A Origem do Apelido Inusitado
No cenário do Campeonato Gaúcho, o Estádio Presidente Vargas, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, ostenta um apelido que foge do comum: a “Baixada Melancólica”. Inaugurado em 1947, o palco de jogos do Inter-SM carrega essa denominação peculiar que, para muitos, evoca uma sensação de tristeza, em contraste com a euforia usual do futebol. A origem do apelido, embora não oficialmente registrada, é popularmente associada à sua localização estratégica, a pouco mais de uma quadra do Cemitério Ecumênico Municipal.
História e Especulações por Trás do Nome
O historiador Leonardo Botega, professor da UFSM e torcedor do Inter-SM, aponta que a expressão “Baixada Melancólica” já era utilizada pela comunidade antes mesmo da inauguração do estádio. Uma reportagem do jornal A Razão, de agosto de 1947, menciona o termo em referência a uma partida entre Inter e Riograndense, clube que não existe mais desde 2017. Botega sugere duas hipóteses para o apelido: a proximidade com o cemitério e a descida da Avenida Liberdade, ou uma possível oposição política ao governo de Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil que dá nome ao estádio e que, na época, pertencia ao grupo de oposição dos Diários Associados.
A “Baixada Melancólica” em Campo
Apesar do nome, a “Baixada Melancólica” já foi palco de momentos de grande alegria e vitórias para o Inter-SM. O torcedor Odinei Kieling, que frequenta o estádio desde 1997, relembra gols importantes marcados no lado que dá para o cemitério, carinhosamente chamado de “gol do cemitério”. O clube retornou à elite do Campeonato Gaúcho em 2026, após 14 anos na Divisão de Acesso, com um vice-campeonato emocionante. No entanto, a atual temporada de 2024 tem sido desafiadora, com a equipe lutando contra o rebaixamento no “quadrangular da morte”.
Glórias Passadas e o Legado do Jornal A Razão
O futebol de Santa Maria possui um passado glorioso, e o extinto jornal A Razão foi o principal guardião dessa história. Em 1982, o periódico estampou em sua capa a manchete “A maior vitória do futebol de Santa Maria”, referindo-se ao triunfo por 3 a 0 sobre o Vasco da Gama na Taça de Ouro. A partida, que contou com craques como Roberto Dinamite, foi considerada uma “vingança” pela goleada sofrida no primeiro turno. O Inter-SM, que já disputou a primeira divisão nacional, guarda em sua memória esses e outros momentos marcantes, que ecoam na “Baixada Melancólica”, um nome que, apesar de tudo, se tornou parte indissociável da identidade do clube e de sua história no futebol gaúcho.

