Rival do Flamengo na Intercontinental, Pyramids estreia entre gigantes após reestruturação rápida e título africano inédito
O futebol egípcio testemunhou nos últimos anos uma transformação radical com a ascensão do Pyramids, que agora desafia o Flamengo na semifinal da Copa Intercontinental. O clube, que há poucos anos sequer figurava entre os grandes do seu país, alcançou notoriedade continental ao conquistar sua primeira Liga dos Campeões da África. O próximo capítulo da história será escrito em Doha, onde os egípcios buscam uma vaga na final contra o PSG.
De acordo com informações do ge, o Pyramids foi fundado em 2008 como Al Assiouty Sport e só começou a ascender no cenário nacional egípcio em 2014, após chegar à primeira divisão, onde teve passagens irregulares antes da reviravolta. O ponto de virada, no entanto, aconteceu em 2018, quando o clube foi adquirido por Turki Al-Sheikh, investidor saudita que trouxe investimentos massivos e consolidou o projeto de modernização e competitividade.
Após uma reestruturação profunda, com mudanças de nome, sede e filosofia, o novo Pyramids se tornou referência em rapidez de crescimento e se consolidou como símbolo de um modelo inovador no Egito. Conforme destaca o ge, esse processo incluiu a participação de brasileiros, como o técnico Alberto Valentim, e a contratação de jogadores renomados, tornando o clube um fenômeno recente do futebol africano.
As informações detalhadas a seguir são baseadas em reportagem especial divulgada pelo ge.
Pyramids: de desconhecido a protagonista do Egito e África
O Pyramids nasceu sem tradição, distante dos centros esportivos egípcios e só ganhou peso em 2018, ano em que foi comprado por Turki Al-Sheikh, ex-presidente honorário do Al-Ahly. Com um aporte financeiro incomum à época, o clube mudou de Assiut para Novo Cairo e apostou em instalações de padrão internacional, segundo o ex-treinador Alberto Valentim: “As instalações todas estavam sendo montadas, toda a estrutura ainda estava sendo construída”.
Sob a nova gestão, o Pyramids buscou rapidamente competir de igual para igual contra os gigantes locais, Al Ahly e Zamalek. O elenco passou a contar com nomes da seleção egípcia e também de estrangeiros, especialmente brasileiros. Em 2018, seis brasileiros integraram o projeto: além do próprio Valentim, chegaram Keno, Ribamar, Carlos Eduardo, Arthur Caíke e Rodriguinho.
Investimento, polêmicas e troca de comando
Apesar do sucesso esportivo imediato, os aportes de Turki Al-Sheikh geraram polêmicas e resistência política no Egito. O projeto durou apenas um ano sob seu comando, mas foi o suficiente para elevar o clube a terceiro colocado no Campeonato Egípcio, garantindo vaga inédita na Copa das Confederações da CAF.
Em 2019, o Pyramids mudou novamente de proprietário, passando para Salem Saeed Al Shamsi, dos Emirados Árabes Unidos. A equipe chegou à final da Copa das Confederações da CAF, mas acabou derrotada pelo Berkane. Ainda assim, a trajetória já era vista como fora do comum para um clube tão jovem.
Brasileiros e influência no crescimento do Pyramids
A estratégia de buscar destaque com talentos do Brasil foi marcante. Jogadores brasileiros eram vistos como os mais representativos tecnicamente e geravam grande curiosidade no Egito. Atualmente, a presença tupiniquim continua com Ewerton Silva, contratado como maior reforço para a temporada 2025/26 por 2,8 milhões de euros.
Além disso, alguns atletas do elenco foram apelidados pela torcida com nomes de ícones brasileiros, como Zico e Dunga, reforçando o respeito e inspiração no futebol brasileiro.
Do título nacional ao auge continental e à Intercontinental
Após bater na trave por anos, o Pyramids conquistou a Copa do Egito na temporada 2023/24, um feito notável em um torneio dominado pelos grandes Al Ahly e Zamalek. Na final, vitória sobre o ZED por 1 a 0, gol do congolês Fiston Mayele, um dos atuais destaques.
O ápice recente veio em junho de 2025 com o título da Liga dos Campeões da África. Após empate no jogo de ida, o clube egípcio superou o Mamelodi Sundowns por 2 a 1, garantindo a vitória no agregado por 3 a 2. Tornou-se, assim, apenas o quarto time do Egito a erguer o troféu mais importante do continente.
Agora, o Pyramids encara o Flamengo, atual campeão da Libertadores e Brasileirão, pela semifinal da Copa Intercontinental. O duelo está marcado para sábado em Doha, no Catar, às 14h (de Brasília), valendo vaga na decisão diante do poderoso PSG. Para chegar à Challenger Cup, torneio semifinal promovido pela Fifa, o clube eliminou o Auckland City, da Nova Zelândia, e o Al-Ahli, da Arábia Saudita.
A expectativa é grande para saber se o Pyramids, que saiu do anonimato para o topo da África, surpreenderá novamente diante do Flamengo e continuará reescrevendo a história do futebol mundial em 2025.

