O Desempenho Brasileiro na Edição Centenária
A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, realizada na manhã desta quarta-feira, consolidou o prolongado jejum de vitórias brasileiras na tradicional prova. Enquanto os pódios masculino e feminino foram dominados por atletas estrangeiros, um brasileiro se destacou não apenas pelo terceiro lugar, mas também por um forte apelo em defesa de melhores condições de treinamento para os corredores nacionais. Fábio Jesus Correia, o melhor atleta do país na edição centenária, pediu a liberação de pistas de atletismo, ressaltando que “todos merecem um local para treinar”.
Na elite feminina, a tanzaniana Sisilia Panga conquistou o primeiro lugar com o tempo de 51min08s. Entre as brasileiras, Núbia de Oliveira garantiu a terceira posição, marcando 52min24s e repetindo seu melhor desempenho pelo segundo ano consecutivo. No masculino, o etíope Muse Gizachew foi o campeão, finalizando a prova em 44min28s. Fábio Jesus Correia, com 45min06s, assegurou o terceiro lugar e foi o grande nome do Brasil nesta edição, superando Johnatas Cruz, que ficou em quarto.
A última vez que o Brasil viu um atleta no topo do pódio masculino foi em 2010, com o tricampeão Marilson Gomes dos Santos. Antes disso, ele já havia vencido em 2003 e 2005. No feminino, a última vitória nacional data de 2006, com Lucélia Peres. Essa sequência sem títulos ressalta a importância do apelo de Fábio Jesus por mais apoio e infraestrutura.
O Apelo de Fábio Jesus Correia por Melhorias
Após cruzar a linha de chegada e garantir um lugar no pódio da São Silvestre centenária, Fábio Jesus Correia expressou sua gratidão e os desafios enfrentados. “Primeiramente, quero agradecer a Deus, não somos nada sem ele, agradecer por me colocar no pódio da São Silvestre. A gente vem preparado para buscar o primeiro colocado. Todo brasileiro vem com esse objetivo, mas não é fácil conseguir, porque a prova é muito dura. Os africanos, quando vêm, não vêm pra brincadeira. Essa terceira colocação na prova centenária, só tenho que agradecer a toda equipe, meu treinador. Treinamos na rua, as pistas todas fechadas. No Brasil, é muito difícil chegar nesse patamar. E chegar aqui… só gratidão”, declarou em entrevista à Gazeta Esportiva.
O atleta baiano revelou que, ao contrário de muitos competidores internacionais que buscam treinos em altitude, sua preparação ocorreu em São Paulo, na USP e no asfalto, enfrentando condições desafiadoras. “Muitos atletas foram treinar na altitude, lá fora, e treinamos aqui, na USP, no asfalto. É um terreno meio complicado. Aqui não tem altitude, estamos sozinhos. Chegamos aqui com esse grande resultado. Eu peço aqui para quem for nos ouvir, para liberar as pistas, pelo menos para os atletas que têm a CBAt. Todos merecem um local para treinar. Às vezes, somos barrados. E com essa garra, conseguimos chegar aqui e dar nosso melhor”, apelou o corredor, destacando a necessidade de acesso a infraestrutura adequada para o desenvolvimento do atletismo no país.
A Recompensa e os Desafios da Prova
Pelo terceiro lugar, Fábio Jesus Correia foi premiado com R$ 18.800,00. A prova, conhecida por sua intensidade e pelo forte calor de São Paulo, exigiu muito dos atletas. “Depois dos 5km, passamos muito forte, muito rápido, uma hora começamos a sentir. Depois dos 6km, começou a dar uma pesada ali, mas comecei a retomar meu pace. Viemos com o objetivo de fazer 44min, mas o importante é estar no pódio e fazer história”, finalizou o brasileiro, valorizando a conquista em uma das corridas de rua mais desafiadoras do mundo.
A Relevância da 100ª Edição da São Silvestre
A Corrida Internacional de São Silvestre, prova de rua mais tradicional do Brasil, celebrou sua 100ª edição reunindo cerca de 55 mil participantes. Além das elites masculina e feminina, diversas categorias como PCDs, Cadeirantes e o Pelotão coloriram as ruas de São Paulo. A relevância histórica da prova foi reconhecida com a condecoração da Salva de Prata pela Câmara Municipal de São Paulo, em uma sessão solene que homenageou a Fundação Cásper Líbero pela organização do evento. A celebração do centenário, no entanto, foi marcada pelo pedido de um de seus heróis nacionais por um futuro com mais apoio ao esporte.

