Ainda era madrugada no Japão quando o telefone de Davante Adams tocou. Do outro lado do mundo, a voz de Sean McVay, técnico do Los Angeles Rams, era direta e convincente: “Nós te queremos em Los Angeles”. McVay não se limitou a palavras; ele enviou clipes, detalhou como utilizaria Adams no ataque e deixou claro que o recebedor seria uma peça central. Não demorou para Adams entender que aquele era exatamente o lugar onde “precisava estar”.
O Fim de um Ciclo e a Busca por um Lar
Em março, Adams assinou um contrato de dois anos no valor de US$ 44 milhões com os Rams. Mais do que o dinheiro, ele buscava algo que faltou nos últimos anos: um quarterback confiável, um técnico em quem acreditava e um ambiente propício para vencer. “Precisava estar em um lugar onde pudesse ganhar, com um bom quarterback e um treinador que acreditasse em mim, onde eu pudesse ter sucesso e evoluir ainda mais”, explicou.
Essa combinação não existia para Adams em suas experiências recentes. Após oito temporadas de sucesso no Green Bay Packers, ele pediu uma troca em 2022 buscando um novo começo nos Las Vegas Raiders, ao lado do amigo Derek Carr e sob Josh McDaniels. A empreitada não deu certo. Em 2024, tentou novamente, pedindo para ser trocado para o New York Jets para reencontrar Aaron Rodgers. Mais uma vez, a frustração se impôs. Nos primeiros meses em Los Angeles, a sensação foi completamente diferente. “Não existe aquela ‘nuvem escura’ no ambiente”, declarou Adams em junho. “É uma diferença gritante quando você entra em um lugar como esse.”
A Conexão Imediata com Sean McVay
Durante a visita para assinar contrato, Adams e McVay jantaram juntos, e o encontro rapidamente se transformou em uma aula intensiva de futebol americano. “Eram só dois nerds de futebol falando de Xs e Os”, brincou Adams, que chegou a se levantar para demonstrar movimentos de saídas de rota. McVay, que já admirava Adams há anos, percebeu a sintonia: “Somos muito semelhantes em personalidade e competitividade. Criamos uma relação especial, que só cresce”.
Adams também se impressionou com a cultura construída por McVay, descrevendo-a como uma “camaradagem de nível universitário”. A interação entre os diferentes setores do time chamou sua atenção. “Eu nunca vi um linebacker conversar tanto com um punter, ou um kicker com quarterbacks”, disse. “Existe muita interação. Foi muito mais rápido me integrar aqui do que em outros lugares.” Essa postura impactou até os jogadores mais jovens, como o linebacker Jared Verse, que admitiu ter Adams como ídolo e agora o considera um confidente. Jimmy Garoppolo, quarterback reserva e ex-companheiro de Adams nos Raiders, notou a mudança: “Ele está mais aberto aqui. Isso começa pelos líderes. Quando todo mundo age assim, você simplesmente entra no clima”.
Temporada Histórica e Olhos no Super Bowl
Seis meses depois da mudança, aos 33 anos, Adams colhe os frutos de sua escolha. Os Rams já venceram um jogo de playoffs e avançam na pós-temporada, marcando a primeira vitória de Adams em playoffs desde 2020, ainda pelos Packers. Questionado se finalmente encontrou o que procurava desde que deixou Green Bay, Adams foi enfático: “Vir para cá acabou sendo exatamente o que eu estava procurando esse tempo todo”.
Ao fim da temporada regular, seus números impressionam: 60 recepções, 789 jardas e 14 touchdowns, liderando a NFL na categoria. Segundo o ESPN Research, Adams é o primeiro jogador da história a liderar a liga em touchdowns recebidos por três franquias diferentes. Agora, a apenas duas vitórias do primeiro Super Bowl da carreira, Davante Adams não tem dúvidas de que fez a escolha certa: “Tenho o quarterback, um grande elenco ao redor, um time totalmente focado e uma cidade incrível para jogar. Sinceramente, não tem como ficar muito melhor do que isso”.

