Carlo Ancelotti, o aguardado técnico que buscará o hexacampeonato mundial para a Seleção Brasileira em 2026, teve sua chegada à equipe canarinho por pouco não frustrada por um evento inusitado: um “apagão” de internet na Europa. A falha de conexão ocorreu justamente no dia crucial em que o treinador italiano deveria assinar seu contrato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A surpreendente história foi revelada pelo empresário Diego Fernandes, que atuou como intermediário no acordo, em entrevista ao jornal inglês “Daily Mail”. Apesar de sua participação fundamental, Fernandes não recebeu a comissão prometida, uma vez que não possuía a licença da FIFA para atuar como agente de futebol.
O Dia do Apagão e o Acordo Ameaçado
“No dia em que conversei com Carlo sobre os detalhes do contrato, houve uma falha na internet em Portugal e na Espanha”, contou Fernandes. Ele descreveu o cenário caótico: “Houve um apagão. Os advogados de Carlo estavam em Madri, e Carlo e eu estávamos em Londres. Passamos o dia todo sem conseguir a assinatura.” O episódio gerou grande tensão: “Não foi um bom dia. Em uma hora, tudo mudou. O telefone dele não parava de tocar”, complementou o empresário, que contava com a confiança do então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, posteriormente destituído.
Bastidores da Negociação: O Papel de Davide e Zico
Antes do fatídico dia do apagão e da confirmação de Ancelotti como técnico em 12 de maio, outras figuras foram cruciais para a concretização do negócio. Davide Ancelotti, filho de Carlo, e o ídolo brasileiro Zico tiveram papéis importantes na aproximação.
Fernandes fez a primeira ponte com Davide, que concordou em apresentar o advogado ao pai. Foi a partir daí que as negociações com o veterano treinador, que ainda comandava o Real Madrid e tinha um ano restante de contrato, tiveram início.
“As pessoas adoram o Zico no Brasil. Ele jogou contra o Carlo no Campeonato Italiano. Jogou naquela partida linda contra a Itália em 1982. Eu sabia que as palavras dele poderiam proteger o Carlo e ajudar no meu plano de torná-lo nosso próximo técnico”, explicou o empresário. Zico esteve presente com Fernandes em um jantar na casa de Ancelotti, em Madri, um encontro decisivo.
Curiosamente, as lembranças de Ancelotti sobre Zico em campo não eram as melhores. “Quando Carlo era um jovem jogador da Roma, seu treinador lhe disse: ‘Carlo, amanhã você jogará contra a Udinese e o Zico’. Carlo me disse que não dormiu a noite toda. Ele disse: ‘Mas durante 85 minutos, fiquei marcando-o individualmente. Fui o melhor em campo. Então, em um segundo, o perdi de vista. Ele dominou a bola no peito e fez o gol da vitória’. Era isso que Zico conseguia fazer, em apenas um segundo”, recordou Fernandes, ilustrando o impacto do Galinho.
A Batalha Contra as Ofertas Milionárias
A negociação com Ancelotti não foi simples, especialmente devido à forte concorrência. “Carlo estava recebendo muitas ofertas, inclusive da Arábia Saudita. Isso me causou muito estresse, porque a Arábia Saudita tem muito dinheiro”, lembrou Fernandes, destacando o desafio de competir com propostas financeiramente robustas.
O Futuro de Ancelotti na Seleção
Atualmente, Carlo Ancelotti tem contrato para dirigir a Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2026. No entanto, a ESPN revelou que já existem conversas entre o técnico e a CBF para prolongar o vínculo por mais um ciclo de Mundial, sinalizando uma possível permanência a longo prazo.

