Atleta com tornozeleira eletrônica revela desafios e esperança ao jogar futebol profissional no Brasil
Yuri de Carvalho, ex-prisioneiro, comenta a rotina e as dificuldades de atuar com monitoramento eletrônico
Yuri de Carvalho, meia-atacante do Goytacaz, tem chamado a atenção ao atuar na final da Série B2 do Campeonato Carioca usando uma tornozeleira eletrônica. Ainda cumprindo parte de sua sentença por tráfico de drogas, o jogador relataram os desafios de jogar com o aparelho de monitoramento preso ao tornozelo esquerdo, disfarçado pelo meião do uniforme.
Desafios do jogador durante a rotina profissional
Desde o início da competição, Yuri tem atuado com o dispositivo, que o acompanha constantemente para garantir o cumprimento das regras de liberdade condicional. Em entrevista ao ge, ele afirmou que o incômodo causado pela tornozeleira é significativo, mas que o sonho de retornar ao futebol profissional supera essas dificuldades.
“Atrapalha bastante, incomoda, mas o desejo de jogar de novo é maior do que qualquer desconforto”, disse o atleta. Mesmo após passar sete anos e cinco meses preso, Yuri conseguiu manter a forma física na cadeia, aproveitando momentos ao ar livre e praticando atividades físicas sempre que possível.
Histórico de reabilitação e apoio do clube
Reconhecido em maio pela Justiça pela progressão de regime, Yuri voltou para casa e agora busca consolidar sua carreira no futebol. O ex-jogador Ricardo Bóvio, atual diretor de futebol do Goytacaz, teve papel fundamental na contratação, apostando na ressignificação do jovem atleta.
Bóvio destacou que o jogador demonstra arrependimento e vontade de recuperar o tempo perdido. Ele reforçou que o clube valoriza a inclusão social e a oportunidade de dar uma nova chance a ex-presidiários, exemplificando o compromisso do Goytacaz com a diversidade e a transformação social através do esporte.
Repercussão e posicionamento oficial
Após a repercussão do caso, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) garantiu que não há impedimentos legais para Yuri atuar, apoiando a iniciativa do clube e reforçando a importância de oportunidades de reintegração social. O Goytacaz também emitiu um comunicado oficial, defendendo que a atuação do atleta não apresenta irregularidades e que a inclusão de ex-presidiários é uma prática alinhada aos princípios do clube.
Este caso serve de exemplo sobre como o esporte pode ser uma ferramenta poderosa na ressocialização e na luta contra o preconceito, promovendo mudanças sociais significativas e desafiando estigmas relacionados à criminalidade e inclusão social no Brasil.

