Um evento realizado neste domingo (25), no Rio de Janeiro, para o lançamento da logomarca da Copa do Mundo de futebol feminino de 2027, gerou considerável incômodo entre ex-atletas da modalidade. O motivo principal foi o destaque excessivo dado à seleção brasileira masculina e às suas cinco conquistas mundiais (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), em detrimento de um espaço mais amplo para exaltar a equipe feminina.
O Motivo do Desconforto
Na plateia do evento, organizado pela FIFA, estavam presentes figuras emblemáticas do futebol feminino, como as ex-jogadoras Formiga, Pretinha, Aline Pellegrino (atualmente na CBF) e Roseli, além da atacante Cristiane (Flamengo) e do técnico da seleção feminina, Arthur Elias. Contudo, as homenagens no palco privilegiaram cinco nomes que representavam as conquistas do pentacampeonato masculino – Pepe, Mengálvio, Jairzinho, Bebeto e Cafu – e a presença de Ronaldo Fenômeno.
Uma das fontes ouvidas pela ESPN, que esteve no evento, expressou a frustração: “Não é sobre os homenageados, mas poderiam homenagear as pioneiras, por exemplo. Claramente o protagonismo não foi das mulheres”.
Vozes do Futebol Feminino Se Manifestam
A lendária Formiga, que participou de todas as edições da Copa do Mundo Feminina, reforçou as críticas. Em entrevista ao site Fut das Minas, a ex-meio-campista clamou por mais reconhecimento à modalidade.
“A gente, de certa forma, aplaude muitos que fizeram muito pelo futebol e se tornaram referência. Tem atletas ali que foram minhas referências, porque quando eu comecei não tinha meninas. Total respeito. Mas estamos falando de Copa do Mundo Feminina, e acho que o foco deveria ser a Copa do Mundo Feminina”, afirmou Formiga. Ela complementou, ressaltando a importância de homenagear os homens em vida, mas defendendo que o evento era a ocasião ideal para reconhecer as mulheres que tanto contribuíram para o esporte globalmente.
Reações e Perspectivas Futuras
Formiga expressou a intenção de conversar com Jillian Anne Ellis, diretora da FIFA, para organizar um futuro encontro que possa homenagear as pioneiras do futebol feminino. “Eu pretendo, com toda sinceridade, conversar com a Jill para que a gente possa, em um outro momento, ter esse encontro e trazer essas pioneiras, para que elas também sejam homenageadas, porque são merecedoras disso”, disse a antiga camisa 8, pedindo que o episódio não crie “climas ruins” às vésperas de Copas do Mundo masculina e feminina.
Procurada pela reportagem, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que a organização do evento foi inteiramente da FIFA. A entidade máxima do futebol, também contactada, optou por não se pronunciar sobre o ocorrido.
A Copa Feminina de 2027 no Brasil
A Copa do Mundo Feminina de 2027 será um marco histórico para o Brasil, sendo a primeira vez que o país sediará o torneio. O evento acontecerá de 24 de junho a 25 de julho de 2027, e contará com oito cidades-sede: Rio de Janeiro (Maracanã), Brasília (Mané Garrincha), Fortaleza (Castelão), Belo Horizonte (Mineirão), Porto Alegre (Beira-Rio), Salvador (Fonte Nova), São Paulo (Neo Química Arena) e Recife (Arena Pernambuco).
A seleção brasileira feminina, presente em todas as edições do Mundial, busca seu primeiro título. O melhor desempenho até o momento foi o vice-campeonato em 2007, após a derrota para a Alemanha, e um terceiro lugar em 1999.

