Investigação Aprofunda Suspeitas sobre Pagamentos em Dinheiro Vivo no Parque São Jorge
O Ministério Público (MP) abriu um inquérito para investigar repasses vultosos em espécie, totalizando mais de R$ 3,4 milhões, realizados pelo Sport Club Corinthians Paulista a um ex-funcionário. A movimentação financeira ocorreu durante as administrações dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, levantando sérias dúvidas sobre a destinação dos recursos, uma vez que a maioria não foi documentada por meio de notas fiscais ou recibos.
O foco da apuração recai sobre João Odair de Souza, conhecido como Caveira, que chefiava o departamento de segurança do clube entre março de 2018 e dezembro de 2026. Documentos enviados pelo Corinthians ao MP revelam uma série de pagamentos em dinheiro vivo para Caveira, cujos valores, após atualização pela inflação, podem ultrapassar os R$ 7,3 milhões, segundo estimativa do promotor Cássio Conserino.
Caveira Explica Movimentações e Ausência de Documentação
Em contato com a imprensa, João Odair de Souza confirmou a prática de movimentar grandes quantias em espécie durante seu período no clube. Ele justificou a falta de notas fiscais detalhadas alegando a necessidade de contratação de seguranças freelancers em finais de semana, feriados e eventos de grande porte, como protestos no Centro de Treinamento (CT) ou no Parque São Jorge.
“Aos sábados, domingos e feriados é preciso contratar muitos seguranças freelancers para o clube. Isso também acontecia quando havia protestos no CT ou no Parque São Jorge”, explicou Caveira. Ele também mencionou a necessidade de cobrir eventos esportivos diversos, como jogos de vôlei, basquete e futebol de salão, que demandavam um contingente extra de segurança.
“Dentro do clube tem uma série de esportes. Vai ter jogo de vôlei, basquete, futebol de salão…. São oito seguranças em cada evento desse. Evento na piscina? 20 seguranças. Teve dia de protesto que eu coloquei mais de 60 seguranças no CT. Muitos deles eram policiais em horários de folga. PM não dá nota fiscal. Eu não podia nem fazer ordem de serviço”, argumentou o ex-chefe de segurança.
Caveira acrescentou que parte do dinheiro em espécie também era utilizada para cobrir despesas menores e para o pagamento de gorjetas em situações de serviço diretamente ligado aos ex-presidentes. Ele assegura que prestava contas ao departamento financeiro do clube e que nunca recebeu contestações do Conselho Fiscal, responsável pela análise das contas alvinegras.
Planilhas Revelam Saques e Pagamentos Diários
As planilhas apresentadas pelo Corinthians ao MP detalham as retiradas realizadas por Caveira. Há registros de múltiplos saques em um mesmo dia, com valores que variavam significativamente. Em outubro de 2026, por exemplo, uma única retirada atingiu a marca de R$ 129,3 mil. Em contrapartida, outros repasses eram de quantias menores, como os R$ 529 recebidos em 29 de outubro de 2020.
A investigação do Ministério Público visa esclarecer a legalidade e a transparência dessas transações, buscando identificar se houve alguma irregularidade na gestão dos recursos do clube. O ex-chefe de segurança já foi classificado como investigado em um dos inquéritos em andamento, mas ainda não foi convocado para prestar depoimento.
Contexto e Implicações para o Clube
A gestão financeira de clubes de futebol é frequentemente alvo de escrutínio, especialmente quando envolve grandes somas de dinheiro e falta de documentação clara. A investigação sobre os repasses em espécie a Caveira coloca sob os holofotes as práticas administrativas das gestões de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, abrindo um precedente para futuras apurações.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Paulista de Futebol (FPF) possuem regulamentos que exigem a comprovação de todas as despesas. O não cumprimento dessas normas pode acarretar em sanções disciplinares para o clube, além de possíveis implicações legais para os envolvidos.
A comunidade corintiana aguarda com expectativa os desdobramentos desta investigação, que pode impactar a reputação e a governança do clube. A transparência nas finanças é fundamental para a credibilidade e a sustentabilidade de qualquer instituição, especialmente uma com a magnitude e a paixão que o Corinthians desperta.
Conclusão e Próximos Passos
O Ministério Público segue com as apurações, buscando reunir todas as evidências necessárias para determinar se houve má gestão ou desvio de recursos. A defesa dos ex-presidentes e do ex-funcionário deverá apresentar seus argumentos e comprovações nos próximos dias. A expectativa é de que a investigação seja concluída em 2026, trazendo um desfecho para este complexo caso financeiro que envolve um dos maiores clubes do Brasil.

