Da defesa ao canteiro de obras: a nova vida de Anderson Martins
Anderson Martins, ex-zagueiro que vestiu as camisas de Vasco da Gama e Corinthians, clubes que decidem a Copa do Brasil neste domingo (24), encontrou um novo caminho após se aposentar dos gramados em 2022. Longe dos campos, mas presente no universo da construção civil, o jogador, que marcou época no futebol brasileiro, está no quarto período do curso de Engenharia Civil na Unifor e comanda a empresa KLS, sigla em homenagem aos seus três filhos: Keimuel, Samuel e Lemuel.
A decisão de se afastar dos gramados veio após uma série de lesões que limitaram seu desempenho. “Eu parei no CSA e tentei estudar futebol. Fiz alguns cursos da CBF, de gestão também, para tirar licença, mas nunca chegou a mim aquela vontade de trabalhar no futebol”, relata Anderson, que retornou para Fortaleza e decidiu investir nos estudos e nos negócios da família.
Um vascaíno de coração na torcida pela taça
Apesar de ter defendido o Corinthians em um breve período, a paixão de Anderson Martins pelo Vasco da Gama fala mais alto. Nascido em 21 de agosto, mesmo dia em que o clube carioca foi fundado, ele se declara vascaíno e nutre um sonho de infância realizado ao ter jogado pelo clube que torcia.
“Eu costumo falar para a minha família, até para os meus filhos que o papai foi muito feliz de ter realizado um sonho de criança. Porque eu sou vascaíno, como todos sabem. E ter a oportunidade de jogar no Vasco… eu me vi ali como um torcedor dentro de campo. Consegui ter uma boa passagem nas vezes que estive ali defendendo. E, realmente, eu defendi as cores do Vasco de coração mesmo. Eu estava ali como um representante da torcida. Foi uma experiência bacana que eu vou levar para o resto da minha vida”, confessa.
Com a expectativa de assistir à final no Maracanã, Anderson demonstra confiança no time carioca, mas reconhece a força do Corinthians: “Achei que o Vasco jogou bem. Achei que o Vasco, por jogar fora de casa, teve uma boa postura. Eu acho que os torcedores estão bem confiantes para esse jogo da final. Mas acho que está em aberto ainda. São duas grandes equipes, de grandes torcidas. Eu tive, graças a Deus, a oportunidade de jogar nesses dois clubes. Eu sei do que representam para o futebol brasileiro. Mas a minha torcida é de que o Vasco consiga esse título tão importante, tão esperado pela torcida. Acho que a torcida, com certeza, merece esse título.”
Da base à dura realidade das lesões: uma carreira marcada por superação
A trajetória de Anderson Martins no futebol começou cedo, aos 11 anos, quando deixou Fortaleza para integrar as categorias de base do Vitória. Lá, dividiu o vestiário com futuros craques como David Luiz, Hulk e Marcelo Moreno. No entanto, a carreira promissora foi marcada por lesões graves, que o acompanharam desde o início.
“Tive uma lesão muito séria ainda no Vitória. Quase eu fico sem jogar futebol. Foi em 2006, se não me engano. Tive uma lesão grave que foi por causa dela que a minha carreira encurtou. Infelizmente no futebol nós temos que tomar decisões. Não só no futebol, como na vida. E, às vezes, pelo calor da emoção, o torcedor não entende algumas escolhas. Mas a minha decisão de ir para o Catar, de também ter escolhido ir para o São Paulo, é porque a vida do atleta é uma carreira curta. Eu tinha muitos problemas físicos”, explica.
Anderson revela que jogou com dor por muito tempo e que ainda sente as sequelas das lesões. “Muito, muito, por muito tempo. Até hoje eu sinto as sequelas dessas minhas lesões. Muita infiltração. Muitos problemas musculares por conta desses problemas que eu tive no joelho. E são as coisas que nós carregamos quando estamos atuando no futebol. Mas não me arrependo. Foram momentos felizes. Graças a Deus eu tive a oportunidade de jogar nesses clubes e sempre procurei dar o meu melhor. E sou muito grato pela carreira que eu consegui construir.”
Expectativa e esperança para um novo ciclo de conquistas
Apesar de ter encerrado a carreira, Anderson Martins acompanha de perto o momento atual do Vasco e demonstra otimismo com a gestão do clube, liderada por Pedrinho. Ele relembra a atmosfera de 2011, quando o time quebrou um longo jejum de títulos ao vencer a Copa do Brasil, e projeta um futuro de glórias para o Cruz-Maltino.
“A gente fica na expectativa porque sabe do anseio da torcida. Sabe do que o Vasco representa para o futebol brasileiro. E a gente sabe também da seriedade que o Pedrinho encara, o amor que ele tem pelo clube. Largou tudo para reconstruir o clube. Tomando, às vezes, muita pancada. A gente sabe que não é fácil isso. Às vezes, quando o resultado não vem, as pessoas se aproveitam dos momentos ruins para falar mal do trabalho. Mas a gente sabe que ele é sério. Porque a gente conhece as pessoas que estão ali. Eu acho que estou com o mesmo sentimento de quando eu estava lá em 2011. Não vejo a hora que o jogo acabe, que a torcida consiga comemorar esse título. Vai ser como se eu estivesse jogando. Na verdade, a gente vai estar jogando junto. Torcendo junto.”

