Entenda o embate entre os rivais e a disputa por um atleta que gerou exclusão do Corinthians de grupo de formação.
A rivalidade entre Palmeiras e Corinthians se estende para as categorias de base, e um caso envolvendo aliciamento de um jovem atleta de 14 anos em janeiro de 2025 expôs as tensões e versões conflitantes entre os clubes. Documentos obtidos pelo ge revelam os valores apresentados nas propostas de negociação e a cronologia dos fatos que culminaram na exclusão do Corinthians do Movimento de Clubes Formadores (MCF).
As Propostas e a Cronologia do Conflito
O desentendimento teve início com uma denúncia do Palmeiras contra o Corinthians pelo aliciamento de um atleta. O Timão reconhece ter falhado na condução do caso. Conforme apurado, o Palmeiras apresentou três propostas formais entre abril e novembro de 2025 para tentar resolver a situação. A última foi revogada em 10 de novembro, após um mês sem resposta do clube alvinegro.
Inicialmente, o Corinthians alegou ter oferecido a devolução do jogador ou o pagamento de uma multa de R$ 3 milhões. No entanto, esses valores não constam nas propostas formalizadas pelos clubes. Erasmo Damiani, atual executivo da base corintiana, assumiu o cargo em 20 de outubro de 2025, após a maioria das propostas do Palmeiras terem sido enviadas. Ele buscou a mediação da Federação Paulista de Futebol (FPF) e reclama da postura do coordenador da base alviverde, João Paulo Sampaio.
Troca de Acusações e a Mediação da FPF
Damiani questionou a atitude do Palmeiras, insinuando vingança e falta de princípios. Em resposta, João Paulo Sampaio afirmou que o clube tenta resolver o assunto há um ano, com três propostas frustradas. Damiani, por sua vez, reiterou sua disposição para um acordo amigável e apontou o Palmeiras como o clube que encerrou as conversas.
A disputa também envolveu erros formais em documentos, como o Palmeiras ter escrito “Sociedade Esportiva Palmieras” em uma proposta e o Corinthians ter grafado “Pameiras” em um documento de revogação. O Corinthians alega que o Palmeiras utiliza a situação para mantê-lo fora do MCF e obter vantagem financeira, resultando na saída de três jogadores de sua base.
Valores e Detalhes das Propostas
- Abril de 2025: 1ª proposta do Palmeiras: 50% dos direitos econômicos do atleta em contrato profissional e R$ 2 milhões de indenização.
- 25 de agosto de 2025: Mudança de gestão no Corinthians.
- 25 de setembro de 2025: 2ª proposta do Palmeiras: 50% dos direitos econômicos e R$ 1 milhão de indenização.
- 9 de outubro de 2025: Corinthians propõe pagamento da indenização (R$ 1 milhão) somente após a primeira partida oficial completa do atleta como profissional. Anexo com depoimento dos pais do atleta e a informação de que o garoto estava “à disposição”. O Palmeiras considerou a proposta “indecente”.
- 10 de outubro de 2025: Contraproposta do Palmeiras: 70% dos direitos econômicos, com opção de compra de mais 20% por R$ 1 milhão.
- 20 de outubro de 2025: Erasmo Damiani assume no Corinthians.
- 22 de outubro de 2025: Damiani conversa com Sampaio; Sampaio envia a contraproposta do Palmeiras.
- 6 de novembro de 2025: Palmeiras não comparece a reunião na FPF, alegando falta de resposta do Corinthians.
- 10 de novembro de 2025: Palmeiras revoga a proposta via e-mail à FPF.
- 11 de novembro de 2025: Corinthians envia nova proposta após a revogação: 40% dos direitos econômicos e R$ 500 mil parcelados, com opção de compra de mais 10% por R$ 1 milhão.
Consequências da Exclusão do MCF
Com a falta de resolução, o Corinthians permanece fora do Movimento de Clubes Formadores, o que o impede de disputar torneios não oficiais de base e o limita às competições organizadas pela FPF e CBF. O impacto é maior para as categorias sub-15 e sub-13, que têm um calendário restrito. Além disso, a exclusão permite que outros clubes, como o Palmeiras, tentem contratar atletas da base alvinegra.

