Gigante do Futebol em Disputa Judicial: FGoal Busca Reparação Após Rompimento Contratual com o São Paulo
O Tricolor Paulista se encontra no centro de uma polêmica judicial. A empresa FGoal protocolou uma ação legal contra o São Paulo Futebol Clube, alegando que o clube encerrou unilateralmente um contrato vigente para o fornecimento de alimentos e bebidas em eventos realizados no Estádio do Morumbi. A FGoal busca compensação financeira por diversos tipos de danos, além de uma multa contratual.
Detalhes da Ação Judicial
A FGoal ingressou com o processo na 15ª Vara Cível do Foro Regional do Butantã, solicitando indenizações por danos morais, materiais e emergentes, além de cobrir lucros cessantes e uma multa por descumprimento do acordo. O caso está sob sigilo judicial, e a juíza responsável já autorizou o andamento da ação, embora o São Paulo ainda não tenha sido formalmente notificado sobre a demanda.
A origem do conflito remonta ao início de março de 2026. A diretoria do São Paulo acusou a FGoal de realizar saques considerados indevidos em um sistema de pagamentos ligado às máquinas de cartão utilizadas nas dependências do clube social. Com base nessas alegações, o clube notificou a FGoal e determinou a suspensão dos serviços em dias de eventos a partir de 6 de março, respeitando o período de aviso prévio estipulado.
A Atuação da FGoal no Morumbi e no Clube Social
Em sua defesa judicial, a FGoal argumenta que possuía autorização para operar não apenas no estádio, mas também no clube social do São Paulo. A empresa alega que o então diretor social do clube, Antonio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, teria solicitado a implementação de um sistema de saques. O objetivo seria combater a inadimplência entre os concessionários, com a aplicação de uma taxa inicial de 10% sobre os valores.
A FGoal afirma que os recursos provenientes desses saques eram utilizados para cobrir os custos de três funcionários dedicados à fiscalização e manutenção das máquinas de pagamento, um gasto mensal estimado em R$ 13 mil. A empresa também relata que este acordo, que perdurou por um ano e sete meses, contou com a aprovação da diretoria social, apesar de não ter sido formalizado por escrito.
Contrato Original e Versões Divergentes
De acordo com apurações, o São Paulo defende que os serviços prestados pela FGoal no clube social não faziam parte do escopo do contrato original. O clube alega que a permissão para tais operações teria sido concedida verbalmente por dirigentes da gestão anterior, sob a presidência de Julio Casares. O montante total dos valores sacados pela FGoal ainda está sob análise detalhada.
O clube paulista mantém um contrato com a empresa Zig, responsável pela solução de pagamentos, e repassa uma taxa de administração de 3,5% sobre todas as transações realizadas pelas maquininhas. Segundo o São Paulo, foram justamente os relatórios gerados pela própria Zig que levantaram suspeitas junto ao departamento jurídico do clube sobre as movimentações financeiras.
Por outro lado, a FGoal contesta essa versão, afirmando que o departamento jurídico do São Paulo era incluído em comunicações por e-mail sobre a operação, o que indicaria o conhecimento prévio do clube sobre a atividade. A empresa alega que a atuação era transparente e de ciência da diretoria.
Mudança de Gestão e Motivação Política
A rescisão contratual ocorreu após a posse da nova gestão, liderada por Harry Massis. O São Paulo rescindiu o contrato alegando supostas irregularidades na conduta da FGoal no clube social. No processo movido pela FGoal, a empresa sugere que a decisão de rescisão teve motivações de caráter político, buscando desvincular a ação de possíveis problemas operacionais.
A reportagem buscou contato com o São Paulo para obter um posicionamento oficial sobre a ação judicial e as alegações apresentadas pela FGoal, mas até o fechamento desta matéria, o clube não havia se manifestado publicamente sobre o caso.
Este impasse judicial adiciona mais um capítulo às complexas relações entre clubes esportivos e seus fornecedores, destacando a importância da clareza contratual e da formalização de acordos para evitar disputas futuras. A resolução deste caso poderá estabelecer precedentes sobre a interpretação de contratos e acordos verbais no âmbito esportivo.

