O Botafogo se prepara para sua estreia na Copa Libertadores da América, um desafio que promete ser árduo desde o primeiro instante. Na próxima quarta-feira, o Glorioso desembarca em Potosí, na Bolívia, para encarar o Nacional Potosí em um cenário extremo: a quase 4 mil metros de altitude. A campanha de 2024, que culminou em eliminação nas oitavas, ficou para trás, e agora o clube deposita suas esperanças na expertise de seu novo comandante, Martín Anselmi, um nome que já demonstrou saber navegar por águas turbulentas e altitudes elevadas no futebol sul-americano.
A Chegada de um Estrategista do Continente
A contratação de Martín Anselmi pela SAF do Botafogo marcou um momento significativo: o primeiro técnico estrangeiro a assumir o comando do clube sob a nova gestão. Aos 40 anos, o argentino, embora com uma trajetória recente como treinador, carrega em seu currículo conquistas de peso que ressaltam sua capacidade tática e adaptabilidade.
Sob seu comando, o Independiente del Valle, do Equador, ergueu a taça da Copa Sul-Americana em 2022, de forma invicta, um feito notável que demonstrou a força e a organização da equipe. Foram sete vitórias e três empates, com um ataque prolífico que marcou 17 gols e uma defesa sólida que sofreu apenas três. Essa conquista garantiu ao Del Valle o direito de disputar a Recopa Sul-Americana em 2023, onde, em uma partida memorável, superou o Flamengo no Maracanã.
Um Histórico que Inspira Confiança na Lida com a Altitude
A experiência de Anselmi em lidar com as peculiaridades do futebol equatoriano, especialmente os jogos em altitudes elevadas, é vista como um trunfo valioso para o Botafogo. A cidade de Quito, onde o treinador teve sua base de operações, está situada a 2.850 metros acima do nível do mar, um cenário que exigiu adaptação e estratégias específicas.
Durante sua passagem pelo Independiente del Valle, Anselmi comandou 31 jogos como mandante, conquistando 22 vitórias, três empates e sofrendo apenas cinco derrotas. Esse retrospecto positivo em casa, em condições desafiadoras, sugere uma capacidade de extrair o máximo de suas equipes mesmo longe de seus domínios tradicionais.
Em sua carreira geral, que inclui também uma passagem pelo Cruz Azul do México, Anselmi acumulou 91 jogos, com 56 vitórias, 16 empates e 19 derrotas, alcançando um aproveitamento expressivo de 67,4%. Essa consistência demonstra um trabalho sólido e resultados consistentes.
O Desafio Monumental em Potosí
O palco da estreia do Botafogo na Libertadores, o estádio Víctor Agustín Ugarte, em Potosí, representa o ápice do desafio de altitude que Anselmi já enfrentou. Com 3.967 metros acima do nível do mar, o estádio se configura como o mais alto entre todas as sedes da Copa Sul-Americana e da Libertadores em 2025. Uma verdadeira montanha a ser escalada pelos alvinegros.
A capacidade de Anselmi em preparar suas equipes para esses jogos extremos, considerando os efeitos fisiológicos da baixa pressão e do oxigênio reduzido, será fundamental. Sua experiência prévia em cidades como Quito, La Paz e outras localidades com altitudes consideráveis, onde já disputou jogos em 12 diferentes locais, o credencia a ser um diferencial.
A Busca por Consistência Continental
O Botafogo tem demonstrado uma crescente ambição em competições continentais. A atual temporada marca a terceira participação consecutiva do clube na Libertadores, um feito inédito em sua história. As participações anteriores em 2026, 2025 e 2024 mostram uma evolução e uma busca por consolidação no cenário sul-americano.
Recordando campanhas passadas, em 2017, o clube alcançou as quartas de final da Libertadores. Em 2024, a jornada iniciou na pré-Libertadores sob o comando de Tiago Nunes, e no ano seguinte, Renato Paiva guiou a equipe até as oitavas de final. Agora, com Anselmi, a expectativa é de ir além, utilizando a experiência adquirida em torneios da Conmebol.
A presença de técnicos estrangeiros em clubes brasileiros tem se tornado cada vez mais comum, e a experiência de Anselmi em competições sul-americanas, com títulos e campanhas de destaque, o posiciona como um nome promissor para guiar o Botafogo em sua jornada na Libertadores. A capacidade de adaptação e a inteligência tática serão testadas desde o primeiro minuto, em um dos ambientes mais desafiadores do futebol sul-americano.

