O Sport Club Corinthians Paulista se vê diante de mais um desdobramento do escândalo envolvendo o patrocínio master da VaideBet, que culminou no cancelamento do contrato e no impeachment do ex-presidente Augusto Melo. Desta vez, um sócio do clube, Washington Araújo, ingressou na Justiça cobrando uma comissão de R$ 8,4 milhões pela intermediação do acordo.
A Nova Cobrança Milionária
Segundo Washington Araújo, ele, juntamente com Toninho Duettos e Sandro Ribeiro, foi responsável por acionar Marcelo Mariano para uma reunião com Augusto Melo, visando apresentar a VaideBet como possível patrocinadora. O contrato, posteriormente firmado em R$ 360 milhões, previa uma comissão de 7% sobre o valor total. Na análise de Araújo, sua parte seria de R$ 8,4 milhões, mas ele alega ter sido deixado de lado pelos dirigentes, que teriam inserido outros intermediadores na negociação.
O Intrincado Esquema da Intermediação
O autor do processo defende que desempenhou um papel fundamental, aproximando o Corinthians da VaideBet, participando de todas as reuniões relevantes e contribuindo diretamente para a concretização do patrocínio. Seus advogados afirmam que ele uniu as partes, facilitou o diálogo, superou entraves e conduziu o negócio até o fim. Washington Araújo citou as investigações da Polícia Civil, alegando que dirigentes incluíram de forma fraudulenta a empresa Rede Social Media Design como suposta intermediadora, embora esta nunca tivesse participado de qualquer etapa da negociação. O processo foi aberto no início do ano na Justiça de São Paulo, e o Corinthians ainda não foi citado, desconhecendo a ação.
O Escândalo VaideBet: Laranjas e Crime Organizado
A nova cobrança se insere no contexto de uma complexa investigação da Polícia Civil de São Paulo. O Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) apontou que a Rede Social Media Design, que recebeu R$ 1,4 milhão em comissão, repassou R$ 1 milhão para a Neoway Soluções Integradas. Esta última empresa tinha como proprietária Edna Oliveira dos Santos, uma mulher em situação de extrema pobreza, considerada uma ‘laranja’ no esquema. As investigações indicam que Alex Cassundé esteve no Parque São Jorge no dia da primeira transferência bancária para a Neoway, e que os valores foram posteriormente fracionados por empresas supostamente ligadas ao crime organizado. Uma dessas empresas foi inclusive citada em um acordo de delação premiada como tendo vínculos com integrantes do PCC, um caso que ganhou notoriedade com o assassinato do empresário Antônio Vinícius Gritzbach.
Indiciamentos e Repercussões
O escândalo já resultou em indiciamentos importantes. O ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo, foi indiciado pela Polícia Civil por crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Além dele, foram também indiciados o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura, o ex-diretor administrativo Marcelo Mariano e Alex Fernando André, conhecido como Alex Cassundé, peças centrais na trama que abalou a gestão do clube e levantou sérias questões sobre a transparência nas negociações de patrocínio.

