Do Maracanã à Neo Química Arena: Um Ano de Glórias Inesperadas
O ano de 2025 ficará gravado na memória do torcedor corintiano como um período de contrastes intensos. Em meio a uma grave crise política e financeira, com dívidas que ultrapassam os R$ 2,7 bilhões e sem qualquer investimento em novas contratações, o Corinthians surpreendeu ao conquistar dois dos mais importantes títulos do futebol brasileiro: o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.
A apoteose veio no último domingo, com a vitória por 2 a 1 sobre o Vasco no Maracanã, que garantiu não apenas a taça da Copa do Brasil, mas também uma premiação de R$ 77 milhões e a tão cobiçada vaga na fase de grupos da Conmebol Libertadores de 2026. O triunfo sobre o Cruzmaltino coroou uma campanha memorável, coroando um ano que parecia fadado ao fracasso.
Paulistão: O Primeiro Grito de Campeão Contra um Rival Histórico
O primeiro sinal de que 2025 poderia ser um ano especial para o Timão surgiu no final de março. Diante de sua torcida na Neo Química Arena, o Corinthians superou o Palmeiras na grande final do Campeonato Paulista. A vitória não só encerrou um incômodo jejum de títulos para o clube, como também impediu que o arquirrival conquistasse um inédito tetracampeonato estadual.
Crise Política e Financeira: O Outro Lado da Moeda
Enquanto as conquistas em campo celebravam a garra e a união do elenco, os bastidores do clube eram palco de intensa instabilidade. O ano foi marcado pelo impeachment de Augusto Melo, a eleição de Osmar Stabile para um mandato tampão e denúncias do Ministério Público contra ex-presidentes por apropriação indébita e outros crimes. A situação financeira também permaneceu crítica, com seguidos atrasos de pagamento e a necessidade de um empréstimo de R$ 70 milhões para cobrir despesas urgentes, mesmo após o faturamento da Copa do Brasil.
Reforços Inexistentes e a Ascensão da Base
A falta de investimento se refletiu diretamente no elenco. Ao longo de toda a temporada, o Corinthians trouxe apenas dois reforços: o lateral-esquerdo Fabrizio Angileri, que chegou sem custos após rescindir com o Getafe, e o atacante Vitinho, também livre no mercado, que se juntou ao clube dias antes de a FIFA impor um transfer ban por dívidas na contratação do zagueiro Félix Torres. Diante desse cenário, o técnico Dorival Júnior apostou firmemente nas categorias de base. Jogadores como Gui Negão, Dieguinho e André emergiram como peças fundamentais, ganhando espaço e contribuindo decisivamente para as conquistas que marcaram o ano do clube alvinegro.

