A empresa Secasports, responsável pelo agenciamento do meia Yeferson Soteldo, surpreendeu ao declarar pobreza à Justiça de São Paulo em um processo que move contra o Santos Futebol Clube. A ação judicial busca reaver mais de R$ 4 milhões em valores que, segundo a agência, são devidos pelo clube praiano, principalmente relacionados à controversa transferência do jogador venezuelano para o Fluminense no ano passado.
A Alegação de Hipossuficiência Financeira
Em sua petição, a Secasports afirmou categoricamente não possuir condições financeiras para cobrir as custas, despesas processuais e honorários advocatícios necessários para o andamento do processo, sem que isso comprometa sua própria manutenção. Para comprovar a alegação, conhecida juridicamente como declaração de hipossuficiência, a empresa anexou recibos que indicam uma arrecadação de R$ 0 nos últimos meses. O advogado Anderson Real, ao explicar a situação à ESPN, esclareceu que tal declaração é, de fato, uma alegação de pobreza, indicando a incapacidade de arcar com os custos inerentes à batalha judicial.
O Cerne da Controvérsia: A Transferência de Soteldo e a Suposta Coação
O ponto central da briga judicial reside na negociação que culminou na ida de Soteldo ao Fluminense. A Secasports acusa o Santos de ter exercido coação, impondo a renúncia de dívidas anteriores como uma condição irredutível para liberar o atleta. Segundo a agência, já existia um débito de R$ 515 mil em discussão na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Além disso, o clube ainda detinha outra dívida, referente a parcelas pendentes de uma comissão original de R$ 3,8 milhões, que totalizava R$ 960 mil à época da negociação.
A oportunidade da transferência de Soteldo para o Fluminense teria sido, para a Secasports, um momento de extrema pressão. A empresa alega que o Santos exigiu a quitação plena e a renúncia de todos os créditos discutidos na CNRD, bem como dos valores remanescentes do distrato (os R$ 960 mil). A escolha imposta seria clara: ou a Secasports abria mão de seus créditos legítimos, ou o Santos não autorizaria a ida do jogador ao Fluminense, o que, conforme a agência, geraria um prejuízo ainda maior. Pressionada e em uma “posição de vulnerabilidade econômica”, a Secasports afirmou ter sido forçada a ceder.
Os Valores Cobrados e a Acusação de Má-fé
Mesmo após a suposta renúncia forçada, a Secasports alega que o Santos, demonstrando “má-fé”, descumpriu uma nova obrigação verbalmente acordada: o repasse de 5% do valor da transferência de Soteldo ao Fluminense. Diante deste cenário, a agência cobra do Santos o pagamento dos R$ 515 mil da CNRD, mais R$ 2,2 milhões referentes a intermediações passadas, os 5% da transferência de Soteldo ao Flu, além de danos morais, honorários e custas processuais. O montante total exigido, portanto, ultrapassa os R$ 4 milhões. Para garantir o pagamento do débito, a Secasports também solicitou o arresto de bens do clube.
A empresa argumenta que o negócio de Soteldo, vendido ao Fluminense em junho do ano passado por US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 30 milhões na cotação da época), foi utilizado pelo Santos como uma “isca e instrumento de pressão” para se livrar de dívidas antigas. A Secasports classifica o episódio como “coação”, afirmando ter sido compelida a realizar um negócio que, sob ameaça e em circunstâncias normais, jamais teria celebrado. O caso segue agora para análise da Justiça.

