Um anúncio efêmero e uma reviravolta inesperada
O Campeonato Carioca deste sábado (data) reserva um reencontro peculiar em Bacaxá. Gilson Kleina, atual técnico do Boavista, enfrentará o Fluminense, clube que ele anunciou oficialmente como seu treinador em 2011, mas que nunca chegou a comandar. A passagem de Kleina pelo Tricolor carioca durou, pasmem, cerca de duas horas, em uma história marcada por desencontros, choque de versões e imbróglio entre as diretorias dos clubes.
A busca por um interino e a escolha por Kleina
A saga começou em março de 2011, quando Muricy Ramalho, então campeão brasileiro pelo Fluminense em 2010, deixou o comando da equipe. Com a contratação de Abel Braga encaminhada para assumir o time na metade do ano, o Fluminense precisava de um nome para preencher a lacuna de treinador interino pelos três meses seguintes. Os planos A e B, Levir Culpi e Adilson Baptista, recusaram a oferta. Foi então que o nome de Gilson Kleina, que se destacava na Ponte Preta, surgiu como opção.
Anúncio oficial e a pressão da Ponte Preta
Tudo parecia certo. O Fluminense anunciou oficialmente a contratação de Gilson Kleina. No entanto, poucas horas depois, a Ponte Preta divulgou uma nota oficial afirmando que o treinador permaneceria em Campinas. A diretoria tricolor, apressada em fechar o acordo, acreditava que o acerto estava sacramentado, mas o contrato formal não havia sido assinado. A pressão da Ponte Preta surtiu efeito, e Kleina recuou.
A consciência e a transparência de Kleina
Em declarações à época, Gilson Kleina explicou sua decisão: “Eu tive uma bela proposta, bem tentadora. Era um contrato de três meses e o valor financeiro não tem como comparar. Alguém passou que eu já tinha decidido, mas não foi isso. Fui transparente e disse que ainda tinha uma conversa com a Ponte Preta. Eu iria sair pela porta dos fundos e entrar em litígio. A minha consciência vale mais do que tudo. Minha carreira é curta, mas está sendo muito verdadeira e transparente. Foi a Ponte Preta que me colocou em notoriedade.”
O Fluminense segue com Enderson Moreira até Abel Braga
Com a reviravolta, o Fluminense permaneceu sem um treinador fixo. Enderson Moreira, que integrava a comissão técnica do time B do Internacional e havia sido contratado para ser auxiliar permanente do Fluminense, acabou assumindo o comando da equipe até a chegada de Abel Braga, que viria a conquistar o Campeonato Brasileiro de 2012 pelo clube.
Reencontro em Bacaxá
Agora, 15 anos após esse episódio peculiar, Fluminense e Gilson Kleina se reencontram no Campeonato Carioca. A partida entre Boavista e Fluminense, válida pela segunda rodada do torneio, acontece neste sábado, às 18h30, no Estádio Elcyr Resende, em Bacaxá. O Fluminense chega para o confronto embalado pela vitória na estreia contra o Madureira por 2 a 1.

