Aurelie Le Vern: Uma Conexão Profunda com o Brasil e o Desafio do Idioma Português
A Campeã do UFC BJJ, Aurelie Le Vern comenta sua relação com o Brasil e a língua portuguesa de forma inspiradora. A lutadora francesa, que recentemente fez história ao se tornar a primeira campeã peso-pena do prestigiado torneio UFC BJJ, compartilhou detalhes de sua jornada em uma participação especial no podcast Mundo da Luta. Em um bate-papo franco com as apresentadoras Ana Hissa, Beatriz Figliuolo e Vitória Lemos, Le Vern revelou como o Brasil e a cultura brasileira se tornaram pilares em sua carreira e vida pessoal, incluindo o aprendizado e a fluência na língua portuguesa.
Aos 34 anos, Aurelie Le Vern ostenta o cinturão peso-pena e se prepara para defendê-lo em 2 de abril contra a brasileira Rebeca Lima. A luta promete ser um espetáculo, com transmissão ao vivo pelo Combate a partir das 21h (horário de Brasília). Mas antes de focar nos desafios dentro do octógono, a atleta revisitou suas origens no jiu-jítsu e os primeiros passos para se conectar com a língua que hoje domina.
Do Magistério ao Tatame: O Inesperado Caminho de Aurelie Le Vern
Com formação em educação física, o plano inicial de Aurelie Le Vern era aplicar seus conhecimentos em uma escola na França. No entanto, o destino a levou para um caminho diferente, com um primeiro contato significativo com o jiu-jítsu na Guiana Francesa. Foi nesse período que ela iniciou sua convivência com atletas brasileiros, um encontro que mudaria sua trajetória profissional e pessoal.
A proximidade com a comunidade brasileira foi fundamental. O marido e treinador de Aurelie, Tyrone Gonsalves, tem raízes profundas no Brasil, com pais nascidos em Belém e Manaus, embora tenha crescido na Guiana Francesa desde os dois anos de idade. Essa conexão familiar foi o portal para que Aurelie entrasse em contato com um universo onde o jiu-jítsu não era apenas um esporte, mas uma forma de vida.
“Eu encontrei a comunidade brasileira fora do Brasil”, explicou Le Vern. “Porque o Tyrone Gonsalves, que é meu marido e treinador, ele nasceu em Belém e a mãe dele é de Manaus, mas ele cresceu desde os dois anos de idade na Guiana Francesa. No meu primeiro camp, ainda na faixa branca, eu fui para os Estados Unidos e a gente foi para a academia da Letícia Ribeiro.”
Essa imersão inicial em um ambiente predominantemente brasileiro, mesmo longe do território nacional, proporcionou a Aurelie uma visão clara do potencial do jiu-jítsu como profissão. Ela observou como muitos brasileiros conseguiam sustentar suas carreiras através de competições e aulas, e se encantou com a hospitalidade e o “jeito do brasileiro de ser acolhedor”. Essa percepção positiva foi um gatilho importante para seu desenvolvimento como lutadora e para a construção de sua relação com o país.
O Desafio da Comunicação: Aprender Português para Prosperar
Apesar de sua paixão crescente pelo jiu-jítsu e pela cultura brasileira, a barreira linguística representava um obstáculo considerável. Com o francês como língua materna, a comunicação inicial com alguns brasileiros era desafiadora. Contudo, a conquista de um título mundial na faixa azul e o encorajamento do renomado sensei Saulo Ribeiro foram catalisadores para que Aurelie decidisse mergulhar de vez no aprendizado do português.
“No primeiro ano eu não entendia nada que os amigos do Tyrone estavam falando”, relembrou Aurelie. A virada de chave ocorreu após um momento marcante com o sensei Saulo Ribeiro. “Depois de ganhar o meu primeiro título da IBJJF na faixa azul, o sensei Saulo Ribeiro estava lá e ele me falou ‘você está feita para isso’. Aquilo me tocou e entrou no meu coração.”
A determinação de Aurelie em dominar o idioma foi posta à prova em uma ocasião especial. “Depois da conquista da medalha de ouro, o sansei pagou um jantar para gente e ele só falava português com o Tyrone, e eu sempre perguntava para o Tyrone o que ele tinha falado, porque eu não estava entendendo.” A resposta do sensei foi direta e motivadora: “Ele me olhou e me falou: ‘Não pede mais para o Tyrone traduzir o que eu estou falando. Você vai aprender português’. E eu respondi ‘sansei, eu não vou mais perguntar’ (risos)”, contou, evidenciando seu comprometimento e a importância desse incentivo.
A Campeã do UFC BJJ, Aurelie Le Vern comenta sua relação com o Brasil e a língua portuguesa: Um Legado de Superação
A jornada de Aurelie Le Vern no jiu-jítsu é um testemunho de dedicação e resiliência. Sua ascensão ao posto de campeã do UFC BJJ não é apenas uma conquista esportiva, mas também a materialização de um sonho moldado por influências culturais e pessoais. A relação que ela construiu com o Brasil, desde os primeiros contatos na Guiana Francesa até a fluência no idioma, demonstra a força dos laços humanos e o poder transformador do esporte.
A atleta, que agora defende o cinturão peso-pena, representa um exemplo para muitos que buscam superar barreiras, sejam elas físicas, geográficas ou linguísticas. Sua história, contada em detalhes no podcast Mundo da Luta, oferece uma perspectiva única sobre a influência da cultura brasileira no cenário internacional do jiu-jítsu e como a superação de desafios pessoais pode impulsionar carreiras de sucesso. Para quem acompanha o universo das lutas, a trajetória de Aurelie Le Vern é uma fonte de inspiração, mostrando que com paixão e determinação, é possível conquistar o mundo, um golpe e uma palavra de cada vez.
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Aproveite para ouvir o episódio completo do podcast Mundo da Luta, onde a Campeã do UFC BJJ, Aurelie Le Vern comenta sua relação com o Brasil e a língua portuguesa, e descubra mais detalhes sobre sua impressionante carreira.


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