O Corinthians, uma das maiores referências do futebol feminino no cenário sul-americano, está prestes a encarar um novo e grandioso desafio: o Mundial de Clubes feminino. As Brabas do Timão fazem sua estreia nesta quarta-feira (28), às 15h (de Brasília), no Gtech Community Stadium, na Inglaterra, contra o Gotham FC, dos Estados Unidos. A competição inédita da FIFA reúne os campeões de cada confederação, com o Corinthians garantindo sua vaga após conquistar a CONMEBOL Libertadores no ano passado.
Além do Gotham FC, campeão da Copa dos Campeões da Concacaf, o torneio conta com a presença do Arsenal, da Inglaterra, vencedor da última Champions League feminina, e do ASFAR, de Marrocos, campeão da Champions Africana. Diante de tal calibre, três comentaristas da ESPN analisam as reais chances do Corinthians de avançar na semifinal e, eventualmente, disputar o título contra Arsenal ou ASFAR.
A Potência Brasileira em Cenário Global
Para Mari Pereira, a participação do Corinthians representa um “passo gigante dentro do futebol feminino brasileiro”. Ela destaca o clube alvinegro como o melhor projeto do país, colecionando títulos e atingindo um patamar que o coloca entre as melhores equipes do mundo. “A gente vai poder medir a parte tática, o campo e bola entre essas campeãs. Eu vejo o Corinthians pronto para competir”, afirma Mari, confiante na capacidade das Brabas de sustentar um alto nível durante os 90 minutos.
Caê Vasconcelos corrobora, apontando o Corinthians como a maior referência do futebol feminino na América Latina, com um projeto que nasceu em 2016 e se consolidou através de investimento, elenco, títulos e uma forte identidade com a torcida. “O mundo já teve alguns ‘spoilers’ da potência do Corinthians, que era a base do Brasil na conquista da prata olímpica e, por dois anos seguidos, teve jogadoras indicadas à seleção do The Best da FIFA”, lembra Caê, vendo o Mundial como uma oportunidade de consolidação global.
André Donke complementa, afirmando que o Corinthians “deve ser encarado como um time de relevância global”, não só pelo sucesso esportivo, mas também pelo espaço que o futebol brasileiro tem ocupado. Ele cita a presença de Gabi Portilho na Bola de Ouro e no time do ano do The Best, além do sucesso da seleção olímpica com seis Brabas, como fatores que ampliam o alcance do clube.
O Desafio Tático e a Experiência Internacional
Apesar do reconhecimento, André Donke pondera que o Corinthians não chega na condição de favorito. “Gotham FC e Arsenal disputam as duas melhores ligas do mundo e dispõem de condições bem à frente das brasileiras, além de elencos com altíssimo nível e muita experiência”, explica. Para ele, a equipe alvinegra tem condições de disputar com o Gotham, embora as norte-americanas sejam favoritas. “Não seria uma zebra a classificação, mas um eventual título sobre o Arsenal seria, sim, uma surpresa”, conclui.
Mari Pereira, por sua vez, mantém o otimismo, acreditando que o Corinthians tem “condições de vencer times dos Estados Unidos e da Inglaterra”, principalmente no formato de jogo único, que exige uma mobilização diferente e pode equilibrar os confrontos.
Ritmo de Jogo e o “Fator Copa”
Caê Vasconcelos aponta fatores que podem favorecer as Brabas. Ele destaca que o Gotham FC não joga desde novembro, enquanto o Corinthians atuou em dezembro, o que pode resultar em um ritmo de jogo similar. Além disso, o Arsenal, apesar de vir de um título na Champions, “não vive a melhor fase na temporada”.
O jornalista enfatiza que “as Brabas gostam e se dão muito bem em torneios de tiro curto”. Mesmo em uma temporada atípica, o Corinthians conquistou os principais títulos – heptacampeonato brasileiro e hexa da Libertadores – demonstrando sua resiliência e capacidade em momentos decisivos. Com um elenco repleto de nomes históricos como Gabi Zanotti, Vic Albuquerque, Tamires, Erika e Lelê, além de reforços como Ana Vitória, a equipe tem a experiência e o talento necessários para enfrentar os desafios.
Título Inédito: Zebra ou Consequência de um Projeto?
Para Caê Vasconcelos, uma eventual conquista do Mundial não seria uma “zebra”. Ele a enxerga como a colheita de “todo esforço e empenho que [o Corinthians] tem plantado na última década”. A visão otimista reflete a confiança no trabalho de longo prazo e na solidez do projeto corintiano, que transformou o clube em uma potência inquestionável no futebol feminino sul-americano e que agora busca solidificar seu nome no cenário global.
O Corinthians entra em campo com a ambição de não apenas competir, mas de provar que a hegemonia construída no Brasil e na América Latina pode, sim, ser estendida ao palco mundial, desafiando as expectativas e redefinindo o patamar do futebol feminino brasileiro.

