Presidente do Palmeiras defende postura firme e questiona reações de rivais sobre arbitragem
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, utilizou um tom ácido para rebater as contestações do São Paulo a decisões de arbitragem após a derrota do Tricolor paulista por 2 a 1 na semifinal do Campeonato Paulista. Em um momento de declarações após um Conselho Técnico da FPF, que definiu os detalhes da final do estadual, Pereira direcionou suas críticas à forma como o rival abordou o tema, sugerindo uma disparidade de tratamento baseada em gênero.
A dirigente alviverde enfatizou a importância do reconhecimento de erros para o aprimoramento das equipes e do esporte como um todo. Contudo, ressaltou que discussões aprofundadas sobre arbitragem devem ocorrer em fóruns apropriados, e não através de manifestações públicas na imprensa, que, em sua visão, configuram “chiliques” e “escândalos”.
A alegação de duplo padrão
Leila Pereira explicitou sua percepção de que, como mulher no comando de um clube de futebol, uma reação mais veemente a decisões de arbitragem seria imediatamente rotulada como “histérica”. Ela contrastou essa suposta reação com a de dirigentes homens, que, segundo ela, frequentemente “terceirizam a responsabilidade” e “se destemperam” em suas falas públicas, sem que isso gere o mesmo tipo de julgamento.
“Vocês só melhoram quando reconhecem os erros. Só discuto arbitragem com as pessoas capacitadas para isso, não é na imprensa, não é dando chilique, escândalo. Vou te falar, se sou eu, uma mulher, reclamando de arbitragem, vão dizer que sou histérica”, declarou a presidente, em uma fala que gerou repercussão imediata.
Ela acrescentou: “Mas vocês veem dirigentes homens falando de arbitragem, sendo histéricos, terceirizando a responsabilidade. Ontem (domingo) mesmo vocês viram isso. Vocês nunca vão ver a presidente do Palmeiras se destemperando por causa de arbitragem”.
O contexto da polêmica
As declarações de Leila Pereira surgiram em resposta direta às falas de Rui Costa, dirigente do São Paulo, que expressou insatisfação com a atuação do VAR na partida contra o Palmeiras. O Tricolor paulista pleiteava um pênalti em um lance de toque de mão do zagueiro Gustavo Gómez, que ocorreu quando a equipe perdia por 1 a 0. Costa, embora tenha isentado a árbitra de campo, Daiane Muniz, de culpa direta e elogiado sua atuação em jogos anteriores, pontuou que o árbitro de vídeo, Thiago Duarte Peixoto, deveria ter sido acionado para revisar a jogada.
A não marcação do pênalti foi seguida por um gol do Palmeiras, que ampliou o placar para 2 a 0 com Flaco López. Posteriormente, o São Paulo diminuiu com um pênalti convertido por Calleri, lance que também gerou questionamentos por parte do Palmeiras, que alegou uma disputa irregular entre Marlon Freitas e Bobadilla dentro da área.
Postura institucional e responsabilidade
Leila Pereira reiterou sua própria filosofia de gestão, enfatizando que prefere não comentar decisões de arbitragem publicamente. Segundo ela, quando há a percepção de um erro claro, o caminho é o diálogo direto com as entidades competentes, como a Federação Paulista de Futebol (FPF) ou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e não a exposição midiática.
“Eu sou uma dirigente que não comenta decisões de arbitragem para a imprensa. Quando nos entendemos que existe algum erro claro, conversamos com as pessoas que estão aqui para resolver, para nos ouvir. Seja a Federação Paulista ou a CBF. Eu não gosto de terceirizar responsabilidades”, afirmou.
A presidente do Palmeiras também utilizou exemplos passados para reforçar seu ponto de vista. Ela mencionou a final da Libertadores, onde, segundo ela, mesmo diante de problemas, não terceirizou a responsabilidade pela derrota, focando na necessidade de a equipe ter jogado melhor. Para Leila Pereira, a prática de atribuir culpas externas, como a arbitragem, pode criar uma “zona de conforto” perigosa para os clubes.
“Existem, sim, alguns erros, contra o Palmeiras, a favor do Palmeiras, contra outros clubes, a favor de outros clubes. Os problemas que tivemos na (final da) Libertadores, por exemplo, eu não terceirizei a responsabilidade. Houve um problema na final, mas vocês não viram a presidente reclamando da arbitragem. Falei que deveríamos ter jogado melhor, a responsabilidade era nossa. Eu acho muito perigoso dar a zona de conforto para o clube”, concluiu.
A postura de Leila Pereira sinaliza um posicionamento estratégico do Palmeiras em relação às polêmicas de arbitragem, buscando manter o foco em aspectos técnicos e de performance, ao mesmo tempo em que levanta um debate sobre a equidade e o tratamento dispensado a diferentes figuras no cenário do futebol.

