Catatau Encarará o Vasco em São Januário, Relembrando a Dura Realidade do Futebol Amador
Ygor Catatau, aos 30 anos, está de volta a São Januário, palco que um dia chamou de casa. Desta vez, porém, o atacante vestirá a camisa do Volta Redonda para enfrentar seu ex-clube, o Vasco da Gama, em um jogo decisivo pelas quartas de final do Campeonato Carioca. A partida, marcada para a noite deste sábado de Carnaval, traz à tona memórias de uma trajetória marcada por altos e baixos, incluindo um longo período afastado dos gramados profissionais.
O Peso do Passado e a Luta pela Redenção
A volta de Catatau ao futebol profissional não é apenas uma questão de reencontro com o gramado, mas sim uma jornada de superação. O jogador, que já marcou dois gols no atual Campeonato Carioca, sofreu uma suspensão de pouco mais de dois anos por envolvimento em esquemas de manipulação de resultados. Em declarações anteriores, Catatau admitiu o erro, descrevendo o momento como uma perda de discernimento ao receber a proposta.
“Foi meio pesado o que aconteceu”, desabafou o atacante, visivelmente emocionado ao relembrar o período sombrio que o afastou dos holofotes do futebol.
Um Retorno Marcado pela Profissionalidade
Desde setembro do ano passado, Catatau tem o benefício da revisão de sua pena, permitindo seu retorno ao esporte. Enfrentar o Vasco em São Januário carrega um significado especial. Apesar de sua passagem pelo clube ter sido breve – um empréstimo do Madureira para o Campeonato Brasileiro de 2020, onde disputou 19 jogos, marcou um gol e deu uma assistência –, o atacante guarda carinho pela instituição.
“Tenho carinho pelo Vasco, pela camisa do Vasco, mas sou profissional e estou no Volta Redonda. Focado em fazer os gols para chegar na final do Carioca”, afirmou Catatau, demonstrando sua dedicação ao atual clube.
A conexão com a torcida vascaína durante seu tempo no clube foi limitada, em grande parte devido à pandemia da COVID-19, que impediu a presença de público nos estádios. “Eu não tive muito contato com a torcida por causa da pandemia. Não tinha torcida nos estádios. Mas pelas redes sociais deu para ter um pouco de noção da torcida do Vasco, nas nossas chegadas e saídas de aeroporto, por exemplo”, recordou.
A Realidade Crua do Futebol Amador
O período longe dos gramados profissionais não significou um afastamento da bola. Natural de Abolição, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Catatau dedicou-se ao futebol amador para garantir sustento para sua família, composta por quatro filhos. Essa experiência revelou um lado do esporte que poucos conhecem, marcado pela dureza e pela necessidade de se reinventar.
“Tem time que paga R$ 1.000 por jogo. Tem time que paga R$ 500 por jogo. O jogo é mais duro do que o profissional… Se no profissional, as arbitragens já têm aqueles problemas, imagina na várzea? É loucura”, relatou Catatau, descrevendo a intensidade e os desafios do futebol de base.
Ele também destacou a qualidade de alguns jogadores que atuam no amador. “Hoje o amador tem time titular só de craque ex-profissional que está jogando aí ‘escondido’ ou ex-profissional que estão bem fisicamente. Mas também tinha que dar resultado. Tinha que fazer gol, senão não te levavam para os jogos”, completou.
Um Passado na Ásia e a Busca por Estabilidade
A punição por manipulação ocorreu quando Catatau atuava no Sepahan, do Irã, um período em que ele recebia um bom salário e se adaptava bem ao país. Anteriormente, sua experiência no Mumbai City, da Índia, foi mais desafiadora, especialmente em relação à culinária local e aos costumes. A transferência para o Irã, durante a pandemia, o manteve isolado em um resort com seus companheiros de equipe.
A busca por estabilidade e a vontade de retomar a carreira profissional impulsionaram Ygor Catatau a lutar por sua redenção. O reencontro com São Januário, um local com história em sua carreira, representa mais um capítulo dessa nova fase, onde o foco está em demonstrar seu valor em campo e ajudar o Volta Redonda a buscar o título.
O jogo contra o Vasco é mais do que uma simples partida; é um teste para Catatau, um momento de provar que pode superar as adversidades e reencontrar o caminho do sucesso, calcado na profissionalidade e na paixão pelo futebol.

