O Corinthians encerrou um ano de turbulência com a celebração de dois títulos – o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, este último conquistado sobre o Vasco. Para o zagueiro André Ramalho, um dos pilares desse sucesso em meio à instabilidade fora das quatro linhas, o nome por trás da resiliência corintiana é Fabinho Soldado, executivo de futebol que tem futuro indefinido no clube.
Em participação no programa Equipe F, nesta segunda-feira (22), Ramalho fez um forte apelo pela permanência de Soldado, cujo contrato vai até o fim de 2026, mas que terá uma reunião decisiva com o presidente Osmar Stábile para definir sua continuidade. “O Fabinho é uma peça-chave nesse processo, que a gente espera e torce muito e o que a gente puder fazer de alguma forma para poder ajudar para que ele fique. Claro que começa por ele, tem os projetos pessoais dele, que aí é com ele. Mas, se depender da nossa força, da nossa voz, tenho certeza que todo time deseja a permanência dele porque ele é peça-chave nesse processo”, declarou o zagueiro.
Ramalho enfatizou a importância de ter no clube pessoas que realmente se importam: “E, mais uma vez, para que o clube, de fato, fique pessoas que querem o bem do clube, que sejam verdadeiramente corintianos, que desejem o melhor para o clube. E o melhor para o clube não é só torcer a favor, mas fazerem ações internas que contribuam para o crescimento do clube”.
Um Ano de Crises Sem Precedentes
O zagueiro também relembrou o ano extremamente conturbado vivido pelo Corinthians. A temporada foi marcada por eventos inéditos e polêmicos, como o impeachment de Augusto Melo, a eleição de Osmar Stábile, e as denúncias do Ministério Público contra os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves por apropriação indébita e outros crimes, somando-se a uma grave crise financeira que assola o Parque São Jorge.
Ramalho, que construiu sua carreira na Europa, confessou sua surpresa com a dinâmica do futebol brasileiro. “Para vocês terem uma noção, eu nunca tinha presenciado uma troca de treinador no meio de temporada. Todos os clubes que passei, no tempo que passei, se houve troca de treinador foi na virada da temporada. Então, eu nem sabia o que era isso, que é algo totalmente normal no Brasil. Uma coisa que é tão natural no Brasil, eu não tinha vivenciado na carreira”, afirmou. Ele também citou o impeachment como algo nunca antes visto na história do Corinthians, destacando como as polêmicas, algumas criadas e outras naturais, acabam inevitavelmente atrapalhando o ambiente do clube.
A Potência do Corinthians e o Chamado à Organização
Apesar de toda a instabilidade, o Corinthians conseguiu conquistar dois títulos em 2024, um feito que André Ramalho usa para ilustrar o imenso potencial do clube. “Assim, do jeito que está, essa situação que todo mundo está vendo, a gente conseguiu já conquistar dois títulos esse ano. Imagine se esse clube, de uma forma geral, se organizar, a potência que pode ser”, ponderou.
O zagueiro defende que a organização interna é o caminho para o Timão atingir outro patamar. “Esse clube é uma potência absurda e, uma vez que esteja tudo alinhado, a tendência é só subir e crescer ainda mais. Esse clube pode arrecadar muito mais renda do que já arrecada. Porque, obviamente, um clube estruturado e organizado atrai mais patrocínio, atrai mais dinheiro, valoriza a marca Corinthians e, além disso, pode formar grandes elencos, o que, automaticamente, você acaba brigando um pouco mais em todas as competições. Então, uma coisa leva a outra, um ciclo vicioso. É isso que a gente deseja”, concluiu Ramalho, expressando o anseio por um Corinthians mais estruturado e vitorioso.

