O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovou nesta sexta-feira (16) o impeachment do presidente Julio Casares, marcando um momento de grande turbulência política e institucional no clube. Com 188 votos a favor do afastamento, superando os 171 necessários (dois terços do total de conselheiros), contra 45 votos pela rejeição e dois em branco, a decisão impõe a Casares o afastamento temporário imediato da presidência. A votação, secreta e realizada de forma híbrida – presencial no Morumbis e virtual – abre caminho para uma nova fase na gestão do Tricolor.
O que acontece agora no São Paulo?
Com a aprovação do impeachment pelo Conselho Deliberativo, o presidente do órgão, Olten Ayres, deverá convocar uma Assembleia Geral em até 30 dias. Nesse encontro, os sócios do clube terão a palavra final para votar e definir se o afastamento de Julio Casares será definitivo ou não. Enquanto na votação do Conselho eram necessários dois terços dos votos para o impeachment, na Assembleia dos sócios basta maioria simples para que Casares seja destituído de forma permanente. Na prática, o resultado desta sexta-feira sinaliza fortemente para o afastamento definitivo do mandatário, a menos que ocorra uma reviravolta inesperada.
Quem assume a presidência do Tricolor?
De acordo com o Estatuto Social do São Paulo, o vice-presidente da atual gestão assume imediatamente o comando. Assim, Harry Massis Júnior, empresário de 80 anos e sócio do clube desde 1964, assume a presidência interinamente. Massis Júnior, que é conselheiro vitalício e já exerceu funções como diretor adjunto de futebol (2001-2002) e diretor adjunto administrativo (1992-1993), permanecerá no cargo até o término do mandato do presidente destituído, ou seja, até o fim de 2026.
As denúncias que levaram ao impeachment de Casares
A gestão de Julio Casares, que havia sido reeleito em 2023 com mandato até o final de 2026, tem sido alvo de crescentes pressões políticas e uma série de investigações. O grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou o pedido de impeachment com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social, reunindo 57 assinaturas, incluindo de antigos aliados. A sequência de escândalos e inquéritos da Polícia Civil e do Ministério Público pesou na decisão do Conselho:
- Esquema de ingressos: Em dezembro de 2023, foi revelado um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em camarotes do Morumbis, citando nominalmente Mara Casares (diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente) e Douglas Schwartzmann (diretor adjunto de futebol de base), que pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso.
- Desvio na venda de atletas: Ainda em dezembro, o UOL divulgou que a Polícia Civil também investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de jogadores, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares. Este escândalo impulsionou o grupo de conselheiros da oposição a protocolar o pedido de impeachment.
- Movimentações financeiras suspeitas: Em janeiro deste ano, relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontaram que Julio Casares teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.
- Saques do clube e empresas de ex-diretor: Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, totalizando R$ 11 milhões. A Polícia Civil passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube, buscando entender a ligação com os possíveis desvios.
- Inquérito do Ministério Público: Na véspera da votação de impeachment, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais. Nomes como o próprio Julio Casares, membros da diretoria, Samir Xaud (presidente da CBF) e Reinaldo Carneiro Bastos (presidente da Federação Paulista de Futebol) podem ser convocados para prestar informações.
A decisão do Conselho Deliberativo reflete a gravidade da crise institucional e a crescente pressão sobre a cúpula são-paulina, colocando o futuro definitivo da presidência do clube nas mãos dos sócios nos próximos dias.

