O goleiro Neguete, do Madureira, foi o grande nome na partida contra o Vasco pelo Campeonato Carioca, saindo como herói após defender um pênalti e o rebote, garantindo o empate para sua equipe. Aos 35 anos e vestindo a camisa de seu 19º clube, Willian Fernando Nobre, o Neguete, tem uma carreira marcada por uma longa jornada pelo futebol brasileiro.
Inspiração em Fábio e a busca por um sonho
A longevidade de goleiros como Fábio, do Fluminense, serve de inspiração para Neguete. “Eu até falei depois do jogo, o Fábio (do Fluminense) está prolongando a carreira de muita gente (risos). Daqui a pouco está com 50 anos jogando em alto nível, e o pessoal: ‘então o goleiro pode jogar até com essa idade’. Eu sempre falo com os meninos mais novos: sonhar coisas boas e ruins você vai gastar a mesma energia, então é melhor sonhar com coisas boas. Se o Vasco, ou qualquer um dos grandes chegasse para me contratar, iria ser uma bênção. Eu sigo trabalhando forte, eu sei que a vida de goleiro é de muitos altos e baixos”, contou.
Sobre a partida contra o Vasco, Neguete ressaltou a importância do resultado. “Foi uma partida difícil, contra um gigante do futebol brasileiro (o Vasco). Sabíamos da dificuldade que iríamos enfrentar, então tentei estar o mais concentrado possível para quando fosse exigido, pudesse de fato ajudar a equipe. Fui coroado defendendo o pênalti, ajudando a equipe a sair com o empate, que para a gente foi muito importante em busca dessa classificação”, disse.
Um currículo extenso e o brilho no Espírito Santo
O goleiro acumula passagens por clubes como Villa Nova-MG, Boa Esporte, Caldense, Tupi, Sampaio Corrêa, Portuguesa-RJ, Paraná, Brasiliense, entre outros. No entanto, o auge de sua carreira foi no Espírito Santo, onde conquistou três títulos estaduais consecutivos (2023, 2024 e 2025) pelo Rio Branco-ES e Real Noroeste. Em uma dessas conquistas, Neguete foi decisivo ao defender dois pênaltis em uma disputa que o time reverteu, saindo de um placar desfavorável de 2 a 0.
As dificuldades do futebol fora da elite
Apesar dos momentos de glória, a trajetória de Neguete também é marcada por instabilidade e dificuldades financeiras. “O futebol é muito limitado à nata, o 1%, a galera que recebe bem, que tem uma estabilidade. É complicado. Com o encurtamento das datas dos estaduais, acaba que, no início de fevereiro, vou ter vários amigos desempregados já no início do segundo mês do ano. É muito difícil para um pai de família. Eu acho que a maioria dos jogadores já passou por uma dificuldade, eu mesmo fiquei seis, sete meses sem receber. Família praticamente sustentando, um mandando dinheiro de cá, outros mandando dinheiro de lá. Foi bem no início da carreira”, relatou.
Reencontro e elogios de antigo comandante
No jogo contra o Vasco, Neguete reencontrou Ricardo Cobalchini, seu ex-treinador no Rio Branco-ES e que hoje é auxiliar de Fernando Diniz. Cobalchini elogiou o goleiro: “O Neguete é um atleta muito solidário, muito coletivo, que exerce no grupo um papel de liderança muito forte. No Rio Branco, além de ser um bom goleiro, ele crescia nos momentos de pressão, e ajudava sempre os companheiros e os outros goleiros a evoluir.”
Madureira, uma das surpresas do Carioca
O Madureira vive um bom momento no Campeonato Carioca, figurando na segunda posição do grupo B. A equipe está próxima de garantir uma vaga no mata-mata. Neguete analisa a competição: “O Campeonato Carioca é muito pesado. Estamos tendo uma disputa muito igualitária. O time que ganha nessa rodada, perde na outra. O grande que você acha que vai despontar acaba perdendo pontos para os outros grandes e também para os clubes de menor investimento. A questão do encurtamento das datas acabou dando essa possibilidade de ser uma competição mais disputada ainda, com um nível ainda mais igual”, finalizou.

