Jogadores declaram paralisação com base na Lei Geral do Esporte
O elenco da Ponte Preta anunciou, em nota oficial divulgada neste sábado (22/12/2025), a paralisação temporária das atividades. A decisão, tomada por jogadores remanescentes da conquista da Série C e novos contratados, visa pressionar a diretoria pela quitação de salários e direitos de imagem atrasados, que em alguns casos chegam a sete meses. A medida é amparada pelo parágrafo 5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte, que permite ao atleta profissional recusar-se a competir quando os pagamentos estiverem em atraso por dois ou mais meses.
Jogo-treino cancelado e novas promessas da diretoria
Como protesto, o jogo-treino contra o Rio Branco, previsto para este sábado, foi cancelado a pedido dos atletas. A assessoria de imprensa da Ponte Preta informou que o clube compreende a posição do grupo. Segundo o clube, um valor que seria utilizado para quitar parte das pendências na sexta-feira não foi liberado por motivos alheios à vontade da diretoria. Um novo prazo foi estipulado para que a diretoria quite um combinado – não a totalidade dos salários – entre a segunda e terça-feira (22 e 23 de dezembro).
Atrasos se estendem por meses e geram saídas no clube
Os atrasos salariais na Ponte Preta se intensificaram a partir de junho, com pendências que podem chegar a oito meses para profissionais do departamento de futebol e categorias de base. Apesar das dificuldades extracampo, o elenco conseguiu o acesso à Série B e o primeiro título nacional do clube em 125 anos. A expectativa de que os pagamentos fossem regularizados até o fim do ano não se concretizou, gerando insatisfação e levando a duas saídas recentes: Léo Oliveira, com contrato para 2026, e Gabriel Inocêncio, que ficou apenas três dias no clube e acertou com o Botafogo-SP.
Crise financeira pode gerar novas baixas e afeta funcionários
A incerteza em relação ao futuro financeiro do clube é grande, e não se descarta novas saídas de jogadores durante a pré-temporada caso as pendências não sejam solucionadas. Além dos atletas, funcionários do CT do Jardim Eulina, do estádio e do Clube Paineiras também enfrentam atrasos em dezembro, sem o pagamento do 13º salário até o momento. Desde a posse do novo presidente, Luiz Antônio Torrano, em 1º de dezembro, não houve uma conversa oficial com todo o elenco, mantendo o contato direto com os jogadores sob responsabilidade do vice-presidente e diretor de futebol, Marco Antonio Eberlin, além do coordenador João Brigatti e do gerente Ricardo Koyama.

