A dura realidade pós-vitória ilusória
A goleada sofrida por 4 a 1 para o Campinense, no Clássico Emoção, não foi um mero tropeço, mas sim a crua exposição das fragilidades que têm marcado o Botafogo-PB ao longo da temporada 2026. A atuação no Estádio Amigão escancarou um time apático, sem agressividade, taticamente desorganizado e incapaz de competir em alto nível quando confrontado por um adversário mais intenso e motivado.
Fragilidade coletiva e defensiva exposta
Desde os primeiros minutos, a fragilidade coletiva do Botafogo-PB ficou evidente. O Campinense, mesmo sem dominar a posse de bola, encontrou espaços com facilidade, explorando especialmente o lado direito do ataque e as jogadas aéreas. O sistema defensivo alvinegro demonstrou falhas de posicionamento e pouca coordenação entre as linhas, permitindo que o adversário fosse eficiente em suas investidas. A Raposa construiu sua vantagem com verticalidade e exploração dos espaços, sem a necessidade de posse constante ou pressão intensa.
Meio-campo estéril e ataque desconectado
No meio-campo, o cenário foi ainda mais preocupante. A equipe manteve a posse de bola de forma estéril, com circulação lenta, ausência de dinâmica e pouca capacidade de aceleração ou rompimento de linhas. Faltou intensidade sem a bola, agressividade na recuperação e sobrou previsibilidade. Ofensivamente, a produção mostrou-se desconectada e excessivamente dependente de iniciativas individuais ineficazes. Mesmo com jogadores experientes, o Belo não conseguiu transformar posse em pressão ou volume ofensivo em oportunidades reais de gol.
O alerta antigo e a decepção dos investidores
O gol de Nenê, de pênalti, já com o jogo decidido, não altera a leitura de uma atuação inofensiva. A goleada por 4 a 0 sobre o Pombal, na rodada anterior, serviu como uma ilusão momentânea, mascarando problemas estruturais que persistem desde a estreia: dificuldades extremas de criação e dependência de lampejos individuais. O padrão é claro: vitórias sofridas contra o Confiança-PB e Sousa, empate com o Esporte de Patos e agora a derrota contundente. Diante do cenário, o investidor da SAF do clube, Fillipe Félix, expressou decepção, vergonha e indignação, prometendo medidas sérias para corrigir os erros e recolocar o clube nos trilhos.
Um divisor de águas e o desafio de se reerguer
O Clássico Emoção funcionou como um divisor de águas para o Botafogo-PB, expondo limitações que já vinham sendo perceptíveis. O grande desafio agora é transformar o incômodo da derrota em um ponto de inflexão, com ajustes que vão além do resultado imediato e alcancem a forma de competir. Sem respostas rápidas e consistentes, o risco é ver a temporada marcada por atuações desconectadas do tamanho do clube e das expectativas criadas para 2026.

