O Chicago Bulls oficializou neste sábado um reconhecimento há muito esperado pelos fãs: a aposentadoria da camisa número 1 de Derrick Rose. Em uma cerimônia realizada após o jogo contra o Boston Celtics, a franquia imortalizou o nome do armador que, em 2010-11, se tornou o MVP (Jogador Mais Valioso) mais jovem da história da NBA, reacendendo a paixão e as esperanças de uma cidade que ansiava por um novo ídolo após a era de Michael Jordan.
O Legado de D-Rose em Chicago
Nascido em Chicago, Derrick Rose chegou ao Bulls como a primeira escolha geral do Draft de 2008, carregando a responsabilidade de ser a joia local. Sua chegada foi instantânea: levou a equipe a uma campanha de 50% de aproveitamento, garantindo uma vaga nos playoffs e o prêmio de Calouro do Ano. Na temporada seguinte, já era um All-Star, mas foi em 2010-11 que Rose e os Bulls alcançaram o auge. Ao lado de nomes como Joakim Noah e Luol Deng, e com as adições de Carlos Boozer e Kyle Korver, Chicago conquistou 62 vitórias, chegando às Finais de Conferência Leste, onde foram superados pelo Miami Heat de LeBron James. Com médias de 25 pontos, 4,1 rebotes e 7,7 assistências, Rose, aos 22 anos, igualou Wes Unseld como o MVP mais jovem da liga.
A Ascensão e a Queda: Lesões que Mudaram Tudo
O estilo de jogo de Rose, extremamente explosivo, acrobático e com finalizações ferozes, o transformou em uma força imparável. Contudo, essa mesma intensidade foi brutalmente interrompida. Tudo indicava que a temporada 2011-12 seria ainda mais promissora, mas logo no segundo jogo dos playoffs, contra o Philadelphia 76ers, Derrick Rose sofreu a devastadora ruptura do ligamento cruzado anterior. A lesão silenciou Chicago e o tirou de toda a temporada 2012-13.
O retorno em 2013-14 foi breve. No décimo jogo da temporada, uma nova lesão no joelho o tirou das quadras por mais um ano. Quando voltou em 2014-15, a magia não era a mesma; a explosão e as acrobacias que o tornaram único já não podiam ser reproduzidas com a mesma frequência. A NBA também evoluía, com a ascensão de equipes como Golden State Warriors e Houston Rockets, que mudavam o paradigma do basquete.
Carreira Pós-Bulls e o ‘E Se’ da NBA
Rose deixou Chicago em 2016 e, desde então, passou por New York Knicks, Cleveland Cavaliers, Minnesota Timberwolves, Detroit Pistons e Memphis Grizzlies. Embora tenha tido bons momentos vindo do banco, chegando a ser cotado para o prêmio de Melhor Sexto Homem em algumas temporadas, as lesões continuaram a ser uma constante, impedindo-o de jogar mais de 50 partidas por ano. Sua carreira, com 723 jogos, três aparições no All-Star Game e médias de 17,4 pontos, 3,2 rebotes e 5,2 assistências, é frequentemente debatida como um dos maiores “e se” da história recente da NBA, dada a promessa inicial e o impacto das lesões. Vale ressaltar que, entre 2015 e 2016, Rose e dois amigos foram acusados de estupro coletivo, mas foram inocentados pela justiça dos EUA em outubro de 2016.
Uma Honra para Poucos no United Center
A solenidade da aposentadoria da camisa de Rose foi marcada por detalhes especiais, incluindo um cardápio temático com rosas no United Center, com coquetéis, bolo e cookies personalizados com a icônica camisa 1 branca. A franquia dos Bulls é notavelmente comedida na aposentadoria de camisas, o que sublinha a dimensão da importância de Rose. Apenas outras quatro camisas estão penduradas no teto do ginásio: Jerry Sloan (número 4), Bob Love (10), Michael Jordan (23) e Scottie Pippen (33), além do número 6 de Bill Russell, aposentado por toda a NBA. A inclusão de Derrick Rose nesse seleto grupo sela seu lugar como uma das figuras mais emblemáticas e queridas na história do Chicago Bulls.

