Edenilson Despede-se do Grêmio: Trajetória Marcada por Reconhecimento Técnico e Desconfiança Popular
O Grêmio oficializou nesta segunda-feira a rescisão contratual com o volante Edenilson, encerrando uma passagem de quase dois anos pelo clube gaúcho. A saída do jogador de 36 anos não chega a ser uma surpresa, mas reacende um debate recorrente sobre sua trajetória em Porto Alegre, que espelha a vivida anteriormente no rival Internacional. Benquisto por praticamente todos os treinadores que comandaram o Tricolor durante seu período, Edenilson, por outro lado, conviveu com uma relação tensa e por vezes hostil com uma parcela significativa da torcida.
A decisão de deixar o clube foi comunicada pelo próprio jogador ao técnico Luís Castro após a derrota para o São Paulo, na última quarta-feira. Edenilson, que iniciou como titular naquela partida, foi substituído ainda no primeiro tempo, em um reflexo do desempenho insatisfatório da equipe e da estratégia que não surtiu efeito.
Um Jogador Polivalente Sob os Olhos dos Comandantes
Desde sua chegada ao Grêmio em abril de 2024, vindo do Atlético-MG, Edenilson acumulou 91 jogos, contribuindo com nove gols e nove assistências. Sua versatilidade e entrega tática o tornaram peça fundamental no esquema de todos os quatro técnicos que passaram pelo clube neste período: Renato Portaluppi, Gustavo Quinteros, Mano Menezes e Luís Castro. Esses comandantes frequentemente o elogiaram pela disciplina tática e pela capacidade de cumprir funções diversas, muitas vezes atuando fora de sua posição de origem, como segundo volante.
A adaptação de Edenilson a funções mais adiantadas no meio-campo, especialmente em virtude da irregularidade de meias de criação como Cristaldo e Galdino, o expôs em momentos cruciais. Essa necessidade de preencher lacunas táticas, embora valorizada internamente, acabou por posicioná-lo como um dos símbolos de um período de desempenho aquém do esperado para a tradição gremista.
Liderança Interna e Respaldo no Vestuário
Enquanto as arquibancadas manifestavam sua insatisfação, Edenilson desfrutava de um forte respaldo dentro do vestiário. Reconhecido como um líder e um dos pilares do grupo, o jogador porto-alegrense chegou a ostentar a braçadeira de capitão. Sua permanência no clube, inclusive, foi defendida veementemente por figuras importantes. No final de 2025, o elenco, o técnico Mano Menezes e o coordenador técnico Luiz Felipe Scolari manifestaram o desejo de sua renovação.
Luiz Felipe Scolari, em novembro do ano passado, destacou a importância de Edenilson para a estabilidade da equipe: “Eu gosto. É o que deu muita estabilidade ao time do Grêmio. Algumas pessoas dizem que é um jogador que o Felipe gosta, que o Mano gosta. Qualquer treinador gostaria de ter o Edenilson. Muito bom, organizador, sério, compenetrado”, afirmou Felipão.
Mesmo com a aceitação de uma redução salarial para permanecer no Tricolor, a virada de ano, acompanhada por uma troca de gestão e comissão técnica, não trouxe um novo cenário para o atleta, que seguiu sob escrutínio.
O Futuro Imediato em Outras Cores
A rescisão contratual com o Grêmio, que originalmente iria até o final de 2024, abre caminho para Edenilson se transferir para o Botafogo. O jogador já se encontra no Rio de Janeiro para assinar um novo vínculo com o clube carioca, também válido até dezembro deste ano. A mudança para o futebol carioca representa um novo capítulo na carreira do experiente volante, que busca reencontrar a estabilidade e o bom desempenho longe da pressão que o acompanhou no Sul.
A trajetória de Edenilson no futebol gaúcho é um estudo de caso sobre a dualidade de percepções no esporte: o reconhecimento técnico e a valorização tática por parte dos profissionais da área, contrastando com a impaciência e a cobrança intensa por parte de parte da torcida. Seus quase dois anos de Grêmio, assim como sua passagem pelo Internacional, deixam um legado de polêmicas e debates sobre o papel de jogadores que, embora úteis em campo para os treinadores, nem sempre conquistam a unanimidade entre os apaixonados pelo clube.

