Crise no Botafogo: Dívidas com jogadores e cortes geram incerteza na SAF
Direitos de imagem atrasados e corte de gastos marcam momento delicado do clube.
Salários e direitos de imagem em atraso geram insatisfação no elenco
O Botafogo atravessa um dos períodos financeiros mais turbulentos desde a implementação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no início de 2022. Além do transfer ban imposto pela FIFA, decorrente do não pagamento ao Atlanta United pela contratação de Almada, o clube acumula dívidas com seu próprio elenco. Jogadores estão com dois meses de direitos de imagem em atraso. Embora os salários registrados em carteira estejam em dia, os pagamentos referentes aos direitos de imagem, que compõem parte da remuneração, acumulam pendências. Houve uma quitação parcial antes da partida contra o Volta Redonda, após conversa entre a diretoria e o grupo.
Diretores admitem necessidade de vendas e corte de despesas
A ordem dentro da SAF é clara: cortar gastos em todas as frentes. A medida atinge desde a base do futebol masculino, com ameaça de participação em torneios internacionais, até o futebol feminino. Funcionários relatam um clima de insegurança e apreensão quanto ao futuro. O diretor de gestão esportiva, Alessandro Brito, confirmou a necessidade de vender atletas para aliviar a situação financeira. Nesta janela, o clube já se desfez de Marlon Freitas, David Ricardo e Savarino. Jovens como Montoro e Barrera são vistos como ativos com potencial de negociação.
John Textor promete aporte financeiro em meio a litígios
Internamente, o acionista John Textor busca transmitir tranquilidade, afirmando que um aporte financeiro será realizado para sanar as pendências mais urgentes. O discurso é de que o investimento virá de “amigos” do empresário, sem, contudo, estabelecer um prazo para a liberação dos recursos. Paralelamente, Textor enfrenta litígios com antigos sócios. A Ares, fundo que o auxiliou na compra do Lyon, cobra uma dívida na Justiça, e o Iconic Sports Management busca o pagamento de US$ 97 milhões referente a uma participação acionária na Eagle Football.
Transfer ban da FIFA e incerteza sobre novas contratações
O transfer ban da FIFA, referente à dívida de US$ 21 milhões com o Atlanta United, continua a impactar o clube. Não há acordo fechado sobre as condições de pagamento, com a MLS propondo quitação à vista ou parcelada. Apesar de ter contratado três jogadores (Villalba, Ythallo e Riquelme), nenhum deles pode ser inscrito enquanto a punição vigorar. A janela de transferências se encerra em 3 de março, aumentando a urgência da resolução da pendência.

