Elvis, a voz da Ponte em meio à turbulência
O recente desabafo de Elvis, camisa 10 da Ponte Preta, após a segunda derrota consecutiva no Campeonato Paulista, transcende um simples momento de irritação. É um clamor por ajuda, um sinal claro de que o clube opera sem uma rede de segurança. A declaração do jogador, principal referência técnica do elenco, ecoa um sentimento já presente nos bastidores: a Ponte Preta está em uma situação crítica.
Um histórico de problemas que culmina no presente
Desde a conquista da Série C, a trajetória da Macaca tem sido marcada por uma sucessão de adversidades. Salários atrasados, transfer ban que impede a chegada de reforços, saídas de jogadores insatisfeitos, promessas de gestão não cumpridas, paralisações de treinos e um elenco cada vez mais reduzido. O que antes parecia um problema distante, agora se materializa como um penhasco real, visível para todos que acompanham o time em campo.
A aposta em jovens como último recurso
Quando Elvis lamenta que “é um pecado cobrar a molecada”, a mensagem é inequívoca. A Ponte Preta tem recorrido aos jovens atletas não por um planejamento esportivo consolidado, mas por pura falta de alternativas. A responsabilidade de competir em um Campeonato Paulista de tiro curto, com apenas oito rodadas e sem margem para erros, recai sobre ombros de garotos que ainda deveriam estar em fase de formação. O técnico Marcelo Fernandes trabalha com um grupo enxuto, composto por remanescentes da Série C e complementado por jogadores da base, buscando manter uma estrutura mínima para competir, mesmo que a condição física ideal esteja longe de ser alcançada. O resultado é um time sem padrão tático definido, com repertório limitado e fôlego insuficiente para reagir.
O tempo é inimigo da Ponte Preta
A cada rodada sem pontuar, o discurso de um “campeonato seguro” perde credibilidade. Duas partidas disputadas, zero pontos somados. No Paulistão, o tempo é um adversário implacável. A preocupação inicial tende a se transformar em desespero rapidamente. O desabafo de Elvis, endossado pelo semblante abatido do técnico Marcelo Fernandes, não é um ataque gratuito. É um último esforço para evitar uma queda iminente. A Ponte Preta precisa, com urgência, converter promessas em ações concretas. Caso contrário, o alerta dado pelo camisa 10 poderá ser lembrado não como um ponto de virada, mas como o aviso ignorado antes de uma inevitável derrocada.

