O Águia de Marabá Futebol Clube divulgou nesta terça-feira (24) uma nota oficial reagindo à recente parceria anunciada entre o Governo do Estado do Pará e a mineradora Companhia Vale para a construção de dois centros de treinamento (CTs) voltados exclusivamente aos times Remo e Paysandu, localizados na Região Metropolitana de Belém. No documento assinado pelo presidente Sebastião Ferreira Neto, o clube do interior manifesta seu posicionamento contrário à exclusão das equipes fora da capital, classificando a iniciativa como injusta e um desrespeito ao futebol da região Sul e Sudeste do estado.
Desigualdade regional e importância do futebol paraense
O Águia reconhece que o esporte é fundamental para a cultura local e que o investimento em infraestrutura valoriza os atletas paraenses, porém aponta que a iniciativa falha ao ignorar clubes que, ao longo dos anos, vêm se firmando como protagonistas no futebol estadual. A nota destaca o fato de o clube ocupar atualmente a 67ª posição no Ranking Nacional de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), figurando como a terceira maior força do Pará.
Localização estratégica e cobrança à Vale e Governo
Ao enfatizar a localização estratégica do Águia, situado em uma das principais regiões mineradoras do Pará — Sul e Sudeste, onde a Vale opera suas maiores jazidas —, a nota questiona a ausência de retorno proporcional da empresa para a comunidade local. O clube lembra que, apesar dos impactos ambientais e sociais provocados pela atividade mineradora, não recebeu atenção da Vale para inclusão em políticas de incentivo fiscal.
O Águia de Marabá também apela ao Governo do Estado para que adote uma postura que efetivamente atue na redução das desigualdades regionais, apontando que o favorecimento de apenas clubes da capital contraria esse princípio essencial para o desenvolvimento equilibrado do futebol paraense.
Críticas às políticas de incentivo e apelo por reconsideração
Além da crítica ao foco restrito da parceria, o clube lembra que seus projetos sociais, que atendem crianças em situação de vulnerabilidade, não foram suficientes para sensibilizar a Vale em sua política de incentivos. O comunicado finaliza com um apelo ao Executivo estadual para revisar a decisão e sinaliza que o Águia buscará articulação política e mobilização popular para garantir maior representatividade e investimento no futebol do interior.

