com outros clubes. A dívida total do clube é estimada em cerca de R$ 2 bilhões. Durante o ano, houve cobranças públicas e até uma ação judicial feita pelo atacante Rony por atraso salarial, posteriormente resolvida com acordo.
Reestruturação e desafios para 2026
O clima de insatisfação culminou em protestos da torcida e em uma coletiva do acionista Rafael Menin, que classificou a temporada como “vexame completo” e prometeu mudanças. O clube contratou o novo CEO da SAF, Pedro Daniel, que assume sob o desafio de lidar com limitações financeiras e descarta reforços que estejam fora da realidade econômica. O departamento de futebol promoveu dispensas e deve reformular o elenco para a próxima temporada. O atacante Hulk, ídolo e principal referência do time, garantiu a permanência até o final de 2026. O lateral Renan Lodi já foi confirmado como reforço, enquanto Guilherme Arana negocia sua saída depois de longo ciclo no clube. O Atlético-MG busca se recuperar para resgatar a estabilidade técnica e financeira que a torcida tanto exige.

