Clubes do Interior do Pará Criticam Investimento Exclusivo do Governo e Vale em Centros de Treinamento de Remo e Paysandu
Clubs do interior pedem política esportiva inclusiva que contemple mais regiões para fortalecer o futebol paraense
A decisão do Governo do Estado do Pará, em parceria com a mineradora Vale, de direcionar investimentos exclusivamente para a construção de centros de treinamento (CTs) dos clubes Remo e Paysandu, na região metropolitana de Belém, tem causado insatisfação entre clubes do interior do estado. Castanhal, Cametá, Bragantino, Tuna Luso e Águia de Marabá manifestaram publicamente críticas à concentração dos recursos apenas na capital, clamando por uma política esportiva mais equilibrada e inclusiva.
A exclusão dos clubes do interior e as críticas ao investimento
O Águia de Marabá foi o primeiro a se posicionar contra a decisão, classificando o investimento concentrado como injusto. O clube destacou sua relevância ao ocupar a 67ª posição no Ranking Nacional de Clubes da CBF e ser apontado como a terceira força do futebol paraense. Além disso, ressaltou sua localização estratégica no sul do estado, região onde a Vale concentra grande parte de suas operações, o que amplia a relevância do investimento para a comunidade local.
Em seguida, o Castanhal também divulgou nota oficial lembrando que o futebol paraense não se limita aos times da capital, destacando o papel social e de formação de atletas desempenhado pelas equipes do interior. O clube defendeu que os critérios para investimentos esportivos devem considerar equidade regional, mérito esportivo e impacto social, evitando assim a concentração apenas na região metropolitana.
Representatividade regional e impacto social do futebol do interior
O Cametá frisou que cerca de 75% dos clubes que participam do Campeonato Paraense são do interior e destacou que não representa apenas o município de Cametá, mas toda a região do Baixo Tocantins, composta por 11 municípios e cerca de 800 mil habitantes. O clube reforçou a necessidade de valorizar tanto a capital quanto o interior para garantir o desenvolvimento equilibrado do futebol estadual.
O Bragantino, por sua vez, destacou que possui terreno próprio disponível para a construção de um centro de treinamento, o que facilitaria o desenvolvimento das categorias de base, atletas profissionais e beneficiaria a comunidade local. Segundo o clube, a exclusão do interior na distribuição dos investimentos dificulta a redução das desigualdades regionais no esporte.
Tradição e legado da Tuna Luso pedem atenção às políticas públicas
A Tuna Luso Brasileira também se manifestou, ressaltando sua tradição histórica no futebol paraense e nacional, além do papel fundamental da agremiação na formação de atletas e profissionais do esporte. A Tuna destacou que políticas públicas e parcerias privadas precisam reconhecer o impacto social e esportivo dos clubes do interior e fora do eixo metropolitano, garantindo maior justiça na aplicação dos recursos.
Clamor por políticas esportivas mais justas e inclusivas
Os clubes do interior do Pará concordam que fortalecer a infraestrutura esportiva é essencial para o desenvolvimento do futebol local e a promoção social. Porém, alertam que investir exclusivamente nas equipes da capital aprofunda desigualdades regionais e desconsidera o potencial transformador do esporte na formação de cidadãos em outras regiões do estado.
Na visão desses clubes, a construção de centros de treinamento deve apoiar uma política esportiva que valorize criticamente as diversas regiões do Pará, escolhendo critérios que considerem mérito esportivo, impacto social e equidade regional para ampliar as oportunidades e fortalecer o futebol paraense como um todo.

