A tradição do Grêmio na formação e venda de atacantes de lado, conhecidos pela velocidade e dribles, tem se mostrado uma importante fonte de receita para o clube. Desde 2014, quando Pedro Rocha chegou ao sub-20 do Tricolor, a chamada “fábrica de pontas” rendeu, ao todo, pelo menos R$ 326,5 milhões em negociações que envolvendo atletas formados interna ou externamente, mas lapidados na base gaúcha.
Vendas expressivas e atletas de destaque
A venda mais recente desse grupo vitorioso foi a do jovem Alysson, de 19 anos, que se transferiu para o Aston Villa, da Inglaterra, por 10 milhões de euros (cerca de R$ 65,6 milhões na cotação atual), podendo render até 2 milhões de euros (R$ 13,1 milhões) adicionais em bônus. Embora tenha atuado em apenas 39 partidas pelo time principal do Grêmio, Alysson deu sequência à tradição de jogadores que passaram pela base do clube e foram vendidos por cifras expressivas.
Outros nomes de destaque incluem Everton Cebolinha, que teve a maior venda entre os atletas dessa posição – negociado ao Benfica em 2020 por 20 milhões de euros (R$ 127,6 milhões à época). O clube detinha 50% dos direitos econômicos do jogador e, portanto, faturou R$ 63,8 milhões. Everton passou por uma trajetória marcante no Grêmio com 273 jogos e conquistas importantes como Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017) e vários títulos do Campeonato Gaúcho.
Outros talentos e os valores arrecadados
Além de Everton e Alysson, a lista de atacantes formados ou lapidados no Grêmio que renderam dinheiro ao clube inclui Pepê, vendido ao Porto por 15 milhões de euros (R$ 98,1 milhões na época), gerando ao Grêmio R$ 65,4 milhões; Ferreira, transferido ao São Paulo por US$ 2,5 milhões (R$ 12,5 milhões) referentes a 35% de seus direitos econômicos; e Gustavo Nunes, que saiu após 40 jogos e pelo título do Gauchão 2024.
A negociação precoce e os desafios para a equipe
Uma característica recente desse modelo é a antecipação nas vendas. Pedro Rocha, por exemplo, atuou em 126 jogos pelo time principal antes de ser vendido ao Spartak Moscou, em 2017. Em contraste, Alysson saiu após 39 jogos, menor número dentre seus pares, sem títulos conquistados no período e disputando a posição com concorrentes como Cristian Pavon. Essas movimentações antecipadas mostram o dilema entre garantir receitas financeiras e manter atletas para conquistas esportivas.
Resumo dos principais jogadores, valores e conquistas
- Pedro Rocha: 126 jogos, 32 gols, campeão Copa do Brasil 2016 e Gauchão 2017; vendido por 12 milhões de euros (R$ 45 milhões na época).
- Everton Cebolinha: 273 jogos, 69 gols, múltiplos títulos nacionais e continentais; vendido por 20 milhões de euros (R$ 127,6 milhões), com retorno de R$ 63,8 milhões ao Grêmio.
- Pepê: 144 jogos, 32 gols, quatro títulos do Gauchão; vendido por 15 milhões de euros (R$ 98,1 milhões), com R$ 65,4 milhões para o clube.
- Ferreira: 152 jogos, 27 gols, quatro Gauchões; vendido por US$ 2,5 milhões (R$ 12,5 milhões) relativos a parte de seus direitos.
- Gustavo Nunes: 40 jogos em 2024, sete gols, Gauchão 2024.
- Alysson: 39 jogos, 2 gols, sem títulos; vendido por 10 milhões de euros (R$ 65,6 milhões) mais bônus, podendo chegar a 12 milhões de euros.
Assim, a “fábrica de pontas” do Grêmio segue combinando tradição na formação de jogadores rápidos e habilidosos com um modelo de negócio que promete reforçar financeiramente o clube, ainda que desafie a manutenção do elenco para campanhas mais vitoriosas no futuro.

