Da ginástica ao gramado: um caminho improvável
A trajetória de Tainá Maranhão no futebol é marcada por superação e paixão. Antes de brilhar com a camisa do Palmeiras e ser convocada para a Seleção Brasileira, a atleta de 21 anos trilhou um caminho inesperado. Aos cinco anos, iniciou na ginástica olímpica, onde permaneceu por oito anos, desenvolvendo disciplina e paixão pelo esporte. No entanto, o futebol sempre falou mais alto em seu coração.
“Sempre que eu conseguia dar uma fugida de casa, ia para a rua de cima jogar bola”, relembra Tainá. A virada de chave aconteceu quando seu pai, o ex-jogador Alex Maranhão, a levou para um campo. “Quando eu pisei no gramado, foi onde eu tive a primeira sensação, foi onde eu disse: é isso que eu quero”, conta.
Momentos de dúvida e a força de uma referência
A carreira profissional de Tainá começou no Criciúma e seguiu para o Internacional. Em busca de mais minutos em campo, foi emprestada ao Cruzeiro, onde enfrentou um período difícil. Longe da família e sem a estrutura financeira ideal, a jovem atacante chegou a cogitar desistir do futebol.
“Eu já cheguei a dizer: vou desistir, vou parar, não é isso que eu quero. Falei com o meu empresário na época, não é isso que eu quero, eu não aguento essa pressão psicológica longe de casa”, revela. A reviravolta veio ao chegar no Santos, onde encontrou apoio fundamental, especialmente da experiente Cristiane.
“Ali eu já me senti em casa e quando eu recebo a motivação dela e foi quando eu disse ‘Se a Cristiane falou, está falado. Eu posso ir para cima, posso jogar e me divertir’”, afirma Tainá, que atribui à sua personalidade forte e à influência de Cristiane a decisão de não abandonar o sonho.
Realização e o futuro com a Amarelinha
A temporada de 2025 tem sido inesquecível para Tainá Maranhão. Após a primeira convocação para a Seleção Brasileira principal, a atleta teve seu contrato com o Palmeiras renovado até o final de 2026. A emoção de vestir a camisa amarelinha e cantar o Hino Nacional foi um momento marcante.
“Quando eu entro em campo, coloco a mão no escudo e eu sinto o escudo, o estádio, eu me emocionei. Comecei a chorar no meio do campo. Foi muito emocionante para mim, porque era um sonho de criança”, descreve.
Novos desafios e o sonho da Copa do Mundo
Com o Palmeiras, Tainá coleciona títulos e projeta 2026 com ainda mais ambição. A disputa da Libertadores será sua primeira e ela espera completar 100 jogos pelo clube. No horizonte, o sonho de disputar uma Copa do Mundo Feminina também motiva a atacante.
“Vou trabalhar muito para estar lá, por mais que eu ainda não me veja, é um sonho distante, só de estar aplaudindo as meninas já vai ser muito especial para mim”, conclui, demonstrando a paixão que a move a seguir em frente no esporte que quase deixou para trás.

