A trajetória de Naarã Lucas no futebol, promissor meia do Fluminense, esteve perto de um fim precoce. Aos 17 anos, o jogador que já veste a camisa 10 do sub-20 e foi campeão Sul-Americano sub-17 com a Seleção Brasileira, precisou lidar com uma fratura gravíssima no tornozelo direito pouco antes de completar 15 anos. A lesão, sofrida em um clássico contra o Vasco, o afastou dos gramados por sete meses e trouxe consigo o fantasma da amputação, mas também a oportunidade de receber apoio fundamental de figuras como o lateral Marcelo.
O Quase Fim da Carreira e a Luta pela Recuperação
A carreira de jovem atleta é repleta de desafios, e para Naarã Lucas, a principal lição veio cedo demais. Destaque nas categorias de base do Fluminense e convocado para a Seleção sub-15, o meia sofreu uma entrada dura que resultou em uma fratura complexa no tornozelo direito. O susto foi imenso: em um hospital, ouviu que um atraso na cirurgia poderia ter levado à amputação da perna. A recuperação, no entanto, foi marcada por complicações nervosas que afetaram os movimentos do pé, tornando o processo ainda mais doloroso e incerto. Foram sete meses de tratamento intensivo no CT Carlos Castilho, onde a esperança de voltar a jogar parecia se esvair.
Marcelo e Filé: Apoio Essencial na Retomada
Nesse período turbulento, duas figuras se tornaram pilares na recuperação de Naarã: o experiente lateral Marcelo e o fisioterapeuta Filé. Marcelo, em especial, demonstrou um carinho paternal pelo jovem, acolhendo-o e oferecendo conselhos valiosos. “Ele me viu lá, me abraçou e talvez nem saiba disso, mas foi muito importante na minha recuperação. Acho que ter esse carinho, ter me abraçado, ajudado e dado conselhos, foi fundamental”, relatou Naarã, ressaltando a inspiração de ver um ídolo como Marcelo, com uma carreira vitoriosa no Real Madrid, retornar ao Fluminense com tamanha humildade.
Um Camisa 10 com DNA de Goleador e Herança Familiar
Naarã Lucas se define como um meia-atacante, um camisa 10 com faro de gol e capacidade de criação. Apesar de ter começado a carreira como centroavante, sua estatura atual de 1,85m e sua visão de jogo o consolidaram no meio-campo. A maturidade em campo é, em parte, reflexo da influência paterna. Filho do ex-atacante Milson Ferreira, com passagens pelo Botafogo e Al-Nassr, Naarã recebe conselhos constantes do pai, que, mesmo com uma abordagem por vezes crítica, contribui para seu desenvolvimento. “Eu sempre escuto, tento fazer o que ele pede dentro de campo e acho que isso me ajuda bastante”, afirmou o jovem.
O Futuro Tricolor e a Busca por um Lugar na Seleção
Integrando a talentosa geração de 2008, que também conta com Wesley Natã e Arthur Ryan, Naarã Lucas já se firmou como titular no sub-20 e ostenta a camisa 10. A posição de camisa 10, historicamente desafiadora para o futebol brasileiro, é um dos focos de sua ambição. Inspirado por craques como Kaká, Zidane e, no futebol atual, Bellingham, Naarã sonha em brilhar com a mesma camisa que um dia vestiram Rivellino, Assis e Ganso. Sua principal lição é a paciência e a força mental, construídas a partir da superação. “Sempre digo: calma, não precisa ter pressa. E foi o que eu tive. Não tive pressa. Com calma, consegui melhorar. Sempre acreditei, mas lá no fundo ainda pensava: ‘será que vou conseguir voltar mesmo?’ Consegui e hoje estou novamente em um nível alto”, concluiu.

