Quando o apito final soou no Maracanã, selando a conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians sobre o Vasco, o semblante de Dorival Júnior era de notável alívio. Um sentimento compreensível diante de um ano repleto de turbulências e desafios enfrentados por ele e sua comissão técnica no clube alvinegro.
“Foi a Copa do Brasil mais difícil por tudo o que vivemos durante o ano. Tem complicação grande por tudo que acontece no clube, problemas no dia a dia, escassez de atletas, não foi simples”, desabafou o treinador na coletiva pós-vitória por 2 a 1 no Maracanã, um palco que guardava uma surpresa.
A “premonição” no Maracanã
O estádio carioca, aliás, foi cenário de uma espécie de “premonição” do técnico. Dias antes de assumir o comando efetivo do time, Dorival esteve nos camarotes assistindo à goleada de 4 a 0 sofrida para o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro. Naquela ocasião, ele desceu ao vestiário e, após a derrota, disse aos atletas que o time faria a final da Copa do Brasil – sem saber, contudo, que a coincidência seria tão grande com o retorno ao Maracanã para a decisão.
“Foi um dos (títulos) mais complicados pela desconfiança geral, mas tem outro lado, tínhamos certeza que aconteceria. No primeiro encontro que tive (com os jogadores), falei que jogaríamos a final, isso aconteceu aqui no Maracanã, no mesmo vestiário de hoje. Alguma coisa tinha de especial”, relembrou.
O peso de um ano turbulento
A percepção de que esta foi a Copa do Brasil mais desafiadora é compartilhada por outros membros da comissão técnica, que colocaram as dificuldades vividas no Corinthians acima das enfrentadas em conquistas recentes da Copa do Brasil por São Paulo (2023) e Flamengo (2022). Os “problemas do dia a dia” citados por Dorival se tornaram públicos, em sua maioria, destacando-se o impeachment do presidente Augusto Melo, responsável por sua contratação, além de denúncias e brigas políticas que se avolumaram nos bastidores ao longo da temporada.
A escassez de reforços e as adaptações táticas
O impacto das turbulências foi sentido diretamente em campo. Dorival avaliava que o elenco precisava de reforços, mas o clube foi impedido de contratar devido a dívidas, resultando em um “transfer ban” que permanece ativo. Vitinho foi o único nome a chegar dias antes da confirmação da punição da Fifa. Com isso, o técnico precisou fazer adaptações táticas, como a preparação de nomes da base, como Dieguinho, que chegou a atuar no primeiro jogo da final contra o Vasco, para suprir a carência de características específicas, como dois homens abertos no ataque, que Dorival sempre preferiu.
De olho em 2026: Libertadores e fim do ‘transfer ban’
Com o título da Copa do Brasil, o Corinthians garantiu vaga direta na fase de grupos da CONMEBOL Libertadores de 2026. Dorival projeta um time competitivo para o próximo ano e espera a chegada de reforços pontuais para encorpar o elenco campeão. A grande prioridade do Corinthians, que recebeu quase R$ 98 milhões em premiação total pela conquista, é quitar a dívida com o Santos Laguna, do México, pela compra de Félix Torres, que motivou o “transfer ban” vigente. Outras pendências passíveis de punição pela Fifa, como as dívidas com Matías Rojas e com o Talleres-ARG pela compra de Rodrigo Garro, também estão no radar para quitação, visando liberar o clube para atuar no mercado de transferências.

