O goleiro brasileiro Bento, figura frequente nas convocações da Seleção Brasileira para os compromissos de 2026, compartilhou detalhes de um período turbulento em sua carreira no Al-Nassr. Longe de ser o titular absoluto que é hoje, o arqueiro enfrentou um ostracismo sob o comando do técnico português Jorge Jesus, chegando a ter planos concretos de deixar o clube saudita.
O Período Sombrio e a Incerteza no Gol
Entre o final de setembro de 2026 e meados de janeiro de 2026, Bento viu seu nome ser preterido em praticamente todas as escalações do Campeonato Saudita. Durante aproximadamente três meses e meio, o goleiro participou de apenas cinco partidas, todas em competições de menor expressão. Essa falta de minutos em campo gerou grande apreensão, especialmente considerando sua importância para o elenco da Seleção Brasileira. A sequência de jogos era crucial para manter sua posição e confiança.
“A primeira vez que ele (Jorge Jesus) me deixou de fora, me falou que era um jogo mais fácil, queria um time mais ofensivo, e o Ângelo, teoricamente, entrou no meu lugar de estrangeiro. Cada jogo só pode ter oito estrangeiros e aqui no clube a gente tem dez. Aí depois ele foi me deixando de fora de novo. Ele me levava às vezes para as viagens e me cortava. E isso foi me incomodando”, revelou Bento em entrevista exclusiva.
A Quase Transferência para o Genoa e a Comunicação com Taffarel
Diante da perspectiva de perder espaço e comprometer seu futuro na Seleção, Bento buscou soluções. A possibilidade de uma transferência para o futebol europeu se tornou uma prioridade. O goleiro chegou a ter negociações avançadas com o Genoa, da Itália, um clube tradicional que representava uma vitrine importante para sua carreira. A tratativa estava tão encaminhada que o jogador já se preparava para a mudança.
“Eu mantinha contato com o Taffarel, preparador de goleiros da Seleção, explicando a situação e a falta de regularidade. Ao mesmo tempo, buscava entender as razões de Jorge Jesus. Perguntava a ele o que estava acontecendo. Eu respeitava a decisão dele, mas não era uma disputa justa, porque eu não disputava a vaga de goleiro em si, eu disputava a vaga de estrangeiro. Eu queria uma explicação mais clara do que ele pensava. Em nenhum momento ele falou: ‘Estou te barrando por questão técnica’. Foi realmente por opção tática”, explicou o goleiro.
Bento detalhou ainda que, durante esse período, chegou a conversar com clubes europeus, embora seu desejo fosse por uma transferência para a Europa. “A gente conversou com alguns clubes, mas as coisas não andaram, e no final tinha o Genoa. Eu praticamente me ofereci para jogar lá”, confidenciou.
A Reviravolta que Mudou Tudo
O ponto de virada na carreira de Bento no Al-Nassr ocorreu de forma dramática e inesperada. O goleiro já tinha um acordo com o Genoa, com suas malas prontas para a viagem. Contudo, um evento durante um clássico contra o Al-Hilal alterou completamente o rumo dos acontecimentos.
O goleiro titular na ocasião, o saudita Alaqidi, foi expulso. Esse cartão vermelho, recebido a poucos minutos do fim da partida, acendeu uma luz de esperança para Bento. A expulsão abriu uma brecha inesperada na escalação e, consequentemente, nas negociações para sua saída.
“Eu estava assistindo ao jogo em casa e, na hora em que acabasse, eu viajaria. Quando deu a expulsão no goleiro, cinco minutos depois o meu empresário encaminhou a mensagem do dirigente do clube”, relembrou Bento, indicando a rapidez com que a situação se desenrolou.
A Chance Recuperada e o Status Atual
A partir desse incidente, a perspectiva para Bento no Al-Nassr mudou drasticamente. Com a suspensão de Alaqidi e a necessidade de preencher a lacuna de estrangeiro, Jorge Jesus reconsiderou a posição do brasileiro. Bento aproveitou a oportunidade com unhas e dentes, demonstrando seu valor e conquistando a confiança da comissão técnica.
Hoje, Bento não só recuperou seu posto como titular absoluto, mas também se tornou uma peça fundamental na campanha vitoriosa do Al-Nassr no Campeonato Saudita de 2026. Sua resiliência e capacidade de superar adversidades o colocaram novamente no centro das atenções, tanto em seu clube quanto na Seleção Brasileira, consolidando sua trajetória como um dos goleiros em destaque no cenário internacional.
O Papel de Jorge Jesus e a Competição por Vagas Estrangeiras
A experiência de Bento com Jorge Jesus evidencia a complexidade da gestão de elencos com um número limitado de vagas para jogadores estrangeiros. No Al-Nassr, com dez atletas de fora da Arábia Saudita, a disputa por esses postos se torna acirrada e, por vezes, baseada em decisões táticas que vão além da performance individual do goleiro.
“Eu comentava com Taffarel da possibilidade de eu sair na janela de inverno do futebol europeu e asiático. O Jorge Jesus não queria me liberar. O Sadio (Mané) estava na Copa Africana, então, teoricamente, tinha aberto uma vaga de estrangeiro, e mesmo assim eu ficava no banco. De tanto conversar, consegui convencer e ele acabou me liberando”, detalhou Bento, mostrando a persistência necessária para reverter a situação.
Apesar da frustração inicial, Bento conseguiu transformar um momento de incerteza em uma oportunidade de reafirmação. Sua história serve de inspiração para outros atletas que enfrentam desafios semelhantes, demonstrando que a persistência e a busca por clareza podem levar a reviravoltas positivas na carreira.

