A iminente votação da reforma estatutária do Sport Club Corinthians Paulista, agendada para a próxima segunda-feira, 9 de março de 2026, no Parque São Jorge, está longe de ser um consenso entre os membros do clube. Uma recomendação do Conselho de Orientação (CORI) por uma votação parcial dos pontos mais relevantes do novo estatuto adicionou uma camada de complexidade ao processo, gerando atritos internos e incertezas sobre o desfecho da matéria.
CORI Sugere Foco em Pontos Chave da Reforma Estatutária
Em uma reunião realizada na noite de quinta-feira, o CORI, órgão consultivo do clube, deliberou por unanimidade a favor de uma abordagem mais seletiva para a votação da reforma estatutária. A proposta é que os conselheiros se concentrem nos artigos considerados de maior impacto e relevância, tomando como base o estatuto vigente do Corinthians.
Os temas prioritários identificados pelo CORI e que deverão ser submetidos à apreciação dos conselheiros incluem:
- A regulamentação do direito de voto para o Fiel Torcedor, um anseio de parte da torcida organizada.
- A ampliação da participação feminina nos órgãos deliberativos e de gestão do clube.
- O sistema de eleição para a escolha dos novos conselheiros, buscando maior representatividade.
- A definição do tempo mínimo de contribuição associativa para que o sócio tenha direito a voto.
Essa decisão do CORI visa agilizar o processo e garantir que os pontos mais sensíveis e que geram maior debate sejam devidamente discutidos e aprovados, evitando que a votação se arraste por temas considerados secundários ou de menor urgência no momento.
Presidente do Conselho Deliberativo Define Próximos Passos
A responsabilidade de oficializar os moldes exatos da votação recai sobre Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians. Espera-se que as definições finais sobre como a votação ocorrerá sejam comunicadas nas próximas horas. O CORI formalizou sua recomendação através de um ofício enviado ao dirigente nesta sexta-feira, buscando alinhar as expectativas e garantir a transparência no processo.
A sugestão do CORI surge em um contexto onde alguns membros do conselho expressaram a percepção de que Romeu Tuma Júnior não os consultou de forma aprofundada sobre as propostas contidas no novo estatuto. Essa percepção de falta de diálogo, embora não seja unânime, contribui para o clima de resistência interna que precede a votação.
Por outro lado, o presidente do Conselho Deliberativo defende que houve espaço e tempo suficientes para que as pautas fossem debatidas no ambiente do Parque São Jorge. Ele acredita ter disponibilizado os canais necessários para a troca de ideias e a construção de um consenso, o que diverge da visão de parte dos conselheiros.
Composição do CORI e o Caminho Pós-Votação
O Conselho de Orientação (CORI) é um órgão de peso dentro do Corinthians, composto por membros trienais – que são renovados a cada ciclo político do clube – e também por membros natos. Entre os membros natos, destacam-se ex-presidentes do clube, como Mário Gobbi, Duilio Monteiro Alves, Roberto de Andrade e Andrés Sanchez, além do atual presidente do CORI, Miguel Marques e Silva. Essa diversidade de perfis confere ao órgão uma visão abrangente e histórica sobre os rumos do clube.
Após a aprovação ou reprovação dos itens em votação pelos conselheiros, o processo ainda não estará concluído. Romeu Tuma Júnior terá a tarefa de convocar uma assembleia-geral, na qual todos os associados do Corinthians terão a oportunidade de manifestar seu voto sobre a reforma estatutária. Essa assembleia-geral está prevista para ocorrer em abril de 2026, com a data exata ainda a ser definida.
A expectativa é que a decisão do Conselho Deliberativo estabeleça um norte para a discussão na assembleia-geral, mas a resistência interna e a necessidade de diálogo aberto continuam sendo fatores determinantes para o futuro do estatuto corintiano. A forma como essas divergências serão tratadas definirá o quão democrática e representativa será a nova estrutura de governança do clube.
Contexto e Impacto da Reforma
A reforma estatutária do Corinthians é um tema de grande relevância para o futuro do clube. Ela abrange desde a forma como as decisões são tomadas até a participação dos diferentes segmentos da comunidade corintiana. A inclusão do voto para o Fiel Torcedor, por exemplo, pode trazer uma nova dinâmica de participação popular nas decisões, enquanto a maior representatividade feminina busca corrigir distorções históricas e alinhar o clube às demandas sociais contemporâneas.
O sistema de eleição para conselheiros é outro ponto crucial, pois impacta diretamente a composição dos órgãos que definem as diretrizes do clube. Uma mudança nesse sistema pode significar uma maior pluralidade de ideias e perfis dentro do conselho, refletindo melhor a diversidade da torcida.
A forma como essas questões serão votadas e aprovadas terá um impacto duradouro na gestão do Corinthians, moldando a governança e a relação do clube com seus associados e torcedores nos próximos anos. A cautela e o debate aprofundado, mesmo diante de pressões por agilidade, são fundamentais para garantir um estatuto que atenda aos interesses de longo prazo do Timão.
Conclusão
A reforma do estatuto do Corinthians se encontra em um momento decisivo. A recomendação do CORI por uma votação parcial, embora possa otimizar o processo, evidencia as tensões internas e a necessidade de um diálogo ainda mais robusto. O desfecho dessa votação no Conselho Deliberativo e, posteriormente, na assembleia-geral, será crucial para definir os rumos da governança do clube e o futuro da participação de seus membros e torcedores nas decisões que moldam o destino do Corinthians.

