Estádio Ademir Cunha: Um palco de lendas do futebol brasileiro
O Estádio Ademir Cunha, situado no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, é palco de capítulos pouco conhecidos, mas extremamente especiais, da história do futebol nacional. Entre momentos simbólicos, destaca-se a passagem de Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas, que em 23 de julho de 1981, plantou a primeira muda de grama do campo ainda em construção, gesto que marcou a inauguração do local e o carinho da população local.
O encontro entre Garrincha e o curió: um momento inesquecível
Mané Garrincha, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira, visitou Paulista para a cerimônia que oficializou o estádio. De acordo com Ademir Cunha, ex-prefeito e nome do estádio, o craque solicitou apenas três itens para sua estadia: ficar no hotel da ponte giratória (que não funcionava mais na época), um pássaro curió e o cachê de dois mil cruzeiros. O pedido curioso do curió foi atendido, e Mané, mesmo em meio à fama, mostrou-se uma pessoa humilde e atenciosa com os fãs.
Durante a visita, Garrincha participou de uma entrevista à TV Globo diretamente do estádio e, após plantar a muda de grama, almoçou com autoridades locais, sempre distribuindo autógrafos e simpatia. Ademir Cunha até o levou para tomar café na casa de seu pai, onde o craque demonstrou gestos simples que impressionaram o ex-prefeito.
Um estádio com história e homenagem inesperada
Inaugurado oficialmente em 9 de maio de 1982, o Estádio Ademir Cunha custou inicialmente cerca de 300 milhões de cruzeiros e comportava 30 mil torcedores. Foi também o primeiro estádio em Pernambuco a contar com placar eletrônico. A abertura marcou a vitória do Sport sobre o Paulistano por 2 a 0.
A homenagem que nomeou o estádio não foi planejada inicialmente para Ademir Cunha. A intenção era batizá-lo em homenagem ao esportista local Antônio Amaro Bezerra, mas, sem autorização da família, o nome do ex-prefeito foi aprovado por moção na Câmara dos Vereadores, gerando polêmica, mas resultando em reconhecimento pela sua contribuição.
Garrincha e sua ligação com Pernambuco
Apesar de nascido no Rio de Janeiro, Garrincha possuía raízes no interior de Pernambuco por meio de seu pai, membro da tribo indígena Fulni-ô. Durante sua carreira, enfrentou clubes pernambucanos, como o Náutico, que o derrotou em 1955 na Ilha do Retiro. Depois de aposentado, o craque continuou presente em jogos amistosos pelo estado, defendendo times locais e encantando a torcida.
Rivaldo e o início promissor no Estádio Ademir Cunha
Décadas depois, o gramado que recebeu Garrincha também viu nascer a carreira de Rivaldo, um dos maiores talentos do futebol brasileiro. O meia começou nas categorias de base do Paulistano em 1989, fazendo seus primeiros treinos sob o olhar atento de Ademir Cunha, que já reconhecia o potencial do jovem jogador. Logo em seguida, Rivaldo foi contratado pelo Santa Cruz e iniciou sua trajetória vitoriosa que o levaria a brilhar em clubes nacionais e internacionais.
O estádio ainda recebeu, após uma reforma em 1990, partidas importantes como a goleada da Seleção Brasileira Master sobre a equipe local, em uma partida que contou com astros como Rivelino e Wladimir, viabilizada por um sorteio criativo realizado pelo ex-prefeito.
Atualmente, o Estádio Ademir Cunha mantém uma estrutura modesta e uma rotina discreta, como em 2025, quando sediou partidas da Série A2 do Campeonato Pernambucano pelo Vera Cruz. Mesmo distante dos grandes holofotes, o local permanece um símbolo de histórias inesquecíveis do futebol brasileiro e de seus protagonistas.

