Leonardo Jardim assume o Flamengo com um desafio familiar: revitalizar a base e revelar novos talentos. Sua trajetória europeia e passagem pelo Cruzeiro acendem um farol de esperança para os jovens rubro-negros em 2026.
A chegada de Leonardo Jardim ao comando técnico do Flamengo, em 2026, traz consigo não apenas a expectativa de bons resultados imediatos, mas também a promessa de um olhar atento e estratégico para as categorias de base do clube. Conhecido mundialmente por lapidar talentos que se tornaram astros no futebol europeu, como Kylian Mbappé, o treinador português pode ser a peça chave para resgatar o protagonismo dos jovens formados no Ninho do Urubu, que nos últimos anos viram seu espaço diminuir diante de elencos recheados de estrelas e contratações de alto custo.
A gestão de Filipe Luís à frente da equipe principal, apesar de ter aberto algumas brechas para jovens promessas, não garantiu a sequência necessária para a consolidação de muitos talentos. Embora o ex-lateral tenha tido um desempenho notável em termos de minutos concedidos a jogadores da base – ficando atrás apenas de Rogério Ceni no período pós-2019 –, a transição para o time profissional raramente se traduziu em oportunidades consistentes. Apenas um seleto grupo conseguiu ultrapassar a marca de 30 jogos sob seu comando, evidenciando a dificuldade de se firmar no elenco principal.
O Legado de Jardim: De Mbappé a Bernardo Silva
A reputação de Leonardo Jardim como um formador de craques é inquestionável. Seu trabalho na Europa ficou marcado pelo lançamento de jogadores que hoje brilham nos maiores palcos do futebol mundial. Kylian Mbappé, com quem Jardim trabalhou desde os 17 anos, é o exemplo mais emblemático dessa capacidade. Outro nome de peso lapidado pelo treinador é Bernardo Silva, meia que se consolidou como peça fundamental no Manchester City.
Essa habilidade em identificar e desenvolver jovens talentos não é novidade para o técnico. Durante sua passagem pelo Cruzeiro, Jardim demonstrou um interesse genuíno pelas categorias de base do clube mineiro. Uma de suas iniciativas mais relevantes foi a solicitação para que a equipe juvenil voltasse a treinar nas dependências da Toca da Raposa II, mais próxima do elenco profissional. Essa proximidade facilitaria a observação constante e o processo de transição, permitindo que os jovens se adaptassem mais rapidamente ao ritmo e às exigências do futebol de alto nível.
No Cruzeiro, Jardim foi ativo na promoção e consolidação de diversos atletas. Ele supervisionou a ascensão de Kauã Prates, Janderson e Murilo Rhikhman, garantiu a titularidade de Kaiki, integrou Kaique Kenji ao time principal e deu suporte à recuperação de Japa após uma lesão. Além disso, sua influência se estendeu à indicação de jogadores para a equipe sub-20, demonstrando uma visão holística do desenvolvimento de talentos.
Números e Realidade da Base Rubro-Negra em 2026
Ao analisar os números recentes, percebe-se que a média de jogadores da base utilizados por partida no Flamengo, mesmo sob o comando de Filipe Luís, permaneceu baixa. Em 2026, o cenário exige uma mudança de paradigma. A média de Filipe Luís de 0,17 jogador da base por partida o colocava à frente apenas de Jorge Jesus (0,15), evidenciando um gargalo significativo na utilização de atletas formados no clube.
Os jogadores que mais se beneficiaram do tempo de jogo com Filipe Luís em 2026, e que já possuíam uma trajetória consolidada ou em ascensão, incluem Evertton Araújo (54 jogos), Wesley (41 jogos) e Wallace Yan (31 jogos). Outros nomes como Matheus Gonçalves (22 jogos) e João Victor (9 jogos) também tiveram suas oportunidades, mas sem a mesma constância.
Atualmente, o elenco principal do Flamengo em 2026 conta com alguns nomes formados no Ninho do Urubu que já se estabeleceram, como Dyogo Alves, Evertton Araújo e Wallace Yan. A expectativa é que, sob a batuta de Jardim, esse número cresça e que novos talentos surjam com mais força. Lucas Paquetá, que retornou ao clube após sua passagem pela Europa, também representa um elo importante entre a base e o sucesso profissional.
A transição de João Victor entre o profissional e a base continua sendo um ponto de atenção. Lorran, que completa 20 anos em julho de 2026, tem seu retorno de empréstimo previsto para junho, e sua adaptação ao time principal será um teste para a estratégia de desenvolvimento do novo comandante.
O Desafio de Jardim e o Futuro da Base
Leonardo Jardim chega ao Flamengo em um momento de pressão, com a missão clara de reverter a atual fase e estancar a crise esportiva. No entanto, sua experiência em desenvolver talentos e sua visão estratégica para as categorias de base podem ser o diferencial que o clube precisa para construir um futuro mais sólido e autossustentável. A esperança é que, em 2026, o Ninho do Urubu volte a ser um celeiro de craques, com jovens talentos encontrando em Leonardo Jardim o mentor ideal para trilhar o caminho de sucesso, replicando o feito de estrelas como Mbappé e Bernardo Silva.
A forma como Jardim irá integrar os jovens ao elenco principal, a metodologia de treinamento que será aplicada e a confiança depositada nos atletas da base definirão o sucesso dessa nova etapa. A torcida rubro-negra aguarda ansiosamente para ver se o toque mágico do treinador português será capaz de transformar promessas em realidade.
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